A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou novas determinações que impactam diretamente o mercado de produtos naturais e suplementos alimentares no Brasil. A decisão envolve a proibição e o recolhimento de chás e substâncias que, segundo o órgão, apresentavam sérios riscos à saúde dos consumidores.
Anvisa proíbe chás populares após identificar riscos; veja quais estão vetados
A Anvisa proibiu chás e suplementos populares após detectar falsificações e substâncias sem comprovação científica.
As medidas foram adotadas após investigações constatarem irregularidades graves, incluindo falsificação de produtos e uso de ingredientes sem qualquer comprovação científica de segurança. A decisão causou repercussão entre consumidores e fabricantes, especialmente por atingir produtos amplamente divulgados como “naturais” e “benéficos ao organismo”.
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Entenda o caso: falsificação e riscos à saúde

As ações da Anvisa começaram após denúncias sobre irregularidades em lotes de chás prontos para consumo. O primeiro caso confirmado foi o do Chá Pronto para Consumo Multi Extrato, em seu lote 2306, que exibia no rótulo o registro ES000233-0.000043 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
No entanto, segundo a própria agência, esse número havia sido cancelado, e o produto não foi fabricado pela verdadeira empresa detentora da marca, a A&CL Indústria e Comércio de Produtos Naturais. Ou seja, tratava-se de um lote falsificado, produzido sem controle de qualidade, sem procedência conhecida e fora das normas sanitárias vigentes.
A Anvisa determinou a proibição imediata de fabricação, distribuição, venda e divulgação do produto, além da apreensão dos lotes já disponíveis no mercado.
A falsificação e os riscos envolvidos
De acordo com nota oficial da Anvisa, a falsificação representa uma ameaça direta à saúde pública. Produtos sem registro podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou ingredientes não declarados no rótulo, além de não passarem por testes de segurança e eficácia.
A empresa original, A&CL, confirmou que não produziu o lote 2306, reforçando que ele foi criado de maneira clandestina. O órgão alertou que a falsificação de produtos naturais tem crescido no país, especialmente entre chás e suplementos vendidos pela internet, muitas vezes com promessas milagrosas de emagrecimento, desintoxicação e rejuvenescimento.
Suplementos também foram alvo da Anvisa
Além dos chás, a Anvisa determinou a interdição e o recolhimento de todos os lotes dos suplementos Zeólita Clinoptilolita Standard e Zeólita Clinoptilolita Premium, fabricados pela empresa Zeoclin Ltda.
A decisão se deu porque o produto contém uma substância sem comprovação científica de segurança ou eficácia para consumo humano. A zeólita clinoptilolita é um mineral de origem vulcânica, usado principalmente em processos industriais e agrícolas, mas que passou a ser divulgado por algumas empresas como um suposto “detox natural”, com promessas de eliminar metais pesados e purificar o organismo.
Segundo a Anvisa, tais alegações não têm respaldo científico e o uso do composto pode trazer efeitos adversos à saúde, especialmente se consumido de forma contínua.
Irregularidades identificadas pela Anvisa
Durante as análises, a agência constatou diversas falhas e violações nas práticas das empresas responsáveis pelos produtos vetados. Entre as principais irregularidades apontadas estão:
- Uso de substâncias não aprovadas para consumo humano;
- Alegações terapêuticas proibidas em alimentos e suplementos, como “purificação do corpo” e “eliminação de toxinas”;
- Falta de comprovação científica sobre a segurança e a eficácia dos ingredientes;
- Ausência de controle sanitário e de informações sobre a origem das matérias-primas;
- Rótulos enganosos com registros cancelados ou inexistentes.
Essas falhas configuram infração sanitária grave, sujeita a penalidades previstas pela Lei nº 6.437/1977, que inclui multa, interdição de estabelecimento e apreensão dos produtos.
Orientações ao consumidor

A Anvisa recomenda que os consumidores verifiquem sempre se o produto possui registro válido no site oficial da agência antes de comprar qualquer suplemento, chá ou medicamento natural. Também é importante observar se há indicação do fabricante, número do lote e selo de autenticidade na embalagem.
Caso haja dúvida sobre a procedência, o ideal é evitar o consumo e comunicar o fato à vigilância sanitária local. Produtos falsificados podem conter contaminações microbiológicas, metais pesados, pesticidas e outras substâncias tóxicas.
A agência também reforça que nenhum chá ou suplemento tem autorização para alegar propriedades curativas, detox ou de emagrecimento rápido, uma vez que essas promessas não são reconhecidas cientificamente e podem induzir o consumidor ao erro.
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Como identificar produtos irregulares
Para ajudar os consumidores, especialistas em vigilância sanitária orientam que algumas práticas simples podem evitar riscos:
- Desconfie de promessas milagrosas — produtos que garantem “cura natural” ou “eliminação total de toxinas” geralmente são irregulares.
- Verifique o registro no site da Anvisa — cada produto regularizado tem um número de registro que pode ser consultado publicamente.
- Evite compras em redes sociais — muitas falsificações são vendidas em marketplaces e perfis sem endereço físico ou CNPJ.
- Prefira farmácias e lojas de produtos naturais credenciadas — locais com alvará sanitário e nota fiscal aumentam a segurança da compra.
Impacto no mercado e próximos passos
O setor de produtos naturais e suplementos alimentares movimenta bilhões de reais por ano no Brasil. No entanto, a falta de fiscalização e a facilidade de venda online têm favorecido o crescimento de um mercado paralelo que coloca em risco a saúde dos consumidores.
A Anvisa informou que continuará intensificando as ações de inspeção e monitoramento, especialmente em produtos que prometem efeitos terapêuticos sem comprovação científica. A agência também pretende ampliar a cooperação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e com a Polícia Federal para rastrear a origem dos lotes falsificados.
Responsabilidade compartilhada
Para especialistas em saúde pública, o episódio reforça a importância de educação sanitária e consumo consciente. A responsabilidade de garantir a segurança vai além da fiscalização — envolve fabricantes, comerciantes e consumidores.
A Anvisa reforça que continuará publicando alertas e notas técnicas sobre produtos irregulares em seu portal oficial e recomenda que o público se mantenha informado.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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