A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Receita Federal intensificaram sua ofensiva contra a comercialização de produtos ilegais no país com uma nova etapa da Operação Safira, realizada na última quinta-feira (30/11), na cidade de Campina Grande (PB). A ação, que só foi divulgada no domingo (04/11), resultou na apreensão de mais de duas toneladas de eletrônicos irregulares, totalizando R$ 2 milhões em mercadorias sem homologação.
Anatel e Receita Federal retiram eletrônicos piratas de circulação
Operação Safira apreende R$ 2 milhões em eletrônicos irregulares em Campina Grande PB; itens não homologados ofereciam riscos à segurança.
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Dispositivos falsificados e não homologados
Bluetooth e risco ao consumidor
De acordo com a Anatel, o nome “Safira” foi escolhido em referência à cor azul comumente associada à tecnologia Bluetooth, presente na maioria dos equipamentos recolhidos, como:
- Caixas de som portáteis
- Fones de ouvido
- Carregadores de celular
- Adaptadores e controladores sem fio
Esses dispositivos estavam à venda sem a devida certificação técnica da Anatel, o que viola as normas brasileiras e expõe os consumidores a riscos físicos e cibernéticos.
Riscos à saúde e segurança
A falta de homologação significa que os produtos não passaram por testes de qualidade, eficiência e segurança. Entre os perigos apontados estão:
- Choques elétricos
- Explosões de baterias
- Superaquecimento
- Vazamento de substâncias tóxicas
- Interferências em redes de comunicação
- Vulnerabilidades para ataques cibernéticos
A Anatel ressalta que a homologação garante a compatibilidade técnica e a segurança mínima exigida, além de proteger o mercado legal de concorrência desleal.
Ações integradas: fiscalização, repressão e perícia técnica
Forças públicas e representantes legais
A fiscalização foi conduzida pela Superintendência de Fiscalização (SFI) da Anatel em parceria com a Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho (DIREP04) da Receita Federal.
Além das autoridades públicas, a operação contou com a presença de escritórios de advocacia que representam marcas impactadas pela pirataria, responsáveis por realizar a análise técnica das mercadorias apreendidas.
Segundo a superintendente Gesiléa Fonseca Teles, a presença de representantes das marcas ajuda a acelerar a identificação de falsificações e reforça a colaboração entre o setor público e o privado no combate ao comércio ilegal.
Proteção ao consumidor e à indústria nacional
Para o conselheiro Alexandre Freire, da Anatel, o comércio de equipamentos não homologados representa uma ameaça dupla:
“Ela corrói o mercado legal, desestimula o investimento da indústria e, mais grave, expõe o consumidor a riscos reais de segurança física e cibernética”, afirmou em nota oficial.
Operações anteriores e intensificação da fiscalização em 2025
A Operação Safira faz parte do Plano de Ação de Combate à Pirataria (PACP), coordenado pela Anatel em parceria com outros órgãos de Estado. Desde o início de 2025, diversas ações semelhantes vêm sendo realizadas em todo o país, com resultados expressivos.
Operação Poty – Teresina (PI)
- Data: 23 de outubro de 2025
- Valor apreendido: R$ 2,5 milhões
- Produtos: dispositivos Bluetooth, como caixas de som e fones
Operação Tomassarina – Bahia
- Data: maio de 2025
- Itens apreendidos: mais de 56 mil equipamentos Bluetooth
Operações em São Paulo, Bahia e Santa Catarina
- Data: outubro de 2025
- Resultado:
- Lacração de 1,7 milhão de metros de cabos de fibra óptica
- Apreensão de 45 mil eletrônicos diversos
- Em São José (SC), 10 mil fechaduras eletrônicas foram apreendidas, avaliadas em R$ 5,7 milhões
Próximas ações em 2025
A Anatel e a Receita Federal já anunciaram que novas fiscalizações estão previstas até o final do ano. A estratégia, segundo Gesiléa Teles, é manter ações contínuas em regiões com alta incidência de venda de eletrônicos ilegais, com destaque para grandes centros e polos comerciais regionais.
Como funciona a homologação de eletrônicos pela Anatel
Processo e exigência legal
Todo dispositivo de telecomunicação (inclusive os com Wi-Fi, Bluetooth, 4G ou 5G) deve, por lei, ser homologado pela Anatel antes de ser comercializado no Brasil.
O processo de homologação envolve:
- Ensaios laboratoriais
- Verificação de segurança elétrica e radiofrequência
- Análise de compatibilidade eletromagnética
- Avaliação de consumo energético e interferência
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Após aprovado, o produto recebe um selo da Anatel com número de certificação, que pode ser verificado online.
Riscos do uso de produtos não homologados
Além dos riscos à integridade física dos usuários, dispositivos não homologados podem:
- Interferir em redes de emergência
- Causar falhas em conexões Bluetooth e Wi-Fi
- Comprometer a performance de dispositivos vizinhos
- Apresentar incompatibilidade com as normas da Anatel
Impactos econômicos e sociais da pirataria eletrônica
Prejuízos para a indústria e para o Estado
O comércio de eletrônicos irregulares afeta diretamente:
- Fabricantes e importadores legais, que perdem mercado
- Consumidores, que recebem produtos sem garantia e suporte
- O Estado, que deixa de arrecadar impostos e taxas
Estimativas do setor indicam que o mercado paralelo de eletrônicos no Brasil movimenta bilhões de reais por ano, com prejuízos acumulados para a indústria nacional e órgãos de arrecadação.
Risco para o comércio local
Em cidades como Campina Grande, lojas de eletrônicos que operam legalmente sofrem concorrência desleal de comércios informais ou que oferecem produtos sem procedência. A fiscalização visa proteger esses empreendedores que cumprem a legislação e geram empregos formais.
Denúncias e conscientização
A Anatel mantém um canal de denúncias anônimas, acessível pelo site oficial da agência e pelo aplicativo Anatel Consumidor. Consumidores também podem verificar a homologação de produtos por meio do portal de consulta de certificados.
A agência alerta para que os consumidores:
- Evitem comprar em sites ou lojas com preços muito abaixo do mercado
- Verifiquem a existência do selo da Anatel nos produtos
- Solicitem nota fiscal com CNPJ e descrição do produto
- Desconfiem de embalagens genéricas ou sem informações em português
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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