A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo tratamento que pode representar uma mudança importante na vida de milhões de mulheres brasileiras.
Trata-se do Veoza (fezolinetanto), primeiro medicamento não hormonal autorizado no país para o tratamento dos sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa.
A novidade chega como uma alternativa para mulheres que sofrem com ondas de calor, suores noturnos e alterações relacionadas ao climatério, mas que não podem ou não desejam utilizar a terapia de reposição hormonal tradicional.
A aprovação coloca o Brasil entre os países que já contam com essa nova abordagem terapêutica, considerada por especialistas um avanço significativo para a saúde feminina.
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O que é o Veoza e por que ele é considerado inovador?

O Veoza é um medicamento desenvolvido pela empresa farmacêutica Astellas Farma e tem como princípio ativo o fezolinetanto.
Sua principal inovação está no fato de não utilizar hormônios para controlar os sintomas da menopausa.
Até então, a principal estratégia terapêutica para combater os chamados fogachos — as famosas ondas de calor — era a terapia hormonal, baseada na reposição de estrogênio e, em alguns casos, progesterona.
Embora seja eficaz para muitas mulheres, esse tratamento nem sempre pode ser utilizado devido a contraindicações médicas.
Com a chegada do fezolinetanto, surge uma alternativa que atua diretamente em mecanismos cerebrais envolvidos no controle da temperatura corporal.
Como o medicamento funciona?
O fezolinetanto age em uma região do cérebro chamada hipotálamo, responsável pela regulação da temperatura corporal.
Durante a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio provoca alterações em determinados neurônios que participam desse controle térmico.
Essas mudanças fazem com que o organismo interprete pequenas variações de temperatura como excessivas, desencadeando os fogachos e os episódios de suor intenso.
O papel da neurocinina B
Pesquisas identificaram que uma substância chamada neurocinina B desempenha papel importante nesse processo.
O novo medicamento atua bloqueando receptores específicos ligados à neurocinina B, ajudando a restaurar o equilíbrio térmico do organismo.
Com isso, a frequência e a intensidade das ondas de calor podem diminuir significativamente.
Esse mecanismo é considerado inovador porque trata diretamente uma das causas biológicas dos sintomas sem interferir nos níveis hormonais da paciente.
O que são os sintomas vasomotores da menopausa?
Os sintomas vasomotores são manifestações relacionadas às alterações no controle da temperatura corporal durante o climatério e a menopausa.
Os principais incluem:
- Ondas de calor repentinas;
- Suores noturnos intensos;
- Vermelhidão facial;
- Sensação súbita de calor no tronco e pescoço;
- Despertares frequentes durante a noite;
- Alterações do sono.
Esses sintomas podem ocorrer várias vezes ao dia e comprometer significativamente a qualidade de vida.
Em casos mais severos, afetam o desempenho profissional, a disposição física e o bem-estar emocional.
Menopausa afeta milhões de brasileiras
A menopausa é uma fase natural da vida da mulher, caracterizada pelo encerramento definitivo dos ciclos menstruais.
Segundo especialistas, ela costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos, embora possa surgir antes ou depois dessa faixa etária.
Dados apresentados durante a avaliação do medicamento mostram que aproximadamente 36,2% das brasileiras entre 40 e 65 anos apresentam sintomas vasomotores intensos.
O índice chama atenção por ser superior à média global estimada em 15,6%.
Isso significa que milhões de mulheres convivem diariamente com desconfortos que impactam sono, humor, produtividade e qualidade de vida.
Quem pode se beneficiar do novo tratamento?
A principal vantagem do Veoza está em oferecer uma opção para mulheres que possuem restrições à terapia hormonal.
Casos em que a reposição hormonal pode não ser indicada
Existem situações em que médicos avaliam cuidadosamente ou evitam o uso de hormônios, como:
- Histórico de câncer de mama hormônio-dependente;
- Algumas doenças cardiovasculares;
- Histórico de trombose;
- Determinadas doenças hepáticas;
- Intolerância aos tratamentos hormonais.
Nesses casos, as opções terapêuticas costumam ser mais limitadas.
A chegada de um medicamento não hormonal amplia as possibilidades de tratamento individualizado.
O que os estudos mostraram?
A aprovação do medicamento pela Anvisa foi baseada em estudos clínicos que envolveram mais de 3 mil mulheres.
Os resultados demonstraram redução significativa tanto na frequência quanto na intensidade dos fogachos.
Além disso, foram observadas melhorias em aspectos importantes da qualidade de vida, especialmente relacionados ao sono.
Benefícios observados nos estudos
Entre os principais resultados relatados estão:
- Menos episódios de ondas de calor;
- Redução dos suores noturnos;
- Melhora da qualidade do sono;
- Maior conforto nas atividades diárias;
- Impacto positivo no bem-estar geral.
Esses benefícios contribuíram para a aprovação regulatória em diferentes países antes da chegada ao mercado brasileiro.
O tratamento hormonal continuará sendo utilizado?
Sim.
A terapia de reposição hormonal continua sendo considerada uma das opções mais eficazes para muitas mulheres, especialmente quando não existem contraindicações.
O novo medicamento não substitui completamente os tratamentos já existentes.
Na prática, ele amplia o arsenal terapêutico disponível aos médicos.
A escolha do tratamento mais adequado continuará dependendo de fatores como:
- Idade da paciente;
- Intensidade dos sintomas;
- Histórico de saúde;
- Presença de doenças associadas;
- Preferências individuais.
Por isso, qualquer decisão deve ser tomada em conjunto com o ginecologista ou especialista responsável.
Quando o medicamento estará disponível?
Com a aprovação da Anvisa, o próximo passo envolve a definição de estratégias comerciais e distribuição pela fabricante.
O prazo para chegada efetiva às farmácias brasileiras ainda dependerá de questões regulatórias, logísticas e comerciais.
Também será necessário acompanhar futuras definições sobre preço e disponibilidade no mercado nacional.
O que muda para a saúde da mulher?

A aprovação do fezolinetanto representa um marco importante na saúde feminina.
Durante décadas, o tratamento dos sintomas da menopausa esteve fortemente concentrado em abordagens hormonais. A chegada de uma terapia inovadora, baseada em um mecanismo completamente diferente, amplia as possibilidades de cuidado e personalização dos tratamentos.
Para milhões de brasileiras que convivem diariamente com ondas de calor, noites mal dormidas e desconfortos relacionados à menopausa, a novidade oferece uma nova esperança de controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida.
Mais do que um novo medicamento, a aprovação reforça a crescente atenção da ciência e da indústria farmacêutica às necessidades específicas da saúde da mulher em diferentes fases da vida.
