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Após medidas de contenção de gastos, dólar bate novo recorde e fecha em R$ 5,98

O dólar renovou seu recorde histórico, fechando a R$ 5,98, após o governo detalhar seu pacote fiscal. O impacto das medidas sobre a economia e o Imposto de Renda geraram reações no mercado financeiro

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
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O dólar comercial manteve sua escalada nesta quinta-feira (28), atingindo R$ 5,9891 no fechamento das negociações, renovando o recorde histórico de cotação desde a criação do real em 1994. A moeda americana chegou a ultrapassar a marca dos R$ 6 durante o dia, tocando R$ 6,0029 às 13h12. 

Esse aumento é atribuído principalmente à reação do mercado financeiro ao pacote fiscal apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao impacto das novas medidas econômicas.

Na véspera, o dólar já havia registrado um aumento expressivo, fechando a R$ 5,91, o maior valor nominal desde o Plano Real. O mercado reagiu negativamente às promessas do governo de cortar gastos, que foram acompanhadas pela notícia de uma isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.

Leia mais: Dólar sobe para R$ 5,83 e Ibovespa cai com expectativa por pacote fiscal

Reação do mercado ao pacote fiscal

O governo brasileiro detalhou hoje o pacote fiscal, que promete uma economia de R$ 70 bilhões em dois anos. Contudo, analistas do mercado financeiro estão preocupados com os custos das medidas, principalmente a isenção do Imposto de Renda. 

Essa medida terá um impacto fiscal que pode reduzir a eficácia das outras ações de contenção de gastos, colocando em dúvida a sustentabilidade da política econômica.

De acordo com Charo Alves, analista da Valor Investimentos, “Era esperado que viesse um corte dos gastos, e apareceu um novo gasto”. A falta de clareza sobre de onde virão os recursos para compensar a isenção preocupa os especialistas. 

Haddad Corte de Gastos
Imagem: Salty View/ shutterstock.com

Perda de receita

Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, alertou ao O GLOBO que a mudança no Imposto de Renda pode representar uma perda de receita considerável para os cofres públicos.

A reação do mercado a essas medidas não foi positiva. O dólar, que já havia ultrapassado a marca de R$ 5,91 na quarta-feira, continuou a subir ao longo do dia, refletindo a desconfiança dos investidores em relação ao novo pacote fiscal.

O impacto das medidas sobre a economia

O pacote fiscal inclui diversas medidas que visam ajustar as contas públicas e conter o crescimento da dívida interna. Entre as principais propostas estão a introdução de uma idade mínima para aposentadoria dos militares e mudanças nos parâmetros de reajuste do salário mínimo. 

O governo estima que essas ações terão um impacto de R$ 70 bilhões até 2026 e R$ 400 bilhões até 2030.

Apesar das intenções de redução de gastos, o mercado está receoso de que as medidas não sejam suficientes para garantir a estabilidade fiscal do país. A proposta de isenção de Imposto de Renda, embora seja uma promessa de campanha do presidente Lula, foi vista como um gasto adicional que pode comprometer os esforços para equilibrar as finanças públicas.

O real atinge níveis históricos de desvalorização

O impacto do pacote fiscal sobre a moeda brasileira foi imediato. O real se desvalorizou frente ao dólar, atingindo seu menor nível nominal em relação à moeda americana desde a criação do real. O real foi a moeda mais desvalorizada entre as divisas mais líquidas, como o euro, o iene e a libra esterlina.

No final do dia, o mercado observava um cenário de desconfiança generalizada, que também afetou as expectativas em relação à taxa de juros. O iene perdeu 0,28% frente ao dólar, e o euro caiu 0,09%. No entanto, moedas de mercados emergentes, como o rand sul-africano e o peso mexicano, registraram ganhos.

Expectativas sobre a Selic e os juros futuros

O aumento da taxa de juros já era esperado devido à reação do mercado às medidas fiscais anunciadas. O mercado financeiro já prevê que a taxa básica de juros (Selic) chegará a 14,75% no fim de 2024, com uma possível alta adicional no final do ciclo de aperto monetário, que pode ser concluído com uma Selic de 14,25% até novembro de 2025.

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A curva de juros, que baliza os contratos futuros, abriu o dia em alta, refletindo a desconfiança em relação à implementação das medidas fiscais e ao impacto delas sobre a inflação e o crescimento econômico. A alta da Selic seria uma resposta direta às incertezas fiscais e à necessidade de combater a pressão inflacionária.

O papel do governo e os desafios políticos

Em sua fala, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, procurou minimizar as preocupações do mercado, afirmando que o governo não acreditava em “bala de prata” e que o mercado deveria fazer uma “releitura” das expectativas em relação ao crescimento econômico e ao déficit público. 

Para Haddad, as críticas do mercado são baseadas em projeções de crescimento que, segundo ele, não se realizaram.

O ministro também defendeu a proposta de isenção do Imposto de Renda, afirmando que a medida faz parte de um compromisso político do governo com a promessa de campanha do presidente Lula. Apesar disso, os analistas destacaram que o pacote fiscal apresenta um paradoxo: ao tentar reduzir o déficit, o governo acaba criando novos gastos, o que pode gerar um efeito contrário ao pretendido.

salário mínimo
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

O futuro do dólar e da economia brasileira

O impacto do pacote fiscal e a alta do dólar indicam que o mercado continuará monitorando de perto as ações do governo brasileiro. A combinação de incertezas fiscais e o aumento da Selic pode levar a uma maior volatilidade da moeda e das expectativas econômicas nos próximos meses.

A alta do dólar pode ter efeitos variados na economia brasileira, com impactos sobre a inflação, o custo da dívida pública e o poder de compra da população. A desvalorização do real também pode afetar as importações e aumentar os preços de produtos importados, especialmente em setores como combustíveis e eletrônicos.

O futuro do dólar e da economia brasileira dependerá da capacidade do governo de equilibrar suas políticas fiscais e atender às expectativas do mercado financeiro, que se mostra cada vez mais cético em relação à eficácia das medidas adotadas.

Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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