A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, nesta segunda-feira (26), a comercialização e o uso de um suplemento proteico da marca Fullife Nutrition, após detectar a presença de glúten em um lote que informava, no rótulo, ser isento da substância. A medida foi publicada no Diário Oficial da União e se estende à determinação de recolhimento imediato do produto em questão.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade das empresas quanto à veracidade das informações estampadas em suas embalagens e reforça a importância da fiscalização sanitária, sobretudo em produtos voltados a públicos com restrições alimentares severas, como os celíacos.
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Suplemento proteico apresentava trigo, centeio e cevada

A Anvisa identificou a presença de glúten no lote 2408J5 do suplemento 100% Full Whey, fabricado pela empresa SFS Alimentos Ltda., responsável pela marca Fullife Nutrition. Em análise laboratorial, foram encontrados traços de trigo, centeio e cevada — todos ingredientes proibidos em produtos que se apresentam como “sem glúten”.
O rótulo do produto, contudo, afirmava de forma expressa que o suplemento era livre da substância, o que configura, segundo a Anvisa, um caso claro de rotulagem enganosa, prática vedada pela legislação brasileira. “Essa divergência compromete a segurança do consumidor, especialmente aqueles com intolerância ou alergia ao glúten”, explicou a agência em nota.
Consequências para a marca e para o consumidor
Recolhimento e proibição de venda
A medida da Anvisa determina que o lote irregular seja imediatamente retirado das prateleiras e devolvido ao fabricante. Estabelecimentos que estiverem comercializando o produto estão obrigados a interromper as vendas sob pena de sanções administrativas.
Além disso, a empresa poderá responder por infração sanitária, sujeita a multa, interdição de fábrica e até cassação de registro, conforme determina a Lei nº 6.437/1977.
Riscos à saúde dos celíacos
O glúten é uma proteína presente naturalmente em cereais como trigo, centeio e cevada. Em pessoas com doença celíaca, mesmo pequenas quantidades da substância podem desencadear reações autoimunes graves, incluindo diarreia crônica, dores abdominais, anemia, perda de peso e outros sintomas sistêmicos.
Para esse público, a confiança na rotulagem é fundamental. Um erro, mesmo que em lote único, pode comprometer a saúde e gerar danos irreversíveis.
Empresa não se pronunciou
A reportagem tentou contato com a SFS Alimentos Ltda. por meio dos canais oficiais da marca Fullife Nutrition, como e-mail e redes sociais, mas não obteve resposta até o momento da publicação. A ausência de posicionamento agrava a situação, uma vez que consumidores que adquiriram o produto seguem sem orientação sobre possíveis trocas ou ressarcimentos.
Outro produto suspenso: canela com amido e matérias estranhas

No mesmo dia, a Anvisa também determinou o recolhimento de um lote de canela-da-china em pó da marca Kinino. A decisão se baseia em análise do lote 371LAG2419, que revelou adulterações no conteúdo do produto.
Presença de amido e contaminação
Segundo a agência, o lote apresentou amido, componente não característico da canela. A presença dessa substância pode indicar tentativa de fraude econômica, diluindo o produto com insumos mais baratos, o que compromete tanto o sabor quanto o valor nutricional.
Além disso, o produto foi reprovado em testes para matérias estranhas, tanto visíveis quanto microscópicas. Isso indica contaminação por resíduos que vão desde fragmentos vegetais até impurezas que não deveriam estar ali.
Repercussão e medidas de precaução
Consumidores devem conferir lotes
A Anvisa orienta os consumidores que adquiriram o suplemento 100% Full Whey da Fullife ou a canela-da-china da Kinino a verificarem os números dos lotes afetados (2408J5 e 371LAG2419, respectivamente) e suspenderem imediatamente o uso. A recomendação é que os produtos sejam devolvidos ao estabelecimento onde foram adquiridos.
Denúncias e fiscalização
Casos como esses podem ser denunciados diretamente à Anvisa por meio do canal Fala.BR ou aos órgãos de Vigilância Sanitária locais. A agência reforça que a fiscalização continuará a ser intensificada, especialmente em alimentos e suplementos que se declaram livres de alérgenos.
Fiscalização e transparência no mercado alimentício
Esses episódios ilustram os desafios enfrentados pelo mercado alimentício no Brasil, em especial no que diz respeito à transparência nas informações dos rótulos. Suplementos e alimentos voltados a públicos específicos — como celíacos, diabéticos ou alérgicos — exigem vigilância ainda mais rigorosa.
A legislação brasileira estabelece padrões claros para rotulagem, e a falta de conformidade pode representar risco direto à saúde pública. Nesse contexto, a atuação da Anvisa tem sido vista como essencial, ainda que reativa, para conter práticas comerciais prejudiciais.
Considerações finais
O caso envolvendo o suplemento proteico da Fullife Nutrition e a canela adulterada da Kinino serve de alerta para consumidores e empresas. A confiança na rotulagem de alimentos e suplementos deve ser total — qualquer divergência pode gerar sérias consequências para a saúde da população.
Enquanto aguarda um posicionamento das empresas envolvidas, a Anvisa reforça sua missão de proteger a saúde pública, com base na vigilância, investigação e punição de irregularidades no setor alimentício.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
