A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a reforçar sua posição sobre a proibição da manipulação de preenchedores intradérmicos por farmácias de manipulação, uma decisão que está em vigor desde novembro de 2023.
Anvisa reforça proibição para farmácias manipularem preenchedores
Anvisa reafirma proibição da manipulação de preenchedores por farmácias e intensifica fiscalização para conter riscos à saúde pública.
A agência reguladora destaca que a medida tem como objetivo evitar riscos à saúde pública e impedir a disseminação de produtos irregulares utilizados em procedimentos estéticos, como o preenchimento labial e o contorno facial.
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Fiscalizações revelam descumprimento das normas

Recentemente, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) realizou fiscalizações em diversos estados brasileiros e encontrou diversas irregularidades em farmácias e laboratórios de manipulação. Entre as infrações identificadas estavam a produção ilegal de preenchedores injetáveis e a comercialização sem registro ou certificação pela Anvisa, o que contraria diretamente a regulamentação vigente.
Segundo a Anvisa, esses produtos, ao serem fabricados de maneira clandestina ou sem as devidas garantias de qualidade, representam um alto risco à saúde dos consumidores. Os efeitos colaterais podem incluir infecções graves, reações adversas e até deformações permanentes.
Entenda o que são os preenchedores intradérmicos
O que são e para que servem
Os preenchedores intradérmicos são substâncias injetáveis utilizadas para fins estéticos, geralmente compostas por ácido hialurônico, que ajudam na harmonização facial, correção de rugas e aumento de volume em regiões como lábios e maçãs do rosto. Devido ao seu potencial invasivo, esses produtos são classificados como dispositivos médicos de risco, exigindo regulamentação rigorosa.
Por que não podem ser manipulados
De acordo com a Anvisa, a manipulação desses produtos em farmácias compromete as boas práticas de fabricação exigidas para a produção segura de dispositivos médicos. Apenas empresas registradas como fabricantes, com certificações específicas e que seguem normas internacionais, estão autorizadas a produzir e distribuir os preenchedores no Brasil.
A agência ressalta que farmácias de manipulação, mesmo com infraestrutura avançada, não possuem autorização legal nem técnica para a produção desses itens. O alerta é claro: não se trata de uma limitação operacional, mas de segurança sanitária.
Publicidade também é proibida
Além da proibição da manipulação, a Anvisa também veta qualquer tipo de publicidade, propaganda ou divulgação pública dos preenchedores estéticos por farmácias. Isso inclui sites, redes sociais e materiais promocionais. O objetivo é impedir que o consumidor seja induzido ao erro ao acreditar que se trata de um produto seguro e legalmente autorizado quando, na verdade, sua fabricação e comercialização por essas instituições é ilegal.
Orientações para profissionais e consumidores
Médicos e clínicas
A Anvisa reforça que cabe aos médicos dermatologistas, cirurgiões plásticos e clínicas de estética a responsabilidade de garantir a procedência dos produtos utilizados em seus procedimentos. As compras devem ser feitas apenas de fabricantes e distribuidores regularizados, com registro na Anvisa e documentação completa.
O profissional deve sempre conferir:
- Número de registro do produto na Anvisa
- Nome do fabricante e do distribuidor oficial
- Comprovação de boas práticas de fabricação
Consumidores
Para os consumidores, a recomendação é clara: exigir transparência sobre o produto que será utilizado. Perguntar sobre a origem do preenchedor, solicitar o número de registro e, em caso de dúvida, consultar o site da Anvisa são atitudes essenciais para evitar complicações futuras.
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A autarquia também disponibiliza canais para denúncias e esclarecimentos, como o Sistema de Ouvidoria da Anvisa e os canais das vigilâncias sanitárias municipais e estaduais.
Preocupação com a banalização de procedimentos estéticos

Nos últimos anos, houve uma explosão de procedimentos estéticos não invasivos realizados em clínicas de estética e até salões de beleza. Com a popularização das técnicas de preenchimento, muitos estabelecimentos passaram a utilizar produtos de procedência duvidosa, muitas vezes manipulados ilegalmente.
Especialistas alertam para o efeito da banalização dos riscos, pois a facilidade de acesso e os baixos preços escondem uma realidade preocupante: a falta de regulamentação e controle rigoroso pode gerar sérios danos à saúde, incluindo necroses, infecções sistêmicas, embolias e reações alérgicas graves.
Medida integra pacote de ações da Anvisa
A nova manifestação da Anvisa faz parte de um conjunto de medidas adotadas pela agência para reforçar a segurança dos procedimentos estéticos. Além da proibição e da intensificação das fiscalizações, a autarquia trabalha para educar o público e os profissionais da saúde sobre os riscos envolvidos na utilização de produtos irregulares.
Segundo nota divulgada pela Anvisa, a atuação conjunta com os órgãos de vigilância locais é essencial para que as práticas ilegais sejam combatidas de forma mais eficaz. A meta é reduzir drasticamente a circulação de preenchedores não autorizados no mercado brasileiro até o final de 2025.
Penalidades para farmácias que desrespeitam a regra
As farmácias que insistirem em produzir ou comercializar preenchedores intradérmicos poderão sofrer multas, interdição do estabelecimento e cassação da autorização de funcionamento. Além disso, os responsáveis técnicos podem ser processados administrativamente e até judicialmente por colocarem a saúde pública em risco.
A Anvisa reforça que continuará a monitorar os estabelecimentos e pede a colaboração da população para denunciar atividades suspeitas.
Imagem: Freepik e Canva

