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Ambev: comprar ou vender? Analistas revelam por que a ação subiu 4% após o balanço

A Ambev (ABEV3) voltou a animar investidores após divulgar um lucro líquido de R$ 4,86 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 36,4% na compara

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Fachada de fábrica da cervejaria ambev

A Ambev (ABEV3) voltou a animar investidores após divulgar um lucro líquido de R$ 4,86 bilhões no terceiro trimestre de 2025, um crescimento de 36,4% na comparação anual.
O desempenho acima das expectativas refletiu ganhos não recorrentes, como a venda de uma subsidiária na América Central e Caribe (CAC) e um crédito judicial obtido no Brasil.

Na esteira dos resultados, as ações da Ambev subiram 4,66%, encerrando o pregão a R$ 12,59. Além do balanço, a companhia anunciou um programa de recompra de até 208 milhões de ações, estimado em cerca de R$ 2,5 bilhões, reforçando a confiança da administração.

Continue a leitura e veja como os analistas avaliam o futuro da Ambev.

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Bancos divergem sobre qualidade dos resultados da Ambev

ambev
Imagem: jcomp – Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

O Bradesco BBI considerou que a Ambev apresentou resultados acima das projeções, mas com “qualidade mista”.
A receita líquida consolidada foi de R$ 20,8 bilhões — queda de 5,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas dentro das estimativas.
Já o EBITDA ajustado alcançou R$ 7,06 bilhões, número estável ano a ano e 8% superior ao esperado pelo banco.

Segundo o relatório, a companhia mostrou eficiência na gestão de custos e despesas, mesmo em um cenário de retração de volumes no Brasil (-7,9%).
O BBI, porém, alertou para riscos ligados à fraqueza do consumo doméstico e à volatilidade econômica na Argentina, fatores que podem restringir ganhos futuros.

XP Investimentos e Itaú BBA veem desempenho misto

Para a XP Investimentos, a Ambev continua enfrentando desafios estruturais.
A corretora destacou que temperaturas abaixo da média e a renda do consumidor pressionada derrubaram as vendas de cerveja no Brasil em 7,7% no trimestre.

O Itaú BBA, por outro lado, avaliou os resultados como melhores do que o esperado, especialmente devido à redução nas despesas administrativas e no custo dos produtos vendidos.
O banco calculou um EBITDA ajustado de R$ 7,059 bilhões, cerca de 5% acima das projeções iniciais.

Entre os fatores pontuais que impulsionaram o lucro líquido, o Itaú BBA destacou o ganho não recorrente de R$ 644 milhões proveniente do programa de regularização tributária (PERT).
Sem esse efeito, o lucro seria de R$ 3,2 bilhões, alinhado ao consenso de mercado.

Cervejas da Ambev: premium e saudáveis puxam crescimento

Mesmo com a desaceleração geral, a Ambev manteve o avanço no segmento premium, consolidando sua liderança com marcas como Corona, Original e Stella Artois, que cresceram 15% em volume — o 18º trimestre consecutivo de alta.

No portfólio “zero álcool, menos calorias e sem glúten”, os destaques foram a Stella Pure Gold, cujo volume mais que dobrou, e a Michelob Ultra, com expansão de 80%.
Essas categorias apresentaram crescimento total de 65% frente ao 3º trimestre de 2024.

O movimento reflete uma mudança no comportamento do consumidor, que busca opções mais equilibradas e saudáveis, tendência observada também no segmento de refrigerantes.
As versões sem açúcar registraram aumento superior a 20%, fortalecendo a presença da Ambev no mercado.

Mercado premium sustenta margens da Ambev

O recuo do dólar nesta sexta-feira reflete a atenção global sobre as políticas do Federal Reserve e a sinalização de possíveis cortes de juros. O discurso de Jerome Powell, ao mesmo tempo cauteloso e estratégico, fez com que investidores revisassem suas projeções para os próximos meses, impactando não apenas o mercado norte-americano, mas também o câmbio brasileiro. A valorização do real frente ao dólar pode aliviar pressões sobre importações e produtos estrangeiros, mas também aumenta a volatilidade para empresas e investidores que operam com comércio internacional. O cenário sugere que setembro será um mês decisivo para o mercado financeiro, com decisões do Federal Reserve em relação à taxa de juros capazes de influenciar diretamente fluxos de capitais, investimentos e o comportamento da moeda norte-americana frente ao real, podendo definir tendências de curto e médio prazo para o câmbio no Brasil.
Imagem: Olivier Le Moal / Shutterstock.com

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Segundo relatório da XP Investimentos, as linhas premium e super premium cresceram em dois dígitos médios, superando as categorias tradicionais.
Esse desempenho ajudou a preservar a lucratividade mesmo diante da queda no volume total.

O JPMorgan reforçou que o portfólio “Balanced Choices” (que inclui Michelob Ultra, Stella Pure Gold e as cervejas sem álcool) teve alta de 30% em volume, refletindo a forte demanda por produtos de maior valor agregado.
Para os analistas, esse movimento é essencial para sustentar margens e diferenciar a empresa em um mercado cada vez mais competitivo.

Valuation e projeções para ações ABEV3

Em termos de valuation, a Ambev está sendo negociada a 12,5 vezes o lucro estimado para 2026, nível considerado justo pelo Itaú BBA, que mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 14.

O Bradesco BBI também manteve avaliação neutra, com preço-alvo de R$ 13, citando que a recuperação de volumes ainda é o principal gatilho para uma revisão positiva.
O JPMorgan acompanha o mesmo tom, projetando R$ 15,50 por ação, enquanto a XP Investimentos permanece mais cautelosa, com recomendação de venda.

De acordo com a XP, o papel está sendo negociado a 13,9 vezes o preço/lucro (P/L), múltiplo considerado elevado diante das perspectivas modestas de crescimento do lucro por ação (LPA).

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Com informações de: InfoMoney

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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