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Anvisa bloqueia 7 fábricas de alisantes capilares por riscos graves

Anvisa interdita 7 fábricas de alisantes capilares por riscos graves. Uso de formol e ácido glioxílico expõe consumidores a sérios danos à saúde.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou, nesta semana, sete fábricas de cosméticos em São Paulo por graves irregularidades na produção de alisantes capilares.

As ações, realizadas no contexto da operação Alisamento Seguro, revelaram práticas que colocavam em risco direto a saúde de milhares de consumidores brasileiros.

Entre os principais problemas detectados estavam o uso de matérias-primas vencidas, falsificação de selos de certificação e comercialização indevida de cosméticos com promessas de alisamento sem o devido registro.

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O que motivou a operação Alisamento Seguro?

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Denúncias e fiscalização em parceria com vigilâncias locais

A operação foi desencadeada após uma série de denúncias recebidas entre janeiro de 2023 e abril de 2025. A Anvisa atuou em conjunto com as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, realizando inspeções simultâneas em vários municípios do estado de São Paulo.

Durante as vistorias, foram constatadas falhas graves nos controles de qualidade, ausência de registros sanitários e uso de substâncias químicas proibidas em produtos capilares comercializados amplamente no mercado.

Alisantes vendidos como se fossem simples cosméticos

O maior problema identificado foi a venda de produtos com função de alisamento como se fossem apenas cosméticos comuns, o que permite uma autorização simplificada, sem que os fabricantes cumpram as exigências técnicas e de segurança exigidas para alisantes verdadeiros.

Substâncias proibidas e riscos à saúde

Formol e ácido glioxílico: os principais vilões

Entre os compostos químicos encontrados nas fábricas interditadas estavam o formol e o ácido glioxílico, ambos proibidos ou fortemente restringidos pela Anvisa em alisantes capilares.

Riscos do uso de formol

  • Ardência nos olhos e mucosas
  • Problemas respiratórios
  • Queimaduras no couro cabeludo
  • Riscos de câncer com uso frequente

Perigos do ácido glioxílico

  • Liberação de gases tóxicos quando aquecido
  • Reações alérgicas graves
  • Danos permanentes à estrutura dos fios
  • Comprometimento pulmonar e dermatológico em exposições repetidas

Um dos casos mais alarmantes revelados pela operação envolveu o recebimento de 35 toneladas de ácido glioxílico sem rastreabilidade, uma evidência de negligência severa e risco potencial ampliado para os consumidores.

Fábricas que operavam como fachadas de registro

Durante a investigação, a Anvisa descobriu um modelo de fraude que preocupa ainda mais: empresas que não produzem efetivamente os produtos, mas apenas os registram em nome de terceiros.

Como essas empresas operam?

  • Vendem o número de registro para outros fabricantes
  • Não fazem testes laboratoriais nos produtos notificados
  • Não monitoram a composição real dos cosméticos vendidos
  • Facilitam a entrada de alisantes sem qualquer controle ou eficácia comprovada

Esse tipo de operação bloqueia a rastreabilidade dos produtos e coloca os consumidores em situação de completo desconhecimento sobre o que estão aplicando nos cabelos.

O que diz a legislação atual da Anvisa?

Produtos com finalidade de alisamento exigem registro completo

Segundo as normas da Anvisa, nenhum cosmético pode prometer alisamento capilar sem passar por um processo rigoroso de registro sanitário, que inclui:

  • Estudo toxicológico das substâncias usadas
  • Testes clínicos de eficácia e segurança
  • Avaliação de impacto ambiental
  • Apresentação de documentação técnica e laudos

Para ajudar o consumidor, a agência mantém o painel Estética com Segurança, onde é possível verificar se um alisante está regularizado.

Como saber se um alisante é seguro?

Passos para verificar a segurança de um produto capilar

  1. Consulte o painel da Anvisa: procure o nome do produto e verifique se ele possui registro como alisante.
  2. Leia atentamente o rótulo: desconfie de produtos sem número de registro, com promessas milagrosas ou descrições genéricas.
  3. Evite alisantes vendidos em redes sociais ou sites duvidosos.
  4. Procure orientação profissional qualificada antes de aplicar qualquer produto nos cabelos.
  5. Não use produtos com cheiro muito forte ou que causem irritação imediata.

Sinais de produto irregular

  • Embalagens improvisadas
  • Ausência de número de registro na Anvisa
  • Composição não clara
  • Instruções de uso vagas ou inexistentes
  • Promessas como “100% liso em uma aplicação”

Impacto das substâncias perigosas na saúde pública

Dados preocupantes sobre intoxicações no Brasil

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De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 4.000 casos de intoxicação por cosméticos capilares foram registrados entre 2017 e 2023 no Brasil. A maioria desses casos está relacionada a:

  • Produtos clandestinos
  • Fórmulas adulteradas com formol ou ácido glioxílico
  • Uso sem equipamentos de proteção em salões de beleza

Esses dados reforçam a importância de ações como a operação Alisamento Seguro, que visa proteger a população e coibir o comércio de produtos que colocam vidas em risco.

O que acontece com as empresas interditadas?

Medidas imediatas aplicadas pela Anvisa

As sete fábricas interditadas terão que:

  • Suspender toda a produção e distribuição imediatamente
  • Recolher os produtos já colocados no mercado
  • Responder a processos administrativos sanitários
  • Poderão ser multadas em valores que ultrapassam R$ 1 milhão

Além disso, os responsáveis poderão responder criminalmente caso se confirme o dolo, especialmente em situações que resultaram em danos comprovados à saúde de consumidores.

O que muda para os consumidores?

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Imagem: Freepik e Canva

Maior atenção na escolha de alisantes

A interdição das fábricas serve de alerta direto ao consumidor. A recomendação da Anvisa é clara: desconfie de qualquer produto alisante vendido com facilidade, sem registro, e evite realizar procedimentos com profissionais que não informem a procedência dos cosméticos utilizados.

Além disso, a agência alerta que nenhum produto vendido livremente em farmácias ou redes sociais pode legalmente prometer alisamento sem o devido registro.

Pressão por uma regulamentação mais rigorosa

Com a repercussão da operação, entidades da área de saúde, dermatologia e direito do consumidor pedem a criação de normas ainda mais rigorosas para o setor de cosméticos capilares, incluindo:

  • Maior controle na cadeia de distribuição
  • Rastreamento eletrônico de ingredientes perigosos
  • Campanhas educativas sobre riscos químicos
  • Criação de selo oficial para alisantes regularizados

Conclusão: cuidados com a beleza não devem custar a saúde

A interdição das sete fábricas de alisantes capilares pela Anvisa lança luz sobre um problema silencioso, mas grave: a presença de produtos tóxicos e ilegais sendo aplicados rotineiramente nos cabelos de milhares de brasileiros.

A operação Alisamento Seguro deixa um recado claro: a saúde pública está acima do lucro, e os consumidores precisam estar atentos, informados e protegidos.

Se você utiliza alisantes, consulte os registros da Anvisa, converse com seu cabeleireiro e priorize sempre marcas confiáveis e com certificações válidas. A beleza dos seus fios não pode ser conquistada à custa de riscos irreversíveis à sua saúde.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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