A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento imediato de todos os produtos fabricados pela Verdeflora Produtos Naturais Ltda, conhecida no mercado como Natuforme Produtos Naturais. A decisão, publicada nesta quarta-feira (3), proíbe a empresa de produzir, comercializar, distribuir, divulgar ou manter em uso alimentos e suplementos alimentares.
Anvisa bane outro suplemento alimentar, dessa vez por falta de higiene
Anvisa proíbe produção e venda da Natuforme após inspeção apontar falhas graves de higiene e segurança em suplementos.
O motivo, segundo a Anvisa, foi a constatação de graves irregularidades sanitárias durante inspeção realizada entre os dias 18 e 19 de agosto, em conjunto com a vigilância sanitária municipal. O relatório da fiscalização apontou falhas estruturais, ausência de controle de qualidade e descumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF).
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Principais falhas encontradas na fábrica

Durante a vistoria, a equipe técnica da Anvisa relatou nove irregularidades críticas que comprometem a segurança dos produtos.
Higienização e conservação
Os fiscais encontraram condições inadequadas de limpeza e conservação, incluindo acúmulo de resíduos e uso de produtos de limpeza não autorizados para a indústria de alimentos.
Controle de pragas e armazenamento
Foram registradas falhas no controle de pragas e vetores, além de problemas na armazenagem de insumos e produtos acabados, que não seguiam padrões de segurança alimentar.
Falta de rastreabilidade
Outro ponto grave foi a ausência de rastreabilidade das matérias-primas, o que impossibilita verificar a origem dos insumos utilizados nos suplementos.
Estrutura física deficiente
A inspeção constatou também a inexistência de equipamentos básicos para produção, além da ausência de estudos de estabilidade e de um setor de controle de qualidade estruturado.
Ausência de programas de segurança
A fábrica não possuía Programa de Controle de Alergênicos (PCAL), medida essencial para prevenir contaminações cruzadas que podem causar sérias reações em consumidores sensíveis.
Rótulos sem informação de risco
Outro ponto crítico foi a ausência de advertências obrigatórias nos rótulos sobre a possibilidade de contaminação por alergênicos. Esse tipo de omissão representa risco direto à saúde de consumidores com alergias alimentares, já que impede a identificação clara dos perigos.
Segundo a Anvisa, essa falha é considerada gravíssima, pois compromete a transparência e viola a legislação de rotulagem vigente no Brasil.
Empresa sem licença de funcionamento
Além das falhas sanitárias, a Natuforme operava sem licença local de funcionamento, o que já configura irregularidade administrativa. A agência afirmou que a unidade não oferecia condições mínimas de armazenamento e produção de alimentos.
Essa combinação de falhas levou a Anvisa a adotar uma medida dura: interdição total das atividades da empresa e recolhimento de todos os produtos em circulação no mercado.
Impacto para consumidores e lojistas
A determinação da Anvisa tem efeito imediato em todo o território nacional. Isso significa que:
- Consumidores devem suspender o uso dos suplementos e alimentos da Natuforme até segunda ordem.
- Farmácias, lojas de produtos naturais e marketplaces devem interromper a venda e iniciar o recolhimento dos estoques.
- A empresa está proibida de comercializar qualquer item, sob risco de sanções legais e multas.
A orientação da agência é que os consumidores que adquiriram produtos da marca entrem em contato com os canais de atendimento da Anvisa ou da vigilância sanitária municipal para orientações sobre devolução e eventuais riscos à saúde.
Medida preventiva e rigor regulatório

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A ação contra a Natuforme reforça o papel da Anvisa como órgão fiscalizador responsável por zelar pela saúde pública. Nos últimos anos, a agência tem intensificado operações para coibir práticas irregulares em empresas de suplementos alimentares, setor que cresce de forma acelerada no Brasil.
Segundo especialistas, a fiscalização é necessária porque muitos suplementos são consumidos sem prescrição médica, aumentando o risco de intoxicações, alergias e outros efeitos adversos.
Contexto do mercado de suplementos no Brasil
O Brasil ocupa posição de destaque no consumo de suplementos alimentares. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad), mais da metade da população adulta já consome algum tipo de suplemento.
Esse crescimento acelerado atrai empresas de diferentes portes, mas também aumenta os casos de irregularidades e produtos sem comprovação de qualidade. A decisão contra a Natuforme, portanto, se insere em um movimento mais amplo de endurecimento da fiscalização.
Próximos passos e acompanhamento
A Anvisa informou que continuará acompanhando o caso e poderá aplicar novas penalidades à empresa caso descumpra as determinações. O recolhimento será monitorado em parceria com as vigilâncias sanitárias estaduais e municipais.
Enquanto isso, especialistas em saúde e nutrição alertam que os consumidores devem verificar sempre se os suplementos possuem registro na Anvisa e desconfiar de produtos com preços muito abaixo da média ou com alegações exageradas de benefícios.
Conclusão
A decisão de interditar a Natuforme e proibir a circulação de seus suplementos representa um marco no rigor sanitário aplicado ao setor de produtos naturais e alimentícios no Brasil.
Ao identificar falhas que vão desde a falta de higiene até a ausência de rótulos adequados, a Anvisa reforça a importância da fiscalização preventiva para proteger a saúde dos consumidores.
Para o mercado, o caso serve de alerta: empresas que não seguirem as normas de segurança alimentar estarão sujeitas a sanções severas, incluindo a retirada completa de seus produtos do mercado.
Imagem: Sergii Sobolevskyi / shutterstock.com

