Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Bloqueio global para celulares roubados não é apoiado por Apple e Google

Polícia de Londres cobra Apple e Google por bloqueio global eficaz de celulares roubados via IMEI. Entenda.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
celular seguro

O crescimento acelerado dos roubos de celulares em Londres tem provocado uma intensa pressão da Polícia Metropolitana (Met) sobre as gigantes de tecnologia Apple e Google. O principal pedido é a implementação de um bloqueio permanente dos aparelhos roubados via IMEI, impedindo seu uso em qualquer lugar do mundo. Embora as empresas já contem com sistemas de segurança avançados, elas manifestam dúvidas sobre a eficácia e os riscos das medidas sugeridas.

Esse impasse surge em um contexto preocupante, no qual smartphones são responsáveis por grande parte dos delitos na capital britânica, ampliando o debate sobre segurança digital e proteção do consumidor em escala global.

Leia mais: Starlink no Brasil: celulares compatíveis que já estão operando

A epidemia dos celulares roubados em Londres

celular seguro sinistro
Imagem: Freepik

Dados recentes indicam que dois terços dos roubos em Londres envolvem smartphones, e esses dispositivos estariam relacionados a até 70% dos crimes cometidos com facas na cidade. Esse cenário tem chamado atenção das autoridades, que buscam alternativas para conter essa escalada.

Segundo a Polícia Metropolitana, o bloqueio via IMEI, um código único que identifica cada aparelho, poderia ser a solução mais eficaz para desestimular o mercado ilegal de celulares roubados.

O que é o bloqueio por IMEI e como ele funciona?

O IMEI (International Mobile Equipment Identity) é um número exclusivo que identifica cada celular no mundo. Atualmente, no Reino Unido, as operadoras bloqueiam o IMEI dos aparelhos reportados como roubados, o que impede o uso dos dispositivos nas redes locais.

No Brasil, o governo também lançou o programa Celular Seguro, que visa notificar operadoras e empresas de tecnologia para bloquear remotamente o acesso aos dados em caso de roubo. Entretanto, Apple e Google não aderiram a essa iniciativa no país.

Por que a Polícia Metropolitana quer um bloqueio mais rigoroso?

Apesar das medidas existentes, a polícia britânica considera insuficientes as ações atuais, já que muitos aparelhos roubados são revendidos e reativados em outros países, especialmente após a violação das travas de segurança. “Relatórios apontam que cerca de 28% dos celulares roubados em Londres são enviados para a China ou Hong Kong”, destaca a Met. Além disso, desde outubro de 2023, a polícia tem solicitado que as empresas impeçam que celulares roubados ou perdidos possam se conectar a seus serviços de nuvem, como o iCloud, o que dificultaria ainda mais o uso indevido desses dispositivos.

A visão da Apple: riscos e desafios das novas propostas

Em audiência parlamentar, Gary Davis, chefe jurídico da Apple, levantou preocupações sobre a proposta de bloqueio absoluto via IMEI. Segundo ele, a atenção exclusiva a esse método poderia desviar o foco do combate a outro problema grave: o mercado de peças roubadas. “Preocupa-nos um cenário em que qualquer pessoa que alegue ser a dona do aparelho possa fazer esse tipo de solicitação”, disse Davis, ressaltando que a Apple enfrenta mais de mil tentativas de fraudes mensais.

Para a empresa, a ferramenta mais segura é o Bloqueio de Ativação, que vincula o aparelho ao Apple ID, dificultando o uso e a revenda ilegal.

O posicionamento do Google: prudência e diálogo com a indústria

Simon Wingrove, gerente de engenharia de software do Google, defendeu que mudanças no banco de dados global de IMEIs, hoje utilizado principalmente por operadoras, demandariam ampla discussão no setor para garantir segurança e eficácia.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Ele também ressaltou o investimento da empresa em tecnologias como a Proteção contra Restauração de Fábrica e o Bloqueio por Detecção de Roubo, que buscam dificultar o uso de aparelhos furtados após o roubo.

Soluções atuais das empresas para proteger usuários

Justiça impede bloqueio remoto de celulares usados para conseguir empréstimo
Imagem: eakkachaihalang – Freepik

A Apple conta com o Bloqueio de Ativação e, recentemente, reforçou sua segurança com a Proteção de Dispositivo Roubado, que requer autenticação biométrica para alterações sensíveis no celular.

Já o Google foca em sua Proteção contra Restauração de Fábrica e novos recursos que bloqueiam o aparelho após detecção de roubo, criando barreiras adicionais para os criminosos.

Desafios e perspectivas para um bloqueio global eficaz

O conflito entre a Polícia Metropolitana e as fabricantes evidencia a complexidade do problema: proteger o consumidor contra roubos e fraudes, ao mesmo tempo em que se evitam abusos e fraudes no processo de bloqueio. A criação de um sistema global, que permita o bloqueio definitivo via IMEI, precisa balancear segurança, privacidade e interoperabilidade entre países e empresas. Enquanto isso, os usuários são incentivados a utilizar todas as ferramentas disponíveis para proteger seus dispositivos.

Com informações de: Tecnoblog

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

Topicos relacionados