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Tarifa branca: Aneel quer incluir automaticamente 2,5 milhões de consumidores em 2026

Aneel propõe migração automática de 2,5 milhões de clientes para a tarifa branca em 2026, que varia o preço da energia conforme o horário de consumo.

Julia FernandesPor Julia Fernandes7 min de leitura
Aneel

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) iniciou estudos para ampliar a aplicação da tarifa branca de energia para cerca de 2,5 milhões de consumidores de baixa tensão — como residências, pequenos comércios e serviços. A proposta, divulgada em 7 de novembro de 2025, prevê a migração automática desses clientes para a nova modalidade a partir de 2026, sem necessidade de solicitação prévia.

A medida busca incentivar o consumo mais eficiente de energia, ajustando o preço conforme o horário de utilização. Na prática, a tarifa branca é mais cara durante o pico de consumo e mais barata nas horas de menor demanda, estimulando os consumidores a reorganizarem seus hábitos para economizar.

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Entenda a proposta da Aneel

De acordo com a nota técnica publicada pela Aneel em 6 de novembro de 2025, o plano inclui migração automática de consumidores que consomem acima de 1.000 kWh por mês — grupo que abrange indústrias leves, comércios, serviços públicos e grandes residências conectados à rede de baixa tensão.

Hoje, qualquer consumidor pode solicitar a adesão à tarifa branca de forma voluntária. No entanto, apenas 0,1% dos 75 milhões de unidades consumidoras elegíveis optaram por essa alternativa. A nova proposta pretende ampliar a base de usuários de maneira progressiva, começando com os grandes consumidores e, no futuro, avaliando a inclusão de outras faixas.

Segundo o órgão regulador, o objetivo é aumentar a eficiência no uso da energia elétrica, especialmente diante do avanço das fontes renováveis e intermitentes, como a solar e a eólica, que exigem melhor equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do dia.

Como funciona a tarifa branca

A principal diferença entre a tarifa branca e a tarifa convencional está no modo de cobrança. Enquanto o modelo tradicional mantém um preço fixo por kWh consumido durante todo o dia, a tarifa branca varia o valor da energia conforme o horário.

A Aneel divide o dia em três períodos:

  • Horário de pico: geralmente entre 18h e 21h, quando há maior consumo — energia mais cara.
  • Horário intermediário: transição entre 17h e 22h, com preço moderado.
  • Horário fora de pico: restante do dia e madrugada — energia mais barata.

O sistema incentiva que o consumidor desloque o uso de aparelhos intensivos, como chuveiro elétrico, ferro de passar ou máquina de lavar, para horários fora de pico, reduzindo a sobrecarga do sistema e, ao mesmo tempo, economizando na conta.

Benefícios e desafios da migração automática

Incentivo à eficiência energética

A proposta da Aneel visa melhorar a distribuição do consumo ao longo do dia, evitando picos que pressionam a rede elétrica e exigem maior acionamento de termelétricas, que são mais caras e poluentes.

Com a adoção da tarifa branca, o país pode reduzir custos operacionais, diminuir a emissão de carbono e aproveitar melhor as energias renováveis, que têm produção variável conforme o clima e o horário.

Risco de aumento de custo para quem não se adaptar

Por outro lado, quem mantiver hábitos de alto consumo no horário de pico poderá pagar mais caro. A transição automática, por isso, exigirá campanhas de informação e orientação aos consumidores, para que compreendam como ajustar seus hábitos e evitem surpresas na fatura.

A Aneel esclarece que, após a migração, os clientes terão liberdade para retornar à tarifa convencional, caso percebam que o novo modelo não traz vantagem econômica.

Contexto do setor elétrico em 2025

A proposta surge em um momento de transformação no setor energético brasileiro. A matriz elétrica está cada vez mais diversificada, com crescimento da energia solar distribuída, que já ultrapassa 26 GW instalados, e investimentos em sistemas inteligentes de medição e distribuição.

A expansão das fontes renováveis traz ganhos ambientais e tecnológicos, mas também desafios de gestão, já que a produção é intermitente. A tarifa branca é vista pela Aneel como uma ferramenta importante para equilibrar oferta e demanda, ajudando a estabilizar a rede em horários críticos.

Quem será impactado primeiro

O público-alvo inicial da migração automática inclui consumidores de baixa tensão com alto consumo mensal, acima de 1.000 kWh. Esse grupo concentra cerca de 2,5 milhões de unidades consumidoras, entre residências de grande porte, estabelecimentos comerciais e pequenos polos industriais.

A migração será feita de forma gradual, e as distribuidoras de energia terão de informar os clientes com antecedência, explicando as novas regras e oferecendo simuladores de consumo para facilitar a adaptação.

Como se preparar para a tarifa branca

1. Conheça seu perfil de consumo

O primeiro passo é verificar o histórico mensal de consumo na conta de luz. Consumidores que utilizam muitos equipamentos elétricos entre 18h e 21h devem considerar mudar horários de uso.

2. Ajuste seus hábitos

A economia depende de mudanças simples, como:

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  • Programar a lavadora de roupas para horários de menor demanda;
  • Evitar banhos elétricos no início da noite;
  • Desligar aparelhos de ar-condicionado durante o pico;
  • Utilizar iluminação eficiente e sensores de presença.

3. Use aplicativos das distribuidoras

As empresas de energia devem oferecer aplicativos que mostrem o consumo em tempo real, ajudando o cliente a visualizar o impacto da mudança de hábitos.

O que dizem especialistas

Especialistas em energia avaliam a proposta como um passo importante para modernizar o setor elétrico, mas destacam que a comunicação com o público será essencial. Segundo o professor de Finanças da FGV, Pierre Souza, o sucesso da tarifa branca depende de educação energética e transparência nas informações.

“Não basta mudar a cobrança. É preciso que o consumidor entenda como funciona e tenha ferramentas para acompanhar seu consumo de forma simples”, explica.

Próximos passos da Aneel

A proposta ainda será submetida a consulta pública antes da decisão final do colegiado da Aneel. A expectativa é que o novo modelo entre em vigor em 2026, após ajustes técnicos e regulamentares.

Durante esse período, o órgão deve ouvir representantes das distribuidoras, associações de consumidores e especialistas do setor elétrico, para garantir que a migração ocorra de forma equilibrada.

O governo federal acompanha o tema, considerando que a medida pode estimular o consumo consciente e reduzir o custo estrutural da energia no país.

Impacto esperado

Com a ampliação da tarifa branca, o Brasil pode alcançar um novo patamar de eficiência energética. A expectativa da Aneel é que a migração automática reduza o consumo nos horários de pico, alivie a carga sobre o sistema e melhore a estabilidade da rede nacional.

Além disso, o modelo deve fortalecer a integração de energias limpas e ampliar as opções para o consumidor, que poderá escolher a melhor forma de pagar menos pela eletricidade.

A iniciativa da Aneel representa uma mudança significativa na política tarifária de energia no Brasil. Ao incentivar o uso consciente e o equilíbrio do consumo, a tarifa branca se consolida como uma ferramenta para um sistema elétrico mais moderno, sustentável e econômico.

Para que os benefícios sejam amplamente percebidos, será fundamental que os consumidores recebam informações claras e tenham autonomia para decidir a melhor modalidade de cobrança. Com a previsão de início em 2026, o novo modelo reforça o compromisso do setor elétrico brasileiro com a transição energética e a eficiência no uso dos recursos.

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Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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