A Apple divulgou dados que reforçam sua posição em meio à investigação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre práticas monopolistas na App Store. Segundo a empresa, mais de 90% dos desenvolvedores que utilizam a plataforma para distribuir seus aplicativos não pagam comissões à Apple. A revelação surge em um momento crítico, com o Cade exigindo mudanças significativas na operação da loja de aplicativos da gigante de tecnologia.
Apple responde a acusação de monopólio e afirma que maioria dos apps não paga taxas
Apple responde ao Cade sobre acusação de monopólio, destacando que mais de 90% dos desenvolvedores não pagam comissão na App Store.
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O estudo que embasa a defesa da Apple

A informação foi baseada em um estudo conduzido pela professora Silvia Fagá de Almeida, da Fundação Getulio Vargas (FGV). O levantamento revelou que, em 2024, a App Store movimentou R$ 63,8 milhões em cobranças e vendas no Brasil. No entanto, em mais de 90% dessas transações, os desenvolvedores não pagaram taxas à Apple. A pesquisa também destacou que metade dos ganhos dos desenvolvedores brasileiros na plataforma provém de usuários internacionais, evidenciando o alcance global da App Store.
A resposta da Apple às acusações de monopólio
Em comunicado oficial, a Apple refutou as alegações de práticas monopolistas, afirmando que a maioria dos desenvolvedores não paga comissões à empresa. A companhia destacou que seu modelo de negócios permite que desenvolvedores publiquem aplicativos gratuitamente, com a opção de gerar receita por meio de compras dentro do aplicativo ou assinaturas. A Apple também enfatizou seu compromisso com a segurança e a privacidade dos usuários, argumentando que as taxas cobradas são essenciais para manter esses padrões elevados.
O impacto das mudanças exigidas pelo Cade

O Cade tem pressionado a Apple a permitir meios alternativos de distribuição de aplicativos e sistemas de pagamento no Brasil. A agência argumenta que a atual estrutura da App Store impede a concorrência justa e favorece práticas que podem ser consideradas abusivas. A Apple, por sua vez, defende que a manutenção de seu ecossistema fechado é fundamental para garantir a segurança dos usuários e a qualidade dos aplicativos disponíveis na plataforma.
Desafios enfrentados pela Apple no Brasil
Além das investigações do Cade, a Apple enfrenta desafios adicionais no Brasil relacionados à sua política de comissões. Desenvolvedores locais e empresas como o Mercado Livre têm questionado as taxas aplicadas pela Apple, argumentando que elas são elevadas e prejudicam a competitividade. A empresa também foi criticada por rejeitar atualizações de aplicativos que ofereciam conteúdo digital de terceiros fora da App Store, o que levou a acusações de práticas monopolistas.
A posição da Apple no mercado brasileiro
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Apesar das críticas, a Apple mantém uma presença significativa no mercado brasileiro. A empresa informou que bloqueou R$ 167 milhões em transações potencialmente fraudulentas no país em 2024, impedindo o uso de aproximadamente 200 mil cartões de crédito roubados para compras na App Store. Além disso, a companhia removeu 5 milhões de avaliações e opiniões de aplicativos por questões de fraude, demonstrando seu compromisso com a integridade da plataforma.
Perspectivas futuras para a App Store no Brasil

Com a pressão crescente do Cade e de outros órgãos reguladores, a Apple pode ser forçada a revisar suas políticas no Brasil. A empresa já anunciou que, se nada mudar, cumprirá a determinação do Cade até o final de setembro de 2025. A expectativa é que mudanças significativas sejam implementadas na App Store, incluindo a possibilidade de permitir meios alternativos de distribuição de aplicativos e sistemas de pagamento, o que pode alterar significativamente o panorama competitivo no mercado de aplicativos no país.
Conclusão
A disputa entre a Apple e o Cade reflete um equilíbrio delicado entre inovação tecnológica, segurança do usuário e práticas comerciais justas. Enquanto a Apple defende seu modelo de negócios como essencial para manter a qualidade e a segurança da App Store, as autoridades brasileiras buscam garantir um ambiente competitivo que favoreça o desenvolvimento local e proteja os consumidores. O desfecho desse impasse pode redefinir o futuro da distribuição de aplicativos no Brasil e influenciar políticas semelhantes em outros mercados ao redor do mundo.
