Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Anvisa proíbe chás populares após identificar riscos; veja quais estão vetados

A Anvisa proibiu chás e suplementos populares após detectar falsificações e substâncias sem comprovação científica.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Anvisa chás

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou novas determinações que impactam diretamente o mercado de produtos naturais e suplementos alimentares no Brasil. A decisão envolve a proibição e o recolhimento de chás e substâncias que, segundo o órgão, apresentavam sérios riscos à saúde dos consumidores.

As medidas foram adotadas após investigações constatarem irregularidades graves, incluindo falsificação de produtos e uso de ingredientes sem qualquer comprovação científica de segurança. A decisão causou repercussão entre consumidores e fabricantes, especialmente por atingir produtos amplamente divulgados como “naturais” e “benéficos ao organismo”.

Leia Mais:

De volta ao bolso: FGTS devolve R$ 1,4 bilhões, veja se você recebe


Entenda o caso: falsificação e riscos à saúde

Anvisa
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

As ações da Anvisa começaram após denúncias sobre irregularidades em lotes de chás prontos para consumo. O primeiro caso confirmado foi o do Chá Pronto para Consumo Multi Extrato, em seu lote 2306, que exibia no rótulo o registro ES000233-0.000043 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

No entanto, segundo a própria agência, esse número havia sido cancelado, e o produto não foi fabricado pela verdadeira empresa detentora da marca, a A&CL Indústria e Comércio de Produtos Naturais. Ou seja, tratava-se de um lote falsificado, produzido sem controle de qualidade, sem procedência conhecida e fora das normas sanitárias vigentes.

A Anvisa determinou a proibição imediata de fabricação, distribuição, venda e divulgação do produto, além da apreensão dos lotes já disponíveis no mercado.


A falsificação e os riscos envolvidos

De acordo com nota oficial da Anvisa, a falsificação representa uma ameaça direta à saúde pública. Produtos sem registro podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou ingredientes não declarados no rótulo, além de não passarem por testes de segurança e eficácia.

A empresa original, A&CL, confirmou que não produziu o lote 2306, reforçando que ele foi criado de maneira clandestina. O órgão alertou que a falsificação de produtos naturais tem crescido no país, especialmente entre chás e suplementos vendidos pela internet, muitas vezes com promessas milagrosas de emagrecimento, desintoxicação e rejuvenescimento.


Suplementos também foram alvo da Anvisa

Além dos chás, a Anvisa determinou a interdição e o recolhimento de todos os lotes dos suplementos Zeólita Clinoptilolita Standard e Zeólita Clinoptilolita Premium, fabricados pela empresa Zeoclin Ltda.

A decisão se deu porque o produto contém uma substância sem comprovação científica de segurança ou eficácia para consumo humano. A zeólita clinoptilolita é um mineral de origem vulcânica, usado principalmente em processos industriais e agrícolas, mas que passou a ser divulgado por algumas empresas como um suposto “detox natural”, com promessas de eliminar metais pesados e purificar o organismo.

Segundo a Anvisa, tais alegações não têm respaldo científico e o uso do composto pode trazer efeitos adversos à saúde, especialmente se consumido de forma contínua.


Irregularidades identificadas pela Anvisa

Durante as análises, a agência constatou diversas falhas e violações nas práticas das empresas responsáveis pelos produtos vetados. Entre as principais irregularidades apontadas estão:

  • Uso de substâncias não aprovadas para consumo humano;
  • Alegações terapêuticas proibidas em alimentos e suplementos, como “purificação do corpo” e “eliminação de toxinas”;
  • Falta de comprovação científica sobre a segurança e a eficácia dos ingredientes;
  • Ausência de controle sanitário e de informações sobre a origem das matérias-primas;
  • Rótulos enganosos com registros cancelados ou inexistentes.

Essas falhas configuram infração sanitária grave, sujeita a penalidades previstas pela Lei nº 6.437/1977, que inclui multa, interdição de estabelecimento e apreensão dos produtos.


Orientações ao consumidor

Naturgy
Imagem: 8photo / Freepik

A Anvisa recomenda que os consumidores verifiquem sempre se o produto possui registro válido no site oficial da agência antes de comprar qualquer suplemento, chá ou medicamento natural. Também é importante observar se há indicação do fabricante, número do lote e selo de autenticidade na embalagem.

Caso haja dúvida sobre a procedência, o ideal é evitar o consumo e comunicar o fato à vigilância sanitária local. Produtos falsificados podem conter contaminações microbiológicas, metais pesados, pesticidas e outras substâncias tóxicas.

A agência também reforça que nenhum chá ou suplemento tem autorização para alegar propriedades curativas, detox ou de emagrecimento rápido, uma vez que essas promessas não são reconhecidas cientificamente e podem induzir o consumidor ao erro.


Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Como identificar produtos irregulares

Para ajudar os consumidores, especialistas em vigilância sanitária orientam que algumas práticas simples podem evitar riscos:

  1. Desconfie de promessas milagrosas — produtos que garantem “cura natural” ou “eliminação total de toxinas” geralmente são irregulares.
  2. Verifique o registro no site da Anvisa — cada produto regularizado tem um número de registro que pode ser consultado publicamente.
  3. Evite compras em redes sociais — muitas falsificações são vendidas em marketplaces e perfis sem endereço físico ou CNPJ.
  4. Prefira farmácias e lojas de produtos naturais credenciadas — locais com alvará sanitário e nota fiscal aumentam a segurança da compra.

Impacto no mercado e próximos passos

O setor de produtos naturais e suplementos alimentares movimenta bilhões de reais por ano no Brasil. No entanto, a falta de fiscalização e a facilidade de venda online têm favorecido o crescimento de um mercado paralelo que coloca em risco a saúde dos consumidores.

A Anvisa informou que continuará intensificando as ações de inspeção e monitoramento, especialmente em produtos que prometem efeitos terapêuticos sem comprovação científica. A agência também pretende ampliar a cooperação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e com a Polícia Federal para rastrear a origem dos lotes falsificados.


Responsabilidade compartilhada

Para especialistas em saúde pública, o episódio reforça a importância de educação sanitária e consumo consciente. A responsabilidade de garantir a segurança vai além da fiscalização — envolve fabricantes, comerciantes e consumidores.

A Anvisa reforça que continuará publicando alertas e notas técnicas sobre produtos irregulares em seu portal oficial e recomenda que o público se mantenha informado.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

Topicos relacionados