A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a proibição de todos os lotes do azeite extravirgem da marca Vale dos Vinhedos e a suspensão de um lote específico do molho de alho da marca Qualitá, marca própria dos supermercados Pão de Açúcar e Extra.
Anvisa proíbe marca de azeite e suspende lote de molho de alho
Anvisa proíbe azeite Vale dos Vinhedos e suspende lote de molho de alho Qualitá por irregularidades. Saiba detalhes e orientações.
A decisão foi publicada oficialmente e se baseia em irregularidades graves que colocam em risco a saúde do consumidor e ferem a legislação vigente sobre rotulagem e composição de alimentos.
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Azeite extravirgem com problemas de origem e rotulagem

Importadora com CNPJ suspenso
De acordo com a Anvisa, a empresa responsável pela importação do azeite Vale dos Vinhedos, a Intralogística Distribuidora Concept LTDA, está com o CNPJ suspenso na Receita Federal por “inconsistência cadastral”. Isso impossibilita a operação legal da empresa no Brasil e levanta sérias dúvidas quanto à rastreabilidade e regularidade do produto que circulava nas prateleiras do país.
Irregularidades na composição
Além do problema cadastral, análises laboratoriais realizadas pela própria Anvisa revelaram que os padrões de rotulagem e composição do azeite estão em desacordo com as normas previstas em lei. O conteúdo do produto não condiz com a classificação de “extravirgem” e, portanto, sua comercialização se configura como infração sanitária. A agência optou por proibir todos os lotes da marca, como medida de precaução.
A Folha de S.Paulo, que divulgou a informação, não conseguiu localizar representantes da Intralogística para prestar esclarecimentos.
Lote de molho de alho contém aditivo proibido
Substância química não permitida
No caso do molho de alho da marca Qualitá, a irregularidade foi pontual, mas grave. O lote de número 29, com validade até janeiro de 2026, apresentou em testes laboratoriais 20,4 mg/kg de dióxido de enxofre — um aditivo químico proibido nesse tipo de alimento. A presença da substância viola a Instrução Normativa nº 211, de 1º de março de 2023, que regula os limites de uso de aditivos alimentares no Brasil.
O dióxido de enxofre é um conservante amplamente usado em vinhos e frutas secas, mas sua aplicação em molhos de alho não é permitida devido ao potencial de causar reações adversas, especialmente em pessoas com sensibilidade respiratória ou alérgicas.
Fabricante ainda não respondeu
O produto foi fabricado pela empresa Sakura Nakaya Alimentos Ltda., uma das mais tradicionais do setor alimentício no Brasil, mas que até o momento não se manifestou publicamente sobre o caso. A ausência de uma resposta oficial por parte da Sakura levanta preocupações sobre os processos de controle de qualidade da empresa, sobretudo na produção para marcas de terceiros.
Reações do mercado e medidas corretivas

GPA recolhe produto e notifica fabricante
O Grupo Pão de Açúcar, responsável pela marca Qualitá, afirmou que assim que foi informado do resultado da análise, solicitou o recolhimento imediato do lote em questão. Em nota oficial, o GPA informou que também acionou a Sakura para obter esclarecimentos e apurar responsabilidades.
“Vale ressaltar que a marca cumpre integralmente a legislação que rege a produção e oferta de alimentos e possui um processo rigoroso de controle e garantia de qualidade de seus produtos, além de um robusto programa de qualificação de fornecedores”, disse o grupo.
Consumidores podem trocar ou ser reembolsados
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A rede informa que os consumidores que adquiriram o produto do lote contaminado poderão efetuar a troca ou solicitar o reembolso do valor pago. Para isso, devem comparecer diretamente à loja onde a compra foi realizada ou entrar em contato com o serviço Casa do Cliente, por meio do número 0800 779 6761.
Impacto para o consumidor e cuidados necessários
Riscos à saúde
A presença de substâncias não permitidas ou a má rotulagem de produtos alimentícios pode ter consequências sérias para a saúde da população. No caso do dióxido de enxofre, reações alérgicas, asma e dores de cabeça são sintomas relatados comumente por indivíduos sensíveis. Já no caso do azeite falsamente rotulado como extravirgem, além do prejuízo econômico ao consumidor, há também riscos relacionados ao consumo de óleos de qualidade inferior.
Como identificar produtos regulares
A Anvisa recomenda que os consumidores fiquem atentos à procedência dos produtos, verifiquem o rótulo, origem do fabricante, data de validade e o número do lote. Em caso de dúvida, é possível consultar o Sistema de Alerta Rápido de Alimentos da própria Anvisa ou buscar orientações com o Procon local.
Medidas da Anvisa mostram rigor, mas fiscalização ainda é desafio
A atuação da Anvisa em casos como este demonstra o papel central da agência na proteção da saúde pública. No entanto, especialistas alertam que a fiscalização ainda é falha em diversas regiões do país, especialmente em pontos de venda menores, como mercearias e feiras livres, onde produtos irregulares costumam circular com maior facilidade.
Além disso, a ausência de informações sobre a empresa importadora e a demora na resposta do fabricante envolvido indicam a necessidade de maior transparência e agilidade na comunicação entre empresas, consumidores e órgãos reguladores.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

