A partir de 28 de outubro de 2025, o Brasil entrará em uma nova era da conectividade. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dará início à implementação de um novo marco regulatório para o setor de comunicações via satélite, com destaque para a liberação de serviços de internet móvel via satélite diretamente em celulares, sem necessidade de intermédio com grandes operadoras nacionais.
Starlink mais perto do celular: Anatel muda regulamento de conexão
Nova regra da Anatel unifica licenças e libera internet via satélite direto no celular, favorecendo empresas como a Starlink no Brasil.
Essa transformação não apenas simplifica o processo de licenciamento, como também abre caminho para a atuação mais direta de empresas globais, especialmente a Starlink, pertencente ao bilionário Elon Musk.
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Nova regulamentação: o que muda na prática
Licenças unificadas: da telefonia ao acesso à internet
O principal ponto das novas regras consiste na extinção da atual licença exclusiva para telefonia via satélite, que será agora absorvida pela licença de Serviço Móvel Pessoal (SMP) — a mesma usada por operadoras tradicionais de celular.
Isso significa que, a partir da nova norma:
- Empresas de internet via satélite poderão operar diretamente no mercado móvel
- Haverá uma única licença para telefonia e internet, simplificando o modelo regulatório
- Reduz-se a burocracia para entrada de novos players no setor
Segundo Renato Sales Bizerra Aguiar, gerente de outorga e licenciamento de estações da Anatel, essa mudança “coloca todas as operadoras sob o mesmo guarda-chuva regulatório”, o que tende a estimular a concorrência e beneficiar os consumidores com preços mais acessíveis.
Starlink avança e ganha força no Brasil
Aquisição de licenças da UIT por US$ 17 bilhões
De forma estratégica, a Starlink avançou em sua expansão internacional ao adquirir, por cerca de US$ 17 bilhões, as licenças da União Internacional de Telecomunicações (UIT) que pertenciam à EchoStar. Com isso:
- A EchoStar tornou-se acionista minoritária da SpaceX
- A Starlink assume o controle de espectros globais e direitos de operação
- A subsidiária da EchoStar, a HughesNet, continua operando no Brasil, mas agora sob outra configuração societária
Essa manobra posiciona a Starlink para operar de forma independente no país, sem depender de acordos com empresas como Vivo, TIM ou Claro. A empresa poderá vender pacotes de internet via satélite diretamente para celulares brasileiros, algo até então inédito.
Concorrência acirrada: HughesNet x Starlink
Disputa pelo mercado rural e desconectado
O embate entre Starlink e HughesNet deve se intensificar. Atualmente:
- HughesNet conta com 157.665 assinantes no Brasil
- Starlink, por sua vez, já atende mais de 422.850 clientes no país
A diferença numérica reflete o ritmo acelerado de crescimento da Starlink, que oferece velocidades superiores e latência reduzida graças à sua constelação de satélites de baixa órbita (LEO).
Contudo, a HughesNet ainda possui uma infraestrutura consolidada e contratos públicos, o que a mantém forte especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste.
Limitações atuais da tecnologia

Serviço móvel via satélite ainda é restrito nos EUA
Embora a novidade seja promissora, é importante destacar que, mesmo nos Estados Unidos, o serviço de internet móvel via satélite da Starlink ainda apresenta limitações.
Atualmente, os testes permitem apenas:
- Envio de mensagens SMS
- Compartilhamento de coordenadas geográficas
Isso se deve à complexidade técnica de manter conexão contínua com satélites de baixa órbita durante deslocamentos — algo que exige sincronização milimétrica entre dispositivos e satélites.
Ainda assim, a expectativa é de que a evolução dessa tecnologia seja rápida, com ampliação das funcionalidades ainda em 2026.
Como será a transição das operadoras atuais
Prazo para adaptação e publicação de normas complementares
Com a extinção da licença anterior, as operadoras que atuam com telefonia satelital no Brasil precisarão migrar para a nova outorga sob a SMP, respeitando condições que a Anatel ainda deve publicar até o fim de outubro.
A mudança exigirá:
- Readequação contratual e técnica das empresas
- Revisão dos planos de serviço
- Novos investimentos em equipamentos compatíveis
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Apesar da transição, o governo garante que não haverá interrupção nos serviços prestados atualmente.
Impactos econômicos e sociais esperados
1. Redução do custo da conectividade
Com mais concorrência, empresas menores e até startups poderão entrar no mercado, o que deve levar à:
- Queda nos preços dos pacotes de internet e telefonia satelital
- Maior inclusão digital em áreas remotas
2. Expansão do acesso à internet em zonas rurais
A medida deve beneficiar especialmente:
- Comunidades indígenas
- Agricultores familiares
- Escolas rurais e centros de saúde isolados
Esses locais sofrem com ausência de infraestrutura terrestre e veem no satélite a única solução viável.
3. Potencial de novos negócios e serviços
Com a liberação da internet via satélite em dispositivos móveis, surgem oportunidades em:
- Monitoramento remoto de veículos e cargas
- Operações agrícolas conectadas
- Atendimento emergencial em regiões isoladas
Contexto internacional: tendência global de integração satelital

Vários países vêm revisando suas regulamentações para permitir a operação de internet via satélite diretamente em dispositivos móveis. A própria SpaceX anunciou parcerias com operadoras nos EUA, Austrália e Filipinas, enquanto empresas como a Amazon (Projeto Kuiper) e a OneWeb também entram na disputa.
O Brasil, ao adotar essas novas regras, se alinha com as práticas regulatórias mais modernas do setor.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
