A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um novo alerta climático que reforça o cenário preocupante das mudanças globais: há 80% de chance de que pelo menos um dos próximos cinco anos, entre 2025 e 2029, supere 2024 como o ano mais quente já registrado.
Temperatura Global pode bater recorde histórico até 2029
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou um novo alerta climático que reforça o cenário preocupante das mudanças globais: há 80% de chance de que pelo
Mais alarmante ainda, o relatório aponta que há 86% de probabilidade de que, nesse mesmo período, algum ano ultrapasse temporariamente o limite crítico de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.
As conclusões integram o relatório Estado do Clima Global 2024, um documento de referência que combina dados de satélites, modelos climáticos e medições meteorológicas de centenas de instituições ao redor do mundo. As projeções apontam um futuro cada vez mais aquecido, sem sinais de alívio climático nos próximos anos.
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Temperatura média global atinge novo recorde
O ano de 2024 foi, de acordo com a OMM, o mais quente em 175 anos de registros climáticos, com uma média anual de temperatura 1,55°C acima do período de 1850 a 1900 — referência para os níveis pré-industriais. Este salto marca um ponto crítico no esforço global para conter o aquecimento dentro dos limites estabelecidos pelo Acordo de Paris.
A ultrapassagem simbólica dos 1,5°C
Embora o Acordo de Paris tenha como meta evitar que a média global ultrapasse 1,5°C de aquecimento em relação à era pré-industrial, o relatório sugere que essa barreira foi superada, ao menos temporariamente, em 2024. A quebra desse limite técnico coloca em xeque a capacidade global de manter os impactos climáticos em níveis gerenciáveis.
Projeções para 2025-2029: o que esperar?
Alta probabilidade de anos ainda mais quentes
De acordo com os dados reunidos pela OMM, há 80% de chance de que pelo menos um dos próximos cinco anos supere 2024 em temperatura global, consolidando uma tendência de aquecimento contínuo. A previsão não se refere a uma progressão linear, mas sim à probabilidade estatística de que novos recordes climáticos se tornem cada vez mais comuns.
Risco elevado de ultrapassagem do limite de 1,5°C
Ainda segundo o relatório, há 70% de chance de que a média global de aquecimento entre 2025 e 2029 supere 1,5°C em relação ao período pré-industrial. Embora o limite oficial do Acordo de Paris se refira a uma média de longo prazo, o fato de esse patamar estar sendo rompido ano a ano é um sinal claro de que o planeta está se afastando rapidamente dos objetivos climáticos.
O Ártico como epicentro da crise

Aquecimento acelerado
O relatório destaca que o Ártico continuará aquecendo em ritmo desproporcional. Nos próximos cinco invernos estendidos (novembro a março), o aquecimento médio na região será 2,4°C acima da média do período 1991-2020 — mais de três vezes e meia a média global. Esse fenômeno, conhecido como amplificação ártica, tem implicações diretas sobre o clima global.
Degelo persistente
As previsões sobre a cobertura de gelo marinho de março de 2025 a 2029 indicam novas perdas significativas nos mares de Barents, Bering e Okhotsk, regiões críticas para a estabilidade do ecossistema polar. A perda de gelo contribui para o aumento do nível do mar e altera padrões de circulação atmosférica e oceânica, afetando climas em latitudes muito distantes.
Alterações nos padrões de precipitação
Regiões com chuvas acima da média
Entre os meses de maio e setembro no período de 2025 a 2029, os dados indicam um aumento nas chuvas no Sahel (África), no norte da Europa, no Alasca e no norte da Sibéria. Essas regiões poderão experimentar enchentes, impactos na agricultura e alterações nos ecossistemas locais.
Regiões com secas agravadas
Em contrapartida, a Amazônia deverá enfrentar precipitações abaixo da média, agravando a já crítica situação de desmatamento e incêndios. Essa redução da umidade impacta diretamente na biodiversidade, nos rios voadores e no ciclo do carbono da floresta tropical mais importante do planeta.
Impactos sociais e econômicos crescentes
Mudanças climáticas no cotidiano
A vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett, destacou que “os dez anos mais quentes da história ocorreram recentemente, e não há qualquer indicação de que essa tendência vá desacelerar”. Segundo ela, os impactos já são sentidos de forma direta na economia, na agricultura, na saúde pública e nos ecossistemas globais.
Economia em risco
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Os eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas e tempestades mais intensas, representam uma ameaça direta à segurança alimentar e energética, pressionando governos e mercados. O custo de mitigação e adaptação tende a crescer, à medida que a instabilidade climática se intensifica.
Saúde e segurança da população
Altas temperaturas estão diretamente relacionadas ao aumento de mortes por causas naturais, principalmente entre populações vulneráveis, como idosos e crianças. Além disso, a propagação de doenças tropicais tende a se expandir para regiões antes consideradas seguras.
A urgência de ações climáticas efetivas

Descarbonização é prioridade
Especialistas ressaltam que reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa é a única forma de reverter ou, ao menos, conter a tendência de aquecimento acelerado. Medidas como o abandono progressivo dos combustíveis fósseis, investimentos em energia limpa e adoção de tecnologias verdes são urgentes.
Adaptação às mudanças
Além da mitigação, o planeta precisa se adaptar. Infraestruturas resilientes, sistemas de alerta precoce, reflorestamento e planejamento urbano inteligente são estratégias fundamentais para reduzir os danos esperados. A resiliência climática se tornará um dos principais vetores de política pública nos próximos anos.
Papel dos acordos internacionais
O novo relatório da OMM reforça a importância de mecanismos multilaterais como o Acordo de Paris e a Agenda 2030 da ONU. É necessário que países redobrem seus compromissos de redução de emissões e cooperação internacional, sob risco de que os objetivos globais se tornem inatingíveis.
Considerações finais
O relatório da OMM para o período de 2025 a 2029 é mais do que um alerta: é um chamado à ação urgente. Com altíssima probabilidade de novos recordes de temperatura e impactos crescentes sobre o Ártico, padrões de chuva, ecossistemas e sociedades, o mundo está diante de um ponto de inflexão climático.
O ano de 2024 já mostrou os efeitos tangíveis da crise, e os próximos cinco anos devem intensificar ainda mais essa realidade. Cabe à humanidade decidir agora entre acelerar as mudanças necessárias para preservar o futuro do planeta ou enfrentar um caminho de consequências cada vez mais drásticas e irreversíveis.
O tempo para agir está se esgotando — e as evidências científicas são claras: os próximos anos definirão o destino climático do século.
