A TIM está preparando um novo sistema para reduzir a quantidade de chamadas indesejadas recebidas por seus clientes. A ferramenta deverá atuar diretamente na rede da operadora para identificar e filtrar ligações consideradas abusivas, evitando que determinados contatos cheguem a tocar no celular.
A movimentação ocorre em um momento de mudanças importantes no setor de telecomunicações. Em agosto de 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) estabeleceu parâmetros para que as próprias operadoras possam criar mecanismos de identificação, filtragem e bloqueio de chamadas massivas.
A TIM está desenvolvendo sua solução e a previsão é que o serviço seja oferecido gratuitamente aos clientes. A novidade aproxima a operadora da Vivo, que já possui uma ferramenta própria contra chamadas abusivas.
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Como deve funcionar o antispam da TIM

A principal diferença entre esse tipo de ferramenta e os bloqueadores instalados diretamente no celular está no local onde ocorre o filtro.
Em vez de o aparelho receber a ligação e classificá-la como suspeita, o mecanismo da operadora pode analisar o tráfego antes que a chamada chegue ao cliente. Com isso, ligações que atendam aos critérios definidos para bloqueio podem ser interrompidas na própria rede.
Essa tecnologia pode ser utilizada para combater chamadas realizadas em grande volume, ligações automatizadas e outros padrões associados ao uso abusivo da telefonia.
A Anatel, porém, não determinou que todas as empresas utilizem uma tecnologia específica. As operadoras podem escolher como desenvolver seus mecanismos, desde que respeitem os princípios e critérios estabelecidos pela agência reguladora.
Serviço deve ser gratuito e permitir desativação
Uma das principais regras estabelecidas pela Anatel é que os mecanismos próprios de filtragem devem respeitar o direito de escolha do consumidor.
A regulamentação prevê que a solução seja disponibilizada sem cobrança e que o usuário tenha meios para solicitar sua desativação. Também devem existir procedimentos para contestar bloqueios considerados indevidos.
A medida busca evitar que uma ferramenta criada para combater spam acabe impedindo chamadas legítimas. Por isso, a Anatel determinou que as prestadoras mantenham mecanismos de informação e contestação para os usuários afetados.
Essa preocupação ganhou força depois das discussões envolvendo o sistema antispam da Vivo. Outras empresas questionaram à Anatel possíveis bloqueios de chamadas legítimas, levando o órgão regulador a estabelecer parâmetros comuns para esse tipo de tecnologia.
Por que a Anatel está endurecendo o combate às chamadas abusivas
As ligações indesejadas não são um problema novo no Brasil. Elas incluem desde telemarketing legítimo até chamadas automatizadas, tentativas de validar números ativos e golpes utilizando técnicas como o spoofing.
A própria Anatel explica que chamadas de curta duração podem ser geradas por sistemas automatizados que realizam milhares de tentativas simultaneamente. Desde junho de 2024, a agência passou a considerar como chamadas curtas aquelas com duração de até seis segundos, dentro das medidas de combate ao uso inadequado das redes.
O problema também está relacionado à falsificação do número de origem. No chamado spoofing, o fraudador consegue apresentar na tela do consumidor um número diferente daquele utilizado efetivamente para realizar a ligação.
A Anatel mantém medidas específicas para aumentar a rastreabilidade desse tráfego e combater chamadas com identificação adulterada.
O que muda para quem recebe muitas ligações
Para o consumidor, a expectativa é de redução das chamadas consideradas abusivas sem a necessidade de instalar aplicativos adicionais.
Caso a TIM conclua a implementação conforme as regras da Anatel, o sistema poderá fazer uma filtragem diretamente na rede. Assim, o usuário não precisará depender exclusivamente de recursos do Android, do iPhone ou de aplicativos de terceiros para reduzir o incômodo.
É importante destacar, porém, que um serviço antispam não significa que todas as ligações desconhecidas serão bloqueadas. Uma chamada legítima pode ser realizada por uma empresa, órgão público, profissional ou pessoa que não esteja cadastrada na agenda do consumidor.
Por isso, a classificação deverá considerar critérios técnicos e regulatórios. A própria Anatel determina que as soluções observem proporcionalidade, boa-fé e não discriminação.
TIM ainda não divulgou todos os detalhes

Apesar da movimentação da operadora, ainda não há informações públicas completas sobre quando o novo sistema será disponibilizado para todos os clientes nem sobre todos os critérios técnicos que serão utilizados.
A TIM já mantém medidas de segurança contra golpes e orienta seus clientes a utilizar os mecanismos de proteção disponíveis nos celulares. A empresa também indica o serviço Não Me Perturbe para consumidores que desejam restringir ligações de telemarketing de empresas participantes.
Enquanto isso, a regulamentação da Anatel cria um caminho para que outras operadoras também desenvolvam soluções semelhantes. A intenção é ampliar a proteção contra chamadas abusivas sem prejudicar comunicações legítimas.
Para quem recebe ligações insistentes, portanto, a possível chegada do antispam da TIM representa uma mudança relevante: em vez de depender apenas do bloqueio feito pelo próprio aparelho, o combate poderá acontecer cada vez mais dentro da infraestrutura das próprias redes de telefonia.
Fachada da TIM. Foto: Divulgação
