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Anvisa autoriza importação de antídoto contra metanol após surto no Brasil!

Anvisa autorizou a importação emergencial de 2.600 frascos de Fomepizol, antídoto usado em casos de intoxicação por metanol.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
Anvisa

A Anvisa aprovou, neste domingo (5), a importação emergencial de 2.600 frascos do medicamento Fomepizol, utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol. A decisão ocorre em meio a um surto nacional de envenenamento ligado ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.

O pedido partiu do Ministério da Saúde, que será responsável pela aquisição de 2.500 frascos, enquanto outros 100 serão doados pela empresa fabricante. A importação será feita por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com prazos de entrega ainda a serem definidos entre o governo e a farmacêutica.

O que motivou a autorização emergencial

anvisa
Imagem: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Segundo a Anvisa, o Fomepizol não possui registro regular no Brasil, o que torna necessária uma autorização especial para sua entrada no país. A medida foi adotada com caráter de urgência, diante do aumento expressivo de casos de intoxicação, especialmente em São Paulo.

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O metanol, também conhecido como álcool metílico, é utilizado na indústria como solvente e combustível, e não deve ser ingerido. No entanto, tem sido encontrado em bebidas falsificadas, especialmente destiladas vendidas sem controle de origem.

Como age o Fomepizol no organismo

Antídoto essencial nas primeiras horas

O Fomepizol atua bloqueando a ação da enzima álcool desidrogenase, responsável por converter o metanol em compostos tóxicos, como o formaldeído e o ácido fórmico.
De acordo com o médico cardiointensivista Werlley Januzzi, o antídoto é mais eficaz nas primeiras seis horas após a ingestão da substância. Após esse período, o dano metabólico pode ser irreversível, exigindo terapias adicionais, como hemodiálise.

Alternativas terapêuticas no Brasil

Além do Fomepizol, o Brasil também conta com o etanol de uso hospitalar como antídoto alternativo. Em casos de intoxicação, o etanol compete com o metanol pela mesma enzima, impedindo que o corpo produza metabólitos tóxicos.

Para reforçar o abastecimento, a Anvisa autorizou recentemente a fabricação de álcool etílico injetável de grau farmacêutico, ampliando a capacidade de resposta dos hospitais a novos casos.

Entenda os riscos da intoxicação por metanol

Como ocorre a contaminação

A principal causa dos casos recentes está associada ao consumo de bebidas adulteradas, produzidas de forma clandestina e vendidas em garrafas falsificadas. Essas bebidas podem conter altas concentrações de metanol, o que torna sua ingestão extremamente perigosa.

O metanol é rapidamente absorvido pelo organismo e, ao ser metabolizado, gera substâncias que afetam o sistema nervoso central, o fígado e os rins.

Sintomas da intoxicação

Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol costumam aparecer entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão. Entre eles estão:

  • Náusea, vômito e dor abdominal;
  • Tontura e confusão mental;
  • Dificuldade para enxergar;
  • Respiração acelerada;
  • Convulsões e perda de consciência.

O tratamento precoce é determinante para evitar sequelas e mortes.

Casos de intoxicação por metanol no Brasil

Situação atual

De acordo com o Ministério da Saúde, até este domingo (5), o Brasil registrava 209 casos suspeitos de intoxicação por metanol, sendo 16 confirmados.

O estado de São Paulo concentra a maioria das ocorrências, com 192 notificações — 14 confirmadas e 178 em investigação. Outras notificações foram registradas em 13 estados, incluindo Distrito Federal, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Ceará.

Óbitos confirmados e investigados

Até o momento, o país contabiliza 15 mortes associadas à intoxicação por metanol. Dessas, duas foram confirmadas em São Paulo, enquanto outras 13 ainda estão sob investigação.

O Ministério da Saúde mantém equipes de vigilância em alerta e reforça a necessidade de que qualquer caso suspeito seja imediatamente notificado às autoridades sanitárias locais.

Ações do governo e orientações à população

Reforço na fiscalização

O governo federal, em parceria com órgãos estaduais e municipais, intensificou a fiscalização de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas. Centenas de garrafas suspeitas já foram apreendidas em diversos pontos do país, especialmente em áreas litorâneas e turísticas.

O objetivo é retirar de circulação produtos falsificados que possam representar risco à saúde pública. As apreensões vêm sendo conduzidas com apoio da Polícia Civil, Procon e Vigilâncias Sanitárias locais.

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Entenda: por que o metanol é tão perigoso

Diferença entre metanol e etanol

O etanol é o álcool consumido em bebidas, enquanto o metanol é um produto químico industrial. Embora visualmente semelhantes, os efeitos no organismo são completamente distintos.

O metanol não é metabolizado de forma segura pelo corpo humano. Ao ser ingerido, ele se transforma em ácido fórmico, substância altamente tóxica que causa danos ao nervo óptico e pode levar à cegueira ou à morte em poucas horas.

Perspectivas e próximos passos

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Imagem: Canva

A chegada do Fomepizol representa um reforço temporário no sistema de saúde, mas especialistas defendem que o Brasil precisa avançar na regulação e controle da produção de bebidas artesanais e industriais.

A longo prazo, o Ministério da Saúde estuda a possibilidade de iniciar o processo de registro do Fomepizol no país, o que permitiria sua fabricação ou importação regular.

FAQ – Perguntas frequentes

1. O que é o Fomepizol?
É um medicamento usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol e etilenoglicol.

2. O Fomepizol já é vendido no Brasil?
Não. O medicamento ainda não tem registro no país, sendo importado de forma emergencial.

3. Como ocorre a intoxicação por metanol?
Geralmente, após o consumo de bebidas adulteradas que contêm metanol em vez de etanol.

4. Quais os principais sintomas da intoxicação?
Visão turva, dor abdominal, náuseas, confusão mental e, em casos graves, coma e morte.

5. Como evitar o risco de contaminação?
Evite bebidas de procedência duvidosa e verifique sempre se o produto possui selo fiscal.

Considerações finais

A decisão da Anvisa de liberar a importação emergencial do Fomepizol é uma resposta direta ao crescimento preocupante dos casos de intoxicação por metanol no país. A medida busca salvar vidas e reforçar o sistema de saúde, ao mesmo tempo em que evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à fiscalização e à conscientização sobre o consumo seguro de bebidas alcoólicas no Brasil.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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