A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em decisão unânime da diretoria colegiada, uma nova Instrução Normativa que determina a obrigatoriedade da divulgação de informações sobre sintomas e prevenção da mpox (anteriormente chamada de varíola dos macacos) e do sarampo em pontos estratégicos de entrada e saída do país.
Anvisa reforça ações contra mpox e sarampo em portos e aeroportos; entenda a medida
Nova norma da Anvisa exige materiais e avisos sonoros sobre mpox e sarampo em portos, aeroportos e voos, reforçando ações de prevenção nas viagens.
A medida visa ampliar a conscientização sobre essas doenças em locais de grande circulação de pessoas, como portos, aeroportos e aeronaves. Com isso, a Anvisa espera colaborar com os esforços nacionais e internacionais de contenção de surtos e reintroduções virais, especialmente diante do atual cenário epidemiológico.
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Avisos e materiais sobre a mpox serão visíveis ao público

Exposição obrigatória em áreas de circulação
A norma exige que portos e aeroportos brasileiros exibam materiais informativos sobre a mpox, contendo orientações claras a respeito dos sintomas, formas de contágio e métodos de prevenção. Esses materiais devem ser afixados em locais de fácil visualização, como áreas de embarque e desembarque, salas de espera, terminais de passageiros e próximos a guichês de atendimento.
Abordagem educativa sem imposição de sanções
A Anvisa esclarece que o conteúdo tem caráter exclusivamente educativo, sem a imposição de sanções ou restrições sanitárias aos viajantes. O foco está na educação em saúde pública, incentivando comportamentos responsáveis diante de doenças transmissíveis.
Por que a mpox voltou ao foco da saúde pública?
Embora os casos de mpox tenham diminuído desde o pico global em 2022, surtos isolados continuam sendo registrados em diversos países. A reintrodução do vírus pode ocorrer por meio de viajantes infectados, o que torna a vigilância em pontos de entrada uma ferramenta essencial.
A mpox é uma doença viral que se manifesta por febre, dor muscular, lesões cutâneas e mal-estar. Embora seja menos letal que a varíola humana erradicada, ela pode causar complicações sérias, sobretudo em pessoas imunossuprimidas.
Sarampo: companhias aéreas devem emitir avisos sonoros
Alerta contínuo até erradicação total
Outro ponto da normativa da Anvisa é a exigência de avisos sonoros sobre o sarampo a bordo de aeronaves que operam em território nacional. A medida será mantida até que o processo de eliminação do vírus no Brasil seja concluído.
Trilinguismo em voos internacionais
Nos voos internacionais, os anúncios devem ser feitos em português, espanhol e inglês, reforçando o compromisso com a acessibilidade e o alcance da mensagem junto a viajantes estrangeiros.
Esses alertas sonoros têm como objetivo informar os passageiros sobre os sintomas do sarampo, sua alta transmissibilidade e a importância da vacinação completa como forma eficaz de prevenção.
Situação atual do sarampo no Brasil
Apesar dos esforços de imunização, o Brasil ainda não conseguiu eliminar completamente a circulação do vírus do sarampo. Casos continuam sendo registrados em diversas regiões, e surtos esporádicos preocupam autoridades sanitárias, especialmente em áreas com baixa cobertura vacinal.
O sarampo é uma doença altamente contagiosa, com potencial de complicações graves. Os sintomas incluem febre alta, manchas vermelhas na pele, coriza e conjuntivite.
Doenças-alvo são classificadas como eventos de importância sanitária
O que são ESPII, ESPIN e ESP?
As determinações da Anvisa se aplicam a doenças classificadas como:
- ESPII (Evento de Saúde Pública de Importância Internacional)
- ESPIN (Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional)
- ESP (Evento de Saúde Pública)
Essas classificações são utilizadas para indicar enfermidades com potencial de impacto significativo na saúde coletiva, exigindo monitoramento e resposta coordenada entre autoridades nacionais e internacionais.
Ações temporárias e flexíveis
A nova normativa tem caráter temporário e pode ser modificada conforme a evolução do cenário epidemiológico. A Anvisa mantém a prerrogativa de revisar as exigências, intensificá-las ou suspendê-las, a depender da situação sanitária nacional e global.
Como será feita a implementação nos portos e aeroportos

Responsabilidade dos administradores
Caberá aos administradores dos terminais aéreos e marítimos a implementação dos materiais visuais e sonoros exigidos pela Anvisa. Os conteúdos deverão seguir modelos padronizados a serem fornecidos ou validados pela própria agência reguladora.
Fiscalização orientadora
Embora a normativa não preveja sanções, haverá ações de fiscalização orientadora por parte da Anvisa. O objetivo é garantir a adesão voluntária e proativa por parte dos entes públicos e privados envolvidos no transporte de passageiros.
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Alinhamento com recomendações internacionais
Convergência com OMS e IHR
As medidas da Anvisa seguem diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Regulamento Sanitário Internacional (RSI). O Brasil é signatário do RSI e, portanto, comprometido com a prevenção e resposta a emergências de saúde pública transfronteiriças.
Relevância da comunicação de risco
A comunicação de risco em saúde pública é considerada um dos pilares do enfrentamento de epidemias e pandemias. Alertas bem formulados e amplamente divulgados ajudam a evitar o pânico, corrigem desinformações e promovem a adesão da população a medidas preventivas.
Reação do setor aéreo e de transporte
Adesão e desafios
Em nota, associações do setor aéreo brasileiro demonstraram apoio à medida, reconhecendo seu papel na segurança sanitária dos passageiros. No entanto, ressaltam a importância de padronização dos materiais e de prazo adequado para implementação, sobretudo em aeroportos regionais com menor infraestrutura.
Companhias internacionais
As companhias aéreas internacionais que operam voos para o Brasil também deverão se adequar às novas diretrizes, sobretudo no que diz respeito aos avisos trilingues nos voos de chegada.
Perspectivas para o controle das doenças

Importância da vacinação
Tanto no caso da mpox quanto do sarampo, a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção. O Ministério da Saúde reforça que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) está em plena operação e que a população deve manter o calendário vacinal atualizado.
Cooperação entre esferas de governo
A iniciativa da Anvisa é parte de um esforço conjunto entre órgãos federais, estaduais e municipais, que trabalham em sinergia para mitigar riscos e preservar a saúde pública, sobretudo em momentos de maior movimentação, como feriados prolongados e férias escolares.
Conclusão: informação como escudo sanitário
Com a nova instrução normativa, a Anvisa reforça seu papel como agente regulador e promotor da educação em saúde pública. Ao optar por medidas informativas e não punitivas, o órgão aposta na conscientização como principal ferramenta de prevenção. Em um mundo cada vez mais interligado, ações desse tipo tornam-se cruciais para manter o Brasil preparado frente a desafios sanitários globais.
