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Starlink mais perto do celular: Anatel muda regulamento de conexão

Nova regra da Anatel unifica licenças e libera internet via satélite direto no celular, favorecendo empresas como a Starlink no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
starlink

A partir de 28 de outubro de 2025, o Brasil entrará em uma nova era da conectividade. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dará início à implementação de um novo marco regulatório para o setor de comunicações via satélite, com destaque para a liberação de serviços de internet móvel via satélite diretamente em celulares, sem necessidade de intermédio com grandes operadoras nacionais.

Essa transformação não apenas simplifica o processo de licenciamento, como também abre caminho para a atuação mais direta de empresas globais, especialmente a Starlink, pertencente ao bilionário Elon Musk.

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Imagem: Freepik e Canva

Nova regulamentação: o que muda na prática

Licenças unificadas: da telefonia ao acesso à internet

O principal ponto das novas regras consiste na extinção da atual licença exclusiva para telefonia via satélite, que será agora absorvida pela licença de Serviço Móvel Pessoal (SMP) — a mesma usada por operadoras tradicionais de celular.

Isso significa que, a partir da nova norma:

  • Empresas de internet via satélite poderão operar diretamente no mercado móvel
  • Haverá uma única licença para telefonia e internet, simplificando o modelo regulatório
  • Reduz-se a burocracia para entrada de novos players no setor

Segundo Renato Sales Bizerra Aguiar, gerente de outorga e licenciamento de estações da Anatel, essa mudança “coloca todas as operadoras sob o mesmo guarda-chuva regulatório”, o que tende a estimular a concorrência e beneficiar os consumidores com preços mais acessíveis.

Starlink avança e ganha força no Brasil

Aquisição de licenças da UIT por US$ 17 bilhões

De forma estratégica, a Starlink avançou em sua expansão internacional ao adquirir, por cerca de US$ 17 bilhões, as licenças da União Internacional de Telecomunicações (UIT) que pertenciam à EchoStar. Com isso:

  • A EchoStar tornou-se acionista minoritária da SpaceX
  • A Starlink assume o controle de espectros globais e direitos de operação
  • A subsidiária da EchoStar, a HughesNet, continua operando no Brasil, mas agora sob outra configuração societária

Essa manobra posiciona a Starlink para operar de forma independente no país, sem depender de acordos com empresas como Vivo, TIM ou Claro. A empresa poderá vender pacotes de internet via satélite diretamente para celulares brasileiros, algo até então inédito.

Concorrência acirrada: HughesNet x Starlink

Disputa pelo mercado rural e desconectado

O embate entre Starlink e HughesNet deve se intensificar. Atualmente:

  • HughesNet conta com 157.665 assinantes no Brasil
  • Starlink, por sua vez, já atende mais de 422.850 clientes no país

A diferença numérica reflete o ritmo acelerado de crescimento da Starlink, que oferece velocidades superiores e latência reduzida graças à sua constelação de satélites de baixa órbita (LEO).

Contudo, a HughesNet ainda possui uma infraestrutura consolidada e contratos públicos, o que a mantém forte especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.

Limitações atuais da tecnologia

Anatel
Imagem: Reprodução / Anatel

Serviço móvel via satélite ainda é restrito nos EUA

Embora a novidade seja promissora, é importante destacar que, mesmo nos Estados Unidos, o serviço de internet móvel via satélite da Starlink ainda apresenta limitações.

Atualmente, os testes permitem apenas:

  • Envio de mensagens SMS
  • Compartilhamento de coordenadas geográficas

Isso se deve à complexidade técnica de manter conexão contínua com satélites de baixa órbita durante deslocamentos — algo que exige sincronização milimétrica entre dispositivos e satélites.

Ainda assim, a expectativa é de que a evolução dessa tecnologia seja rápida, com ampliação das funcionalidades ainda em 2026.

Como será a transição das operadoras atuais

Prazo para adaptação e publicação de normas complementares

Com a extinção da licença anterior, as operadoras que atuam com telefonia satelital no Brasil precisarão migrar para a nova outorga sob a SMP, respeitando condições que a Anatel ainda deve publicar até o fim de outubro.

A mudança exigirá:

  • Readequação contratual e técnica das empresas
  • Revisão dos planos de serviço
  • Novos investimentos em equipamentos compatíveis

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Apesar da transição, o governo garante que não haverá interrupção nos serviços prestados atualmente.

Impactos econômicos e sociais esperados

1. Redução do custo da conectividade

Com mais concorrência, empresas menores e até startups poderão entrar no mercado, o que deve levar à:

  • Queda nos preços dos pacotes de internet e telefonia satelital
  • Maior inclusão digital em áreas remotas

2. Expansão do acesso à internet em zonas rurais

A medida deve beneficiar especialmente:

  • Comunidades indígenas
  • Agricultores familiares
  • Escolas rurais e centros de saúde isolados

Esses locais sofrem com ausência de infraestrutura terrestre e veem no satélite a única solução viável.

3. Potencial de novos negócios e serviços

Com a liberação da internet via satélite em dispositivos móveis, surgem oportunidades em:

  • Monitoramento remoto de veículos e cargas
  • Operações agrícolas conectadas
  • Atendimento emergencial em regiões isoladas

Contexto internacional: tendência global de integração satelital

Starlink
Imagem: Freepik e Canva

Vários países vêm revisando suas regulamentações para permitir a operação de internet via satélite diretamente em dispositivos móveis. A própria SpaceX anunciou parcerias com operadoras nos EUA, Austrália e Filipinas, enquanto empresas como a Amazon (Projeto Kuiper) e a OneWeb também entram na disputa.

O Brasil, ao adotar essas novas regras, se alinha com as práticas regulatórias mais modernas do setor.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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