Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Aposentado que foi pego trabalhando terá que pagar multa, saiba os detalhes

Justiça obriga aposentado a devolver R$ 35 mil após ser flagrado trabalhando ilegalmente como autônomo na Espanha.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
aposentadoria bloqueada

Um caso inusitado e exemplar de fraude previdenciária ganhou repercussão internacional nesta semana.

Um aposentado espanhol foi condenado a devolver aproximadamente R$ 35 mil após continuar atuando profissionalmente mesmo depois de ter declarado o encerramento de suas atividades para obter o benefício da aposentadoria.

O episódio ocorreu na Andaluzia, no sul da Espanha, e levanta discussões sobre os critérios de compatibilidade entre aposentadoria e atividade laboral, especialmente no regime de autônomos.

Leia mais:

INSS atualiza normas da pensão por morte e restringe acúmulo de benefícios

Diploma Digital agora é obrigatório e versão em papel não tem mais validade

Entenda o caso: aposentadoria e atividade paralela

idoso aposentado fraude
Imagem: Freepik

O início do processo

Olegario, o protagonista do caso, solicitou sua aposentadoria junto à Segurança Social em agosto de 2020. Para que o benefício fosse concedido, ele declarou oficialmente que havia encerrado sua atividade como trabalhador autônomo, conforme exigido pela Lei Geral da Segurança Social da Espanha.

Na legislação espanhola, diferentemente do que ocorre em alguns países, a aposentadoria para trabalhadores autônomos exige a cessação completa da atividade econômica.

A exceção ocorre quando o beneficiário solicita formalmente a compatibilidade entre aposentadoria e trabalho — o que não foi feito no caso em questão.

A descoberta da irregularidade

Apesar da concessão do benefício, uma investigação posterior revelou que Olegario continuou prestando serviços como autônomo até dezembro do mesmo ano.

Ou seja, durante cerca de quatro meses — de 16 de agosto a 12 de dezembro de 2020 — ele recebeu indevidamente o valor da aposentadoria enquanto continuava a exercer atividade remunerada.

A denúncia partiu de uma fiscalização da própria Segurança Social, que cruzou dados bancários e fiscais e constatou que Olegario seguia emitindo faturas e recebendo por serviços prestados, o que configurou irregularidade.

A decisão judicial e as consequências legais

Determinação de devolução

Diante das provas, a Justiça espanhola determinou que Olegario devolvesse à Segurança Social os valores recebidos de forma indevida durante o período em que atuou ilegalmente como autônomo. A quantia totaliza aproximadamente R$ 35 mil, conforme a cotação vigente.

A sentença destacou que o aposentado omitiu informações relevantes para o INSS espanhol no momento do pedido de aposentadoria e, ao manter sua atividade sem a devida compatibilidade autorizada, infringiu os princípios de boa-fé e transparência exigidos pela legislação previdenciária.

Multa e registro de infração

Além do ressarcimento, o aposentado recebeu uma multa administrativa e poderá enfrentar dificuldades para obter novos benefícios sociais ou previdenciários, já que o registro da infração permanece nos sistemas da Segurança Social.

Segundo fontes jurídicas, Olegario ainda pode recorrer da decisão, mas o entendimento atual da jurisprudência é claro no sentido de penalizar esse tipo de conduta.

O que diz a legislação espanhola sobre aposentadoria de autônomos

Lei Geral da Segurança Social

A Ley General de la Seguridad Social estipula que os autônomos devem cessar suas atividades profissionais para ter direito à aposentadoria integral. Caso queiram continuar trabalhando, devem se inscrever em um regime especial de compatibilidade, conhecido como “jubilación activa”.

Esse regime permite que o trabalhador continue exercendo sua profissão após a aposentadoria, desde que comunique formalmente à Segurança Social e aceite uma redução no valor do benefício, que normalmente fica em 50%.

Omissão é fraude?

A legislação considera como fraude previdenciária qualquer tentativa de burlar os requisitos legais para obtenção de benefícios. Isso inclui declarações falsas, omissões deliberadas ou a não comunicação de mudanças relevantes na situação do beneficiário.

O caso de Olegario é enquadrado como omissão deliberada de informação, já que ele continuou a exercer atividade remunerada sem solicitar compatibilidade, violando as normas legais.

O cenário brasileiro: aposentados podem trabalhar?

A repercussão do caso na Espanha levanta questionamentos sobre como o tema é tratado no Brasil. Por aqui, a legislação é diferente e permite que a maioria dos aposentados continue trabalhando, com algumas exceções.

Regra geral no Brasil

No Brasil, aposentados pelo INSS podem continuar trabalhando normalmente, inclusive com carteira assinada, sem prejuízo do benefício. A exceção fica por conta de aposentadorias especiais, como a por invalidez, que exige a cessação da atividade profissional por incapacidade permanente.

Aposentadoria por invalidez e fraude

No caso de aposentadorias por invalidez, o retorno ao trabalho configura irregularidade. Se o beneficiário for flagrado exercendo qualquer atividade remunerada, o INSS pode suspender o benefício, exigir devolução dos valores pagos indevidamente e aplicar multa administrativa.

A fraude contra a Previdência Social é considerada crime no Brasil, com pena prevista de reclusão de até cinco anos, além de multa.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Especialistas comentam o caso

Impactos na confiança no sistema

Para o advogado espanhol Juan Navarro, especialista em Direito Previdenciário, casos como o de Olegario são raros, mas servem como alerta:

“A confiança no sistema depende do cumprimento das regras por todos. Quando alguém burla a lei, todos os contribuintes pagam a conta.”

Fiscalização e cruzamento de dados

No Brasil, a advogada previdenciarista Ana Paula Soares reforça que o INSS tem intensificado o uso de cruzamento de dados para identificar fraudes:

“O sistema de malha fina previdenciária já é capaz de identificar aposentados que voltam a trabalhar em áreas incompatíveis com o benefício, como aposentadoria por invalidez.”

Educação previdenciária é fundamental

Especialistas também apontam a educação previdenciária como ferramenta essencial para evitar irregularidades: muitos beneficiários não conhecem as regras específicas do benefício que recebem, o que pode levar a erros não intencionais — ou, no pior dos casos, a fraudes conscientes.

Aposentadoria e ética: um debate necessário

INSS
Imagem: Freepik e Canva

O caso de Olegario vai além de uma simples infração administrativa. Ele reabre o debate sobre a ética no uso de recursos públicos e os limites entre direito individual e responsabilidade coletiva no financiamento da Previdência Social.

O impacto social da fraude previdenciária

Fraudes contra o sistema previdenciário representam prejuízo direto aos cofres públicos e, consequentemente, aos demais contribuintes. Quando recursos são desviados indevidamente, há menos margem para investimentos em aposentadorias legítimas e em outros programas sociais.

O papel das instituições

Cabe aos órgãos de controle, como o INSS e a Justiça, garantir que os benefícios sejam concedidos de forma justa e com base na legalidade. Mas também é papel da sociedade repudiar práticas que minam a confiança no sistema.

Conclusão: o caso como exemplo

Olegario agora enfrenta as consequências legais e financeiras de sua escolha. O caso serve como exemplo e alerta para aposentados em qualquer parte do mundo: antes de tomar decisões envolvendo a volta ao trabalho, é fundamental consultar as regras do regime previdenciário e seguir os trâmites legais.

O cumprimento das regras não é apenas uma exigência burocrática, mas um compromisso com a justiça social e a sustentabilidade do sistema previdenciário. E como demonstrado, quando há transgressão, a conta — inevitavelmente — chega.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

Topicos relacionados