O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou em 5 de agosto de 2025 uma medida inédita: a suspensão da autorização para oito instituições financeiras operarem crédito consignado com aposentados e pensionistas.
Aposentados são pegos de surpresa com suspensão anunciada pelo INSS
Veja os bancos suspensos pelo INSS no consignado e saiba como aposentados podem contestar descontos. Confira agora!
A decisão foi tomada após um processo administrativo comprovar o descumprimento de requisitos obrigatórios que asseguram transparência, ética e segurança nas operações financeiras com beneficiários da Previdência.
A medida atinge milhares de aposentados e pensionistas, que foram pegos de surpresa com a suspensão dos convênios e agora enfrentam incertezas sobre seus contratos de crédito consignado e futuras operações.
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Bancos e financeiras suspensos pelo INSS

O INSS tornou pública a lista das instituições afetadas pela decisão. São elas:
- CDC Sociedade de Crédito Direto S.A.;
- HBI Sociedade de Crédito Direto S.A.;
- Banco Seguro S.A.;
- Via Certa Financiadora S.A. – Crédito, Financiamento e Investimento;
- Casa do Crédito S.A. – Sociedade de Crédito ao Microempreendedor;
- Valor Sociedade de Crédito Direto S.A. (Valor Financiamentos);
- Banco do Nordeste do Brasil S/A (BNB);
- Banco Industrial do Brasil S/A.
Essas instituições estão proibidas de realizar novas operações de crédito consignado por tempo indeterminado. A suspensão, no entanto, não afeta contratos já firmados até o momento da decisão.
Por que o INSS decidiu suspender os convênios?
Segundo nota oficial do INSS, a medida visa proteger os segurados de práticas abusivas e irregulares. As empresas suspensas não cumpriram exigências básicas de controle e integridade, como:
- Falta de transparência nos contratos;
- Desrespeito ao código de conduta do consignado;
- Práticas comerciais agressivas ou enganosas;
- Falta de controle na proteção de dados dos beneficiários.
É a primeira vez que o INSS realiza esse tipo de bloqueio em massa, sinalizando uma postura mais rigorosa do órgão após o escândalo recente de fraudes.
Ligação com o escândalo bilionário de descontos indevidos
A decisão do INSS ocorre em meio ao desdobramento de um esquema bilionário de fraudes envolvendo descontos indevidos nos benefícios de aposentados.
O caso foi revelado em maio pelo portal Metrópoles e apontou uma rede de convênios fraudulentos com associações e financeiras, que agiam com o aval de setores internos do próprio INSS. Segundo as investigações da Polícia Federal:
- As associações eram formadas com diretores laranjas, como familiares ou funcionários dos fraudadores;
- Essas entidades obtinham convênios com o INSS por meio de lobby e corrupção;
- A partir dos convênios, era possível inserir descontos indevidos na folha de pagamento de aposentados, muitas vezes com filiações forjadas e assinaturas falsas;
- O dinheiro era repassado para empresas privadas ligadas aos articuladores do esquema;
- Os envolvidos chegaram a movimentar R$ 6,3 bilhões de forma ilícita.
Queda da cúpula do INSS e devolução aos aposentados
O escândalo provocou mudanças no alto escalão da Previdência. Foram demitidos:
- Alessandro Stefanutto, então presidente do INSS;
- Carlos Lupi (PDT), ministro da Previdência Social.
Além das demissões, o governo federal criou um plano de devolução dos valores indevidamente descontados dos aposentados. Desde 24 de julho, o processo de ressarcimento administrativo está em andamento, com prazo de adesão até 14 de novembro de 2025.
Como funciona a devolução dos descontos indevidos?
Quem pode pedir o reembolso?
Todos os aposentados e pensionistas que identificaram descontos não autorizados em seus benefícios, realizados por entidades associativas ou financeiras nos últimos anos.
Como é feita a contestação?
A contestação deve ser realizada pelo site oficial do INSS (Meu INSS) ou diretamente nas agências da Previdência. O processo exige:
- Documento de identificação;
- Extrato de pagamento com os descontos questionados;
- Declaração de não reconhecimento da filiação ou serviço contratado.
Qual o valor da indenização?
O valor devolvido corresponde ao total descontado indevidamente, acrescido de correção monetária, mas sem possibilidade de processo judicial posterior. Ao aceitar o acordo administrativo, o segurado renuncia ao direito de ação judicial contra o INSS.
Impactos para os aposentados e para o setor financeiro
Incertezas sobre novos créditos
Com a suspensão, milhares de aposentados ficam temporariamente sem acesso ao crédito consignado em algumas instituições que ofereciam condições mais acessíveis. Embora ainda existam dezenas de bancos e financeiras com convênio ativo com o INSS, a redução da concorrência pode aumentar os juros e dificultar o acesso ao crédito barato.
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Necessidade de mais regulação
Especialistas defendem maior fiscalização e regulação sobre os convênios entre o INSS e instituições financeiras. Segundo a economista Marília Vieira, “o modelo atual favorece a entrada de entidades de fachada que visam explorar o segurado em situação vulnerável”.
Pressão sobre o governo
A pressão popular e institucional para uma reforma estrutural do sistema de consignado aumenta. Parlamentares da base aliada e da oposição articulam novas regras e limites para os convênios com o INSS, incluindo:
- Criação de um registro público das entidades conveniadas;
- Avaliação prévia de integridade financeira;
- Estabelecimento de um canal direto de denúncia para segurados.
O que os segurados devem fazer agora?

1. Verificar extratos de pagamento
Os beneficiários devem acompanhar com frequência o extrato do INSS, disponível no portal Meu INSS ou pelo aplicativo oficial. Quaisquer descontos não reconhecidos devem ser reportados imediatamente.
2. Evitar novas contratações com empresas suspensas
Com a suspensão dos convênios, novos contratos com as instituições suspensas estão bloqueados. É importante não assinar acordos com essas empresas até nova autorização do INSS.
3. Denunciar práticas abusivas
Qualquer tentativa de abordagem agressiva ou suspeita de fraude pode ser denunciada à Ouvidoria do INSS ou ao Procon. É direito do segurado ter clareza e liberdade na contratação de serviços financeiros.
Conclusão
A decisão do INSS de suspender oito instituições financeiras do consignado representa um passo relevante na proteção dos aposentados e no combate às fraudes dentro da Previdência Social. No entanto, expõe também a fragilidade do sistema atual, que permitiu o surgimento de convênios duvidosos e o desvio bilionário de recursos.
Enquanto o governo tenta retomar a credibilidade do órgão e restituir os segurados, é fundamental que aposentados fiquem atentos aos extratos e evitem novas contratações arriscadas. A reformulação das regras do crédito consignado será um tema central nos próximos meses.
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital
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