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Anvisa bane lâmpadas fluorescentes usadas em bronzeamento artificial

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quarta-feira (2), uma nova resolução que proíbe o uso de lâmpadas fluorescentes de alta potência utilizadas em equipamentos de bronzeamento artificial para fins estéticos. A medida tem o objetivo de coibir a fabricação, comercialização e manutenção de câmaras de bronzeamento, que estão proibidas no Brasil desde […]

Avatar de Bruna Machado Bruna Machado · · 6 min de leitura
bronzeamento anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta quarta-feira (2), uma nova resolução que proíbe o uso de lâmpadas fluorescentes de alta potência utilizadas em equipamentos de bronzeamento artificial para fins estéticos.

A medida tem o objetivo de coibir a fabricação, comercialização e manutenção de câmaras de bronzeamento, que estão proibidas no Brasil desde 2009, mas que ainda são usadas irregularmente em diversas regiões do país.

A resolução RE nº 1.260/2025, publicada no Diário Oficial da União, surge após a divulgação de novas evidências científicas sobre os riscos à saúde associados à exposição à radiação ultravioleta (UV) artificial, como o aumento significativo nos casos de câncer de pele.

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O que determina a nova resolução da Anvisa?

bronzeamento artificial
Imagem: senivpetro – freepik

Com a nova resolução, fica proibida em todo o território nacional a prática de:

  • Armazenamento
  • Comercialização
  • Distribuição
  • Fabricação
  • Importação
  • Propaganda
  • Uso de lâmpadas fluorescentes de alta potência para bronzeamento artificial

A medida reforça o que já estava estabelecido na RDC nº 56/2009, que baniu o uso de câmaras de bronzeamento artificial para fins estéticos no Brasil, baseando-se em evidências científicas que comprovam o risco elevado de câncer de pele.

Riscos do bronzeamento artificial à saúde

A proibição tem como base diversas publicações científicas e posicionamentos de órgãos de saúde internacionais, como a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC/OMS). Em 2009, a entidade classificou os equipamentos de bronzeamento como “cancerígenos para humanos”, colocando-os na mesma categoria do cigarro, do amianto e do gás mostarda.

Danos provocados pela radiação ultravioleta (UV)

Segundo a Anvisa, os principais efeitos adversos da exposição artificial à radiação UV incluem:

Danos cutâneos

  • Câncer de pele (melanoma e não melanoma)
  • Queimaduras
  • Ferimentos e cicatrizes
  • Envelhecimento precoce da pele
  • Rugas e perda de elasticidade

Lesões oculares

  • Fotoqueratite (inflamação da córnea)
  • Fotoconjuntivite
  • Catarata precoce
  • Pterígio
  • Carcinoma epidérmico da conjuntiva

A Anvisa enfatiza que não existe nível seguro de exposição à radiação UV artificial para fins estéticos, conforme destacado pelo presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Carlos Barcaui.

Evidências científicas e estatísticas alarmantes

bronzeamento
Imagem: Freepik

A decisão da Anvisa é embasada por uma ampla revisão científica, incluindo uma meta-análise de 27 estudos envolvendo 113 mil pessoas. Os resultados mostram que:

  • Usuários ocasionais de câmaras de bronzeamento têm 20% mais risco de desenvolver melanoma;
  • Usuários frequentes têm risco aumentado em até 59%;
  • Pessoas que utilizaram antes dos 35 anos apresentaram 75% mais risco de desenvolver melanoma.

Impacto global

Nos Estados Unidos, Europa e Austrália, estima-se que:

  • 450 mil casos de câncer de pele não melanoma por ano estão ligados ao bronzeamento artificial;
  • Além de 10 mil casos de melanoma, a forma mais agressiva da doença.

Esses números foram reforçados por estudos publicados em revistas de alto impacto, como a Lancet Oncology, que classificaram o bronzeamento artificial como altamente prejudicial à saúde.

Estados e municípios desafiam proibição da Anvisa

Apesar da proibição nacional, algumas Assembleias Legislativas e prefeituras têm aprovado leis locais que permitem o funcionamento de estabelecimentos com câmaras de bronzeamento artificial, o que contraria as normas federais.

João Pessoa (PB)

Em fevereiro de 2025, o prefeito Cícero Lucena (PP) sancionou uma lei que autoriza o funcionamento de estabelecimentos de bronzeamento artificial, desde que tenham alvará sanitário municipal.

Rio de Janeiro

A prefeitura do Rio liberou alvarás apenas para métodos permitidos pela Anvisa, excluindo as câmaras. Mesmo assim, clínicas tentam utilizar brechas para oferecer o serviço.

Posicionamento da Anvisa

A Anvisa rechaça essas leis locais, destacando que resoluções da agência têm força de lei federal e que medidas judiciais serão adotadas para impedir a legalização de práticas que colocam em risco a saúde pública.

Por que a prática persiste apesar da proibição?

Apesar da proibição desde 2009, a manutenção de câmaras e o uso clandestino das lâmpadas continuam ocorrendo. Segundo a Anvisa, isso ocorre por:

  • Fiscalização insuficiente em algumas regiões;
  • Demanda estética por bronzeamento rápido;
  • Falta de conscientização sobre os riscos reais à saúde.

A nova resolução de 2025 visa fechar qualquer brecha legal para o uso ou comercialização desses equipamentos, tornando ilegal inclusive o armazenamento e propaganda das lâmpadas usadas nos dispositivos.

O papel da Sociedade Brasileira de Dermatologia e do Inca

A proibição teve apoio da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que há anos alertam sobre os perigos da exposição artificial à radiação UV.

A SBD afirma que a exposição solar controlada com proteção ainda é preferível ao uso de câmaras de bronzeamento, pois os riscos das lâmpadas artificiais são muito maiores e menos controláveis.

O que dizem os especialistas?

Carlos Barcaui, presidente da SBD

“Não existe nível seguro de exposição à radiação UV artificial para fins estéticos. A nova medida da Anvisa é um passo importante para proteger a saúde da população.”

Ministério da Saúde

O Ministério também reafirmou que a política nacional de saúde prioriza ações preventivas contra o câncer de pele e que o uso de equipamentos que ampliam esse risco não será tolerado.

O que muda com a nova resolução?

anvisa bronzeamento artificial
Imagem: Freepik e Canva

Com a RE nº 1.260/2025, a Anvisa fecha o cerco contra:

  • Fabricantes e distribuidores dessas lâmpadas
  • Salões de beleza e clínicas estéticas que mantêm câmaras
  • Importadores e promotores que tentam burlar a proibição

Agora é proibido:

  • Armazenar lâmpadas de alta potência para bronzeamento
  • Fazer qualquer propaganda ou marketing relacionado
  • Vender ou importar os dispositivos, mesmo sob alegações terapêuticas ou médicas
  • Usar esses equipamentos mesmo em residências ou espaços privados

Considerações finais

A nova resolução da Anvisa representa um reforço importante na política de saúde pública, buscando erradicar o uso de uma tecnologia comprovadamente nociva e cancerígena. A medida se alinha com o que recomenda a Organização Mundial da Saúde e atende a anos de apelos da comunidade científica e médica.

Embora leis municipais e estaduais tentem legalizar o uso de câmaras de bronzeamento artificial, a resolução federal se sobrepõe, e a Anvisa já se prepara para ações legais contra normas locais que contrariem a legislação sanitária nacional.

A recomendação geral é que os brasileiros evitem qualquer forma de exposição artificial à radiação UV e optem por métodos seguros e naturais, sempre com uso de protetor solar e acompanhamento dermatológico.

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