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Apneia do sono pode explodir com o avanço das mudanças climáticas, aponta pesquisa

Aquecimento global pode dobrar casos de apneia do sono até 2100. Estudo alerta para impactos graves na saúde e na economia. Saiba mais aqui!

Erivelto LopesPor Erivelto Lopes6 min de leitura
Apneia do sono pode explodir com o avanço das mudanças climáticas, aponta pesquisa

A apneia do sono, distúrbio que compromete a respiração durante o repouso noturno, pode se tornar ainda mais prevalente nas próximas décadas devido às mudanças climáticas. Um estudo recente publicado na Nature Communications alerta que o aumento das temperaturas noturnas está diretamente ligado ao agravamento da condição, que já afeta quase um bilhão de pessoas no mundo.

A pesquisa, liderada pela Universidade Flinders, analisou dados de centenas de milhares de pacientes e mostrou que, à medida que o planeta aquece, os episódios de apneia obstrutiva do sono (AOS) devem se intensificar, especialmente em regiões sem acesso adequado à climatização artificial. Os especialistas apontam para a necessidade urgente de respostas políticas e científicas ao fenômeno.

termometro registrando temperaturas extremas
Imagem: Eduardo Y / Shutterstock

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O que é a apneia obstrutiva do sono (AOS)

Características da doença

A apneia do sono é caracterizada por interrupções recorrentes da respiração durante o sono. Na apneia obstrutiva, a forma mais comum, essas pausas ocorrem devido ao colapso das vias aéreas superiores, impedindo a passagem do ar. Isso leva a microdespertares noturnos, queda na oxigenação sanguínea e fragmentação do sono.

Entre os principais sintomas estão roncos intensos, sonolência diurna excessiva, fadiga, dores de cabeça matinais e irritabilidade. Com o tempo, a condição pode desencadear problemas mais graves, como hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e distúrbios neurológicos.

Prevalência global e fatores de risco

Estima-se que quase 1 bilhão de pessoas sofram de AOS em todo o mundo. A prevalência é maior entre homens, idosos e pessoas com sobrepeso ou obesidade. Outros fatores, como consumo de álcool, tabagismo e uso de sedativos, também aumentam o risco.

Ainda assim, muitas pessoas convivem com a apneia sem diagnóstico, o que dificulta a busca por tratamento adequado. A chegada de tecnologias de monitoramento doméstico, como wearables e sensores de sono, tem contribuído para ampliar a detecção, mas o acesso a exames formais ainda é desigual.

Estudo revela impacto do clima na apneia do sono

Metodologia e escopo

O estudo publicado na Nature Communications reuniu dados de mais de 116 mil pessoas em diversos países, totalizando cerca de 500 milhões de noites monitoradas por sensores de sono inteligentes. Combinando essas informações com registros climáticos, os pesquisadores observaram como a variação de temperatura afeta a frequência e a gravidade dos episódios de apneia.

Segundo os autores, a exposição a temperaturas elevadas à noite está associada a um aumento de até 45% na probabilidade de ocorrência da AOS. Essa relação foi especialmente evidente em populações com menor acesso a sistemas de resfriamento, como ar-condicionado.

Projeções alarmantes para o futuro

Em cenários climáticos considerados prováveis, a carga global da apneia do sono pode dobrar até 2100, com impactos significativos sobre a saúde pública e a produtividade econômica. As perdas associadas à doença — como incapacitação temporária, internações e mortes precoces — já são comparáveis às causadas por enfermidades como Parkinson e transtornos psiquiátricos graves.

Somente em 2023, segundo as estimativas, a apneia agravada pelo clima gerou um prejuízo de US$ 98 bilhões em 29 países, além de causar a perda de 800 mil anos de vida saudável. Os números sugerem que esse distúrbio respiratório pode se tornar um dos grandes desafios médicos do século XXI, se medidas não forem tomadas.

Por que as noites quentes afetam o sono?

Relação entre calor e distúrbios respiratórios

O corpo humano precisa reduzir sua temperatura central para atingir as fases mais profundas do sono. Noites quentes, especialmente em ambientes mal ventilados, dificultam esse processo, resultando em sono superficial e aumento da instabilidade respiratória.

Em pessoas predispostas, isso favorece o colapso das vias aéreas durante o sono, intensificando os episódios de apneia. O efeito é agravado pela sudorese, aumento da frequência cardíaca e desconforto térmico, que impedem a manutenção de um ciclo de sono contínuo e restaurador.

Impacto desigual entre regiões e classes sociais

O estudo mostrou que regiões com menos acesso a tecnologias de climatização, como ventiladores ou ar-condicionado, são mais vulneráveis aos efeitos do calor sobre o sono. Populações de baixa renda, especialmente em países em desenvolvimento, estão entre as mais afetadas.

Os dados analisados provinham de usuários com boa infraestrutura e acesso à tecnologia — o que significa que o impacto real pode ser ainda maior do que o relatado. Os pesquisadores alertam que milhões de pessoas vivendo em condições precárias podem já estar sofrendo os efeitos combinados da mudança climática e da apneia do sono sem saber.

Consequências para a saúde pública

Doenças associadas à apneia

A apneia do sono não tratada está ligada a uma série de doenças crônicas, como:

  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Infarto agudo do miocárdio
  • Demência e declínio cognitivo
  • Depressão e ansiedade
  • Insônia e distúrbios metabólicos

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Com a perspectiva de aumento da prevalência, os sistemas de saúde precisarão lidar com uma nova onda de pacientes com múltiplas comorbidades, exigindo investimentos significativos em diagnóstico, tratamento e políticas preventivas.

Impacto na economia global

Além da carga sanitária, a apneia do sono representa um desafio econômico. Os efeitos indiretos — como queda de produtividade, absenteísmo, acidentes de trabalho e de trânsito — geram prejuízos bilionários anualmente.

A escalada prevista para os próximos anos, impulsionada pelas mudanças climáticas, pode comprometer setores inteiros, exigindo adaptações em políticas de saúde ocupacional e mobilidade urbana.

O que pode ser feito?

Medidas emergenciais

Entre as ações propostas pelos autores do estudo estão:

  • Redução das emissões de carbono, para frear o aquecimento global;
  • Ampliação do acesso a diagnósticos de distúrbios do sono;
  • Investimento em ventilação passiva e arquitetura adaptativa;
  • Incentivo ao uso de dispositivos CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas);
  • Monitoramento contínuo de grupos de risco, como idosos e pessoas obesas.

Além disso, políticas públicas devem priorizar a inclusão de medidas de saúde climática em seus planejamentos, integrando o impacto das temperaturas extremas à prevenção de doenças respiratórias.

Futuras linhas de pesquisa

O professor Danny Eckert, autor sênior do artigo, afirma que os próximos passos incluem o desenvolvimento de estudos de intervenção que testem estratégias para mitigar os efeitos do calor na apneia. Isso pode incluir desde mudanças comportamentais até tecnologias vestíveis que monitoram as condições ambientais do quarto e ajustam parâmetros em tempo real.

O objetivo é antecipar os danos antes que a situação se torne irreversível, considerando o potencial explosivo do aumento de casos nos próximos 50 anos.

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Imagem: Divulgação / Emma

O estudo da Universidade Flinders lança um alerta contundente: o avanço das mudanças climáticas não afeta apenas o planeta de forma abstrata — ele incide diretamente sobre o sono, a saúde e o bem-estar de bilhões de pessoas. A apneia do sono, que já é uma das doenças mais negligenciadas globalmente, pode se transformar em uma epidemia silenciosa impulsionada pelas noites cada vez mais quentes.

É urgente que governos, empresas e cidadãos se mobilizem para enfrentar tanto as causas quanto as consequências desse fenômeno. Ao agir agora, ainda é possível evitar que o colapso do sono global se torne uma realidade inevitável.

Erivelto Lopes

Autor

Erivelto Lopes

Erivelto Lopes é redator no portal Seu Crédito Digital, com forte compromisso com a verdade, responsabilidade e qualidade da informação. Atua diariamente na produção de conteúdos claros e confiáveis sobre benefícios sociais, economia e atualidades que impactam a vida do cidadão. É apaixonado por informar com agilidade, sempre buscando traduzir temas complexos de forma acessível.

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