A Anvisa aprovou, neste domingo (5), a importação emergencial de 2.600 frascos do medicamento Fomepizol, utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol. A decisão ocorre em meio a um surto nacional de envenenamento ligado ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.
Anvisa autoriza importação de antídoto contra metanol após surto no Brasil!
Anvisa autorizou a importação emergencial de 2.600 frascos de Fomepizol, antídoto usado em casos de intoxicação por metanol.
O pedido partiu do Ministério da Saúde, que será responsável pela aquisição de 2.500 frascos, enquanto outros 100 serão doados pela empresa fabricante. A importação será feita por meio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), com prazos de entrega ainda a serem definidos entre o governo e a farmacêutica.
O que motivou a autorização emergencial

Segundo a Anvisa, o Fomepizol não possui registro regular no Brasil, o que torna necessária uma autorização especial para sua entrada no país. A medida foi adotada com caráter de urgência, diante do aumento expressivo de casos de intoxicação, especialmente em São Paulo.
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O metanol, também conhecido como álcool metílico, é utilizado na indústria como solvente e combustível, e não deve ser ingerido. No entanto, tem sido encontrado em bebidas falsificadas, especialmente destiladas vendidas sem controle de origem.
Como age o Fomepizol no organismo
Antídoto essencial nas primeiras horas
O Fomepizol atua bloqueando a ação da enzima álcool desidrogenase, responsável por converter o metanol em compostos tóxicos, como o formaldeído e o ácido fórmico.
De acordo com o médico cardiointensivista Werlley Januzzi, o antídoto é mais eficaz nas primeiras seis horas após a ingestão da substância. Após esse período, o dano metabólico pode ser irreversível, exigindo terapias adicionais, como hemodiálise.
Alternativas terapêuticas no Brasil
Além do Fomepizol, o Brasil também conta com o etanol de uso hospitalar como antídoto alternativo. Em casos de intoxicação, o etanol compete com o metanol pela mesma enzima, impedindo que o corpo produza metabólitos tóxicos.
Para reforçar o abastecimento, a Anvisa autorizou recentemente a fabricação de álcool etílico injetável de grau farmacêutico, ampliando a capacidade de resposta dos hospitais a novos casos.
Entenda os riscos da intoxicação por metanol
Como ocorre a contaminação
A principal causa dos casos recentes está associada ao consumo de bebidas adulteradas, produzidas de forma clandestina e vendidas em garrafas falsificadas. Essas bebidas podem conter altas concentrações de metanol, o que torna sua ingestão extremamente perigosa.
O metanol é rapidamente absorvido pelo organismo e, ao ser metabolizado, gera substâncias que afetam o sistema nervoso central, o fígado e os rins.
Sintomas da intoxicação
Os sintomas iniciais da intoxicação por metanol costumam aparecer entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão. Entre eles estão:
- Náusea, vômito e dor abdominal;
- Tontura e confusão mental;
- Dificuldade para enxergar;
- Respiração acelerada;
- Convulsões e perda de consciência.
O tratamento precoce é determinante para evitar sequelas e mortes.
Casos de intoxicação por metanol no Brasil
Situação atual
De acordo com o Ministério da Saúde, até este domingo (5), o Brasil registrava 209 casos suspeitos de intoxicação por metanol, sendo 16 confirmados.
O estado de São Paulo concentra a maioria das ocorrências, com 192 notificações — 14 confirmadas e 178 em investigação. Outras notificações foram registradas em 13 estados, incluindo Distrito Federal, Goiás, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Ceará.
Óbitos confirmados e investigados
Até o momento, o país contabiliza 15 mortes associadas à intoxicação por metanol. Dessas, duas foram confirmadas em São Paulo, enquanto outras 13 ainda estão sob investigação.
O Ministério da Saúde mantém equipes de vigilância em alerta e reforça a necessidade de que qualquer caso suspeito seja imediatamente notificado às autoridades sanitárias locais.
Ações do governo e orientações à população
Reforço na fiscalização
O governo federal, em parceria com órgãos estaduais e municipais, intensificou a fiscalização de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas. Centenas de garrafas suspeitas já foram apreendidas em diversos pontos do país, especialmente em áreas litorâneas e turísticas.
O objetivo é retirar de circulação produtos falsificados que possam representar risco à saúde pública. As apreensões vêm sendo conduzidas com apoio da Polícia Civil, Procon e Vigilâncias Sanitárias locais.
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Entenda: por que o metanol é tão perigoso
Diferença entre metanol e etanol
O etanol é o álcool consumido em bebidas, enquanto o metanol é um produto químico industrial. Embora visualmente semelhantes, os efeitos no organismo são completamente distintos.
O metanol não é metabolizado de forma segura pelo corpo humano. Ao ser ingerido, ele se transforma em ácido fórmico, substância altamente tóxica que causa danos ao nervo óptico e pode levar à cegueira ou à morte em poucas horas.
Perspectivas e próximos passos

A chegada do Fomepizol representa um reforço temporário no sistema de saúde, mas especialistas defendem que o Brasil precisa avançar na regulação e controle da produção de bebidas artesanais e industriais.
A longo prazo, o Ministério da Saúde estuda a possibilidade de iniciar o processo de registro do Fomepizol no país, o que permitiria sua fabricação ou importação regular.
FAQ – Perguntas frequentes
1. O que é o Fomepizol?
É um medicamento usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol e etilenoglicol.
2. O Fomepizol já é vendido no Brasil?
Não. O medicamento ainda não tem registro no país, sendo importado de forma emergencial.
3. Como ocorre a intoxicação por metanol?
Geralmente, após o consumo de bebidas adulteradas que contêm metanol em vez de etanol.
4. Quais os principais sintomas da intoxicação?
Visão turva, dor abdominal, náuseas, confusão mental e, em casos graves, coma e morte.
5. Como evitar o risco de contaminação?
Evite bebidas de procedência duvidosa e verifique sempre se o produto possui selo fiscal.
Considerações finais
A decisão da Anvisa de liberar a importação emergencial do Fomepizol é uma resposta direta ao crescimento preocupante dos casos de intoxicação por metanol no país. A medida busca salvar vidas e reforçar o sistema de saúde, ao mesmo tempo em que evidencia a urgência de políticas públicas voltadas à fiscalização e à conscientização sobre o consumo seguro de bebidas alcoólicas no Brasil.
