A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em 23 de maio de 2025, o recolhimento imediato de três marcas que comercializavam “pó para o preparo de bebida sabor café” — produto conhecido popularmente como café fake. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e atinge empresas que estavam vendendo compostos adulterados, com aparência e sabor de café, mas sem conter o grão em sua forma original.
Você pode estar tomando café falso: veja os ingredientes usados e como reconhecer
Anvisa proíbe três marcas de “café fake” por riscos à saúde. Entenda os perigos, a composição irregular e como identificar o produto adulterado.
Esses produtos, além de enganosos, apresentavam riscos à saúde dos consumidores devido à presença de ingredientes não autorizados e à ausência de controle sanitário adequado.
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Quais marcas foram proibidas?

A medida preventiva da Anvisa afetou os seguintes produtos:
- Ervas Mais – Pó para preparo de bebida sabor café
- Natural Ervas – Pó para preparo de bebida sabor café
- Panizza – Pó para preparo de bebida sabor café
Os lotes recolhidos variavam conforme a empresa, mas a irregularidade foi comum: ausência do ingrediente essencial — o café — e uso de aditivos desconhecidos.
O que motivou a proibição?
Ingredientes fora do padrão
As análises laboratoriais indicaram que as marcas envolvidas estavam usando ingredientes como fécula de mandioca, corantes artificiais e aromas sintéticos para simular o cheiro, a cor e o sabor do café. Em alguns casos, traços de produtos potencialmente alergênicos foram identificados, sem qualquer aviso no rótulo.
Ausência de registro
Além da adulteração, os produtos não possuíam registro sanitário junto à Anvisa — uma exigência básica para alimentos processados de origem vegetal. Sem esse registro, não há garantias de qualidade, origem e segurança do produto.
Risco à saúde pública
A ingestão frequente desses compostos pode causar:
- Reações alérgicas
- Intoxicação leve a moderada
- Problemas gastrointestinais
- Sensação enganosa de bem-estar, por conter estimulantes não declarados
Como o “café fake” é fabricado?
O “café fake” é geralmente fabricado a partir de subprodutos alimentares baratos, como:
- Amido ou fécula de mandioca
- Açúcar queimado
- Corantes caramelo
- Aromas artificiais
Esses ingredientes são misturados em proporções variadas para enganar visualmente e olfativamente o consumidor, simulando o verdadeiro pó de café.
Como identificar um “café fake”?
Verifique o rótulo
O primeiro passo para não cair em fraudes é sempre ler atentamente o rótulo. Desconfie se ele tiver os seguintes indícios:
- Termos como “bebida sabor café” ou “produto à base de café”
- Ausência de registro no Ministério da Saúde
- Falta de endereço do fabricante
Observe a coloração e o cheiro
O café tradicional tem um cheiro forte, amargo e característico. Já os produtos falsificados tendem a apresentar aroma artificial, mais doce ou adocicado.
Faça o teste da água
Ao colocar uma colher do produto em um copo de água fria, o café verdadeiro tende a se dissolver lentamente. Já o “café fake” se desmancha rapidamente, formando uma espécie de pasta ou suspensão gelatinosa, devido ao alto teor de amido.
O que diz a Anvisa sobre o caso?

Em nota oficial, a Anvisa declarou que “a comercialização de produtos que simulam alimentos tradicionais sem obedecer às normas de registro e segurança coloca em risco a saúde da população e configura fraude contra o consumidor”.
A agência reforça que os alimentos devem conter ingredientes compatíveis com suas alegações no rótulo, especialmente quando se trata de bebidas amplamente consumidas, como o café.
Impacto para os consumidores
A notícia do recolhimento dos produtos gerou repercussão nas redes sociais e entre consumidores que adquiriram os produtos nos últimos meses. Muitas pessoas relataram confusão por acreditarem estar consumindo café tradicional e agora temem os efeitos colaterais.
A recomendação da Anvisa é que os consumidores que tenham adquirido esses produtos interrompam imediatamente o consumo e, se necessário, procurem orientação médica caso apresentem sintomas.
Como denunciar produtos adulterados?
Consumidores que identificarem produtos suspeitos podem registrar denúncias por meio dos canais oficiais da Anvisa:
- Disque Saúde 136
- Site oficial da Anvisa
- Procons estaduais
É importante fornecer fotos do rótulo, número de lote e local da compra.
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O café no Brasil: símbolo cultural e preocupação sanitária
Consumo elevado e confiança no produto
O café é uma das bebidas mais populares no Brasil, consumido diariamente por cerca de 9 em cada 10 brasileiros, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Por isso, casos como o do “café fake” preocupam autoridades, pois envolvem fraude contra um produto amplamente confiável e culturalmente enraizado.
Marcas pequenas e mercados paralelos
Boa parte desses produtos fraudulentos é vendida em lojas de produtos naturais, feiras livres e até marketplaces digitais. São marcas menos conhecidas, que se aproveitam da falta de fiscalização contínua para colocar no mercado itens não regulamentados.
O que acontece com empresas flagradas?
Empresas flagradas comercializando produtos proibidos pela Anvisa estão sujeitas a:
- Multas de até R$ 1,5 milhão
- Interdição de fábricas
- Cancelamento de CNPJ
- Processo criminal por crime contra a saúde pública
Além disso, a reputação da marca sofre danos praticamente irreversíveis, principalmente se o produto estiver associado a efeitos colaterais sérios.
Existe café com aditivos liberados?
Sim. Algumas marcas adicionam ingredientes como canela, gengibre ou cardamomo ao pó de café — mas isso deve estar declarado no rótulo. Esses aditivos são permitidos quando não adulteram o conteúdo principal (o café) e seguem normas de segurança alimentar.
O papel do consumidor na fiscalização

O consumidor tem um papel essencial na fiscalização indireta. Denunciar, guardar embalagens suspeitas, exigir notas fiscais e informar-se sobre o que consome são atitudes fundamentais para coibir fraudes alimentares.
O que esperar daqui para frente?
Com o aumento da vigilância e denúncias, a tendência é que a Anvisa intensifique o monitoramento não só de produtos similares ao café, mas também de outras bebidas e alimentos comuns, como chás, achocolatados e sucos industrializados.
A Anvisa já anunciou que novos lotes suspeitos estão sendo investigados e que pode haver novas suspensões em breve.
Conclusão
A proibição das marcas Ervas Mais, Natural Ervas e Panizza serve como alerta para consumidores e comerciantes: produtos que simulam alimentos tradicionais, mas são fabricados fora dos padrões sanitários, representam risco grave à saúde pública.
É essencial que o consumidor mantenha o olhar atento, informe-se e exija transparência das marcas. Afinal, em uma simples xícara de café pode estar escondido um sério problema de saúde.
