Na noite de terça-feira, 30 de setembro de 2025, a Anvisa, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), protocolou junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) um pedido de prorrogação de 180 dias para a regulamentação do cultivo de Cannabis sativa — popularmente conhecida como maconha — para fins exclusivamente medicinais e farmacêuticos no Brasil. A solicitação visa estender o prazo até 31 de março de 2026, atendendo à determinação da ministra Regina Helena Costa, que havia fixado o prazo original para o final de setembro deste ano.
Anvisa pede mais tempo à Justiça para regulamentar cultivo de cannabis medicinal
Anvisa solicita prorrogação de prazo para regulamentar cultivo de cannabis medicinal no Brasil. Entenda os motivos e as implicações dessa decisão.
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O contexto jurídico e a decisão do STJ

Em novembro de 2024, o STJ autorizou a União e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a regulamentarem o plantio, cultivo e comercialização da Cannabis industrial para fins medicinais e farmacêuticos. A decisão judicial estabeleceu um prazo inicial de seis meses para a publicação do ato normativo correspondente, o que significaria até o final de maio de 2025. No entanto, devido à complexidade técnica do tema e à necessidade de um amplo diálogo com a sociedade, a AGU solicitou uma prorrogação desse prazo.
Em junho de 2025, a ministra Regina Helena Costa determinou que a Anvisa apresentasse uma manifestação até o final de setembro daquele ano. Contudo, a agência não cumpriu o prazo estabelecido, levando à solicitação de mais seis meses para concluir o processo regulatório.
Razões para o pedido de prorrogação
A AGU justificou o pedido de prorrogação com base na necessidade de ampliar o diálogo com os diversos atores envolvidos e com a sociedade em geral. Entre as ações previstas no novo cronograma estão:
- Realização de consultas públicas para ouvir a sociedade civil;
- Análise e compilação das informações e contribuições recebidas;
- Elaboração de documentos técnicos e minuta de ato normativo;
- Edição da norma de regulamentação.
O objetivo é garantir que a regulamentação seja efetiva, abrangente e defina as atividades necessárias à garantia da segurança à saúde, conforme estabelecido na legislação vigente.
Impactos da decisão para pacientes e pesquisadores

Atualmente, mais de 670 mil brasileiros utilizam medicamentos à base de cannabis para o tratamento de condições graves, como esclerose múltipla, epilepsia refratária e dor crônica. Esses tratamentos são autorizados principalmente por meio de decisões judiciais, uma vez que o plantio e cultivo da planta no país ainda não são regulamentados.
A falta de uma regulamentação nacional impede que o Brasil desenvolva uma cadeia produtiva própria de cannabis medicinal, o que poderia reduzir custos e ampliar o acesso aos tratamentos. Além disso, a ausência de uma legislação clara dificulta a realização de pesquisas científicas nacionais sobre os potenciais terapêuticos da planta.
O papel da Anvisa e da AGU no processo regulatório
A Anvisa é o órgão responsável por elaborar e implementar as políticas nacionais de vigilância sanitária, incluindo a regulamentação de produtos e substâncias para uso medicinal. A AGU, por sua vez, atua na defesa judicial da União e na coordenação das ações necessárias para o cumprimento das determinações judiciais.
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No caso específico da regulamentação do cultivo de cannabis para fins medicinais, a AGU tem atuado como intermediária entre a Anvisa, o STJ e os diversos setores envolvidos, buscando garantir que o processo regulatório seja conduzido de forma técnica, transparente e participativa.
Expectativas para o novo prazo

Com a prorrogação solicitada, espera-se que o novo cronograma permita a conclusão do processo regulatório de forma mais estruturada e eficiente. A participação da sociedade civil, por meio de consultas públicas, é fundamental para que a regulamentação atenda às necessidades reais dos pacientes e da comunidade científica.
Além disso, a elaboração de documentos técnicos e a análise de impacto regulatório são etapas essenciais para garantir que a norma final seja segura, eficaz e alinhada às melhores práticas internacionais.
Conclusão
A solicitação de mais seis meses para a regulamentação do cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais e farmacêuticos no Brasil reflete a complexidade do tema e a necessidade de um processo regulatório cuidadoso e participativo. Embora a decisão tenha gerado frustração entre pacientes, pesquisadores e ativistas, ela também representa uma oportunidade para que a regulamentação seja elaborada de forma mais abrangente e alinhada às necessidades da sociedade.
A expectativa é que, com a prorrogação do prazo, o Brasil possa avançar na construção de uma política pública eficaz para o uso terapêutico da cannabis, garantindo acesso seguro e de qualidade aos tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida de milhares de pessoas.
