Pela primeira vez desde janeiro deste ano, a Americanas confirmou que o rombo de R$ 20 bilhões na sua contabilidade pode ser resultado de uma fraude. Hoje (13), em comunicado ao mercado, a empresa detalhou as recentes descobertas.
Americanas admite fraude no rombo de R$ 20 bilhões
Em comunicado ao mercado, Americanas diz que rombo foi causado por fraude e aponta os possíveis culpados. Clique para entender a situação
Com o anúncio do rombo nas contas, a varejista contratou uma auditoria externa e um conjunto de assessores jurídicos para investigar os motivos da situação. Com isso, nesta semana, a empresa divulgou os resultados preliminares desse processo de auditoria.
De acordo com um relatório que os assessores apresentaram ao Conselho de Administração, o rombo foi devido às ações da última diretoria para tentar esconder a real situação financeira da empresa.
Comunicado da Americanas acusa de fraude sete ex-executivos e três ex-diretores da varejista
Apesar de apresentar apenas os resultados preliminares, o documento determina que vários membros da antiga diretoria da empresa estão envolvidos com a fraude, inclusive o ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez.
Porém, Gutierrez não foi o único apontado. O documento apresentou o nome dos ex-diretores Anna Christina Ramos Saicali, José Timótheo de Barros e Márcio Cruz Meirelles. Além disso, ainda estariam envolvidos os ex-executivos Fábio da Silva Abrate, Flávia Carneiro e Marcelo da Silva Nunes.
Como o esquema funcionava?
O esquema de fraude na Americanas envolvia diversos processos. Entre eles, a criação de diversos contratos de verba de propaganda cooperada (VPC). Eles funcionavam como uma ferramenta de redução de custo, entretanto, a contratação deles nunca aconteceu.
Ou seja, seus resultados eram artificiais e geraram um saldo de R$ 21,7 bilhões até setembro de 2022. Esse valor era usado para reduzir os custos da Americanas com os fornecedores.
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Além disso, a antiga diretoria não lançou corretamente os juros sobre operações financeiras, como uma estratégia para diminuir as contas com os fornecedores. Assim, para manter o caixa da empresa, eles optaram por fazer diversos empréstimos, sem a autorização dos sócios.
No final do documento a empresa garante que está avaliando as medidas que podem tomar contra a ex-diretoria para reaver o prejuízo que eles causaram aos cofres da varejista.
Imagem: Leonidas Santana / Shutterstock.com
