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Anvisa interdita fábrica clandestina de suplementos

Anvisa interdita fábrica clandestina de suplementos no ES e alerta para riscos à saúde em meio ao aumento de produtos irregulares.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
anvisa suplementos

Uma operação conjunta realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela vigilância sanitária municipal de Itapemirim (ES) resultou, nesta terça-feira (19), na interdição de uma fábrica clandestina de suplementos alimentares. O local operava sem autorização legal e em condições higiênico-sanitárias consideradas precárias, representando um risco direto à saúde da população.

A ação integra o Programa de Fiscalização das Indústrias de Suplementos Alimentares, iniciativa que tem ampliado o monitoramento em todo o país diante do aumento expressivo de produtos irregulares nesse setor.

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Fábrica operava sem registro e em condições insalubres

Imagem: MEON/Reprodução

Durante a vistoria, os fiscais identificaram que a empresa Verde Flora Produtos Naturais mantinha um galpão anexo operando de forma clandestina. No interior, foram encontrados suplementos e medicamentos fitoterápicos sem registro na Anvisa, fabricados em condições de higiene extremamente inadequadas.

Diante da gravidade da situação, a equipe acionou a polícia. Havia suspeitas de crime contra a saúde pública, previsto no Código Penal, o que pode resultar na prisão dos responsáveis. Apesar da presença policial, os proprietários da empresa não foram localizados no momento da fiscalização.

O galpão foi imediatamente interditado e lacrado. Todo o material encontrado será recolhido e inutilizado, conforme determina a legislação sanitária. O relatório da operação será encaminhado ao Ministério Público, que poderá apresentar denúncia contra os envolvidos. Além disso, um processo administrativo sanitário será instaurado.


Histórico de irregularidades em suplementos alimentares

Casos recentes de proibição

O setor de suplementos alimentares tem sido alvo frequente de investigações da Anvisa. Em abril deste ano, a agência proibiu a comercialização de suplementos à base de ora-pro-nóbis, ingrediente que vinha sendo vendido sem comprovação científica de eficácia ou segurança.

Pouco tempo depois, a agência determinou a retirada de produtos de diferentes marcas do mercado, entre eles os da Power Green, que continham substâncias proibidas, e linhas como Lipo Sem Corte, Detox Fit e Intensy, todas fabricadas sem registro e por empresas de origem desconhecida.

Índice elevado de infrações

Segundo dados da Anvisa, os suplementos alimentares lideram o ranking de denúncias por irregularidades. Entre 2020 e 2025, cerca de 63% dos processos de investigação abertos pela agência envolveram esse tipo de produto, revelando a dimensão do problema no país.


Audiência pública e alerta à população

Na última segunda-feira (18), representantes da Anvisa participaram de uma audiência na Câmara dos Deputados, em Brasília, para discutir os riscos da proliferação de suplementos irregulares no mercado nacional.

Na ocasião, a coordenadora de fiscalização da agência, Renata Ferreira, destacou a baixa qualidade de grande parte dos suplementos comercializados e alertou sobre os riscos à saúde dos consumidores.

Ela reforçou que muitos desses produtos chegam ao mercado por meio da internet, dificultando a fiscalização presencial. Segundo Ferreira, a Anvisa vem adotando medidas mais rigorosas e pretende expandir o uso de tecnologias avançadas para monitorar esses itens.


Uso de inteligência artificial no monitoramento

Anvisa
Imagem: Freepik e Canva

Uma das estratégias em andamento é a ampliação do uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) para identificar rapidamente produtos irregulares comercializados em plataformas digitais.

De acordo com a Anvisa, a aplicação dessa tecnologia já permitiu a exclusão de mais de 230 mil anúncios online, sendo aproximadamente 60 mil relacionados a suplementos alimentares. A expectativa é que a utilização da IA torne o processo de fiscalização mais ágil e eficaz, reduzindo a presença de itens clandestinos no mercado.


Riscos do consumo de suplementos clandestinos

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Falta de comprovação científica

O consumo de suplementos sem registro representa sérios riscos à saúde. Em muitos casos, os produtos não possuem qualquer comprovação científica de eficácia ou segurança, podendo conter substâncias nocivas.

Problemas de contaminação

As condições insalubres de fabricação também aumentam a probabilidade de contaminação por fungos, bactérias ou metais pesados, o que pode gerar efeitos adversos graves.

Impactos para o consumidor

Além da ineficácia, esses suplementos podem causar intoxicações, reações alérgicas, problemas hepáticos e até complicações irreversíveis. Por isso, especialistas reforçam que apenas produtos devidamente registrados na Anvisa devem ser consumidos.


Próximos passos e reforço na fiscalização

O relatório da inspeção em Itapemirim será analisado pelo Ministério Público, que poderá apresentar denúncia criminal. Paralelamente, a Anvisa seguirá fortalecendo suas operações de fiscalização em diferentes regiões do país, em parceria com órgãos locais.

O episódio evidencia a necessidade de atenção redobrada dos consumidores quanto à procedência dos suplementos alimentares que chegam ao mercado. A recomendação da agência é clara: antes de consumir qualquer suplemento, o consumidor deve verificar no site da Anvisa se o produto possui registro válido.

Imagem: Sergii Sobolevskyi / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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