A empresa de segurança digital Appknox divulgou um relatório na quinta-feira (31) que acende um alerta sobre a presença de aplicativos falsos que se passam por serviços populares, como WhatsApp, ChatGPT e DALL·E, em lojas de aplicativos de terceiros.
Ataque cibernético: app clonado do ChatGPT é isca para roubar dados de milhões
Relatório da Appknox identifica apps falsos como WhatsApp Plus e ChatGPT que roubam dados e exibem anúncios. Veja como se proteger das fraudes.
O estudo mostra que, enquanto alguns desses apps apenas exibem anúncios de forma disfarçada para gerar lucro, outros operam como spywares altamente invasivos, com capacidade de coletar dados pessoais, interceptar mensagens e comprometer sistemas bancários.
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A nova onda de falsos aplicativos

A popularidade de ferramentas de inteligência artificial e comunicação instantânea tem impulsionado a criação de aplicativos falsificados, que imitam nomes e ícones de plataformas conhecidas para enganar usuários.
Segundo a Appknox, centenas de clones de apps legítimos estão disponíveis em lojas não oficiais, principalmente em sites de download fora do ecossistema Google Play e App Store.
Esses aplicativos fraudulentos prometem recursos adicionais, como versões “premium” de mensageiros ou acesso ilimitado a ferramentas de IA, mas escondem scripts maliciosos que podem:
- Roubar senhas e dados bancários;
- Monitorar conversas e ligações;
- Capturar telas e fotos;
- Instalar adware persistente, exibindo anúncios em segundo plano.
WhatsApp Plus: a ameaça mais grave identificada
Entre os aplicativos analisados, o WhatsApp Plus foi classificado como o mais perigoso.
Acesso indevido a dados pessoais
O app solicita permissões amplas no dispositivo, incluindo:
- Acesso aos contatos;
- Permissão para ler mensagens SMS;
- Autorização para gravar áudio e usar a câmera;
- Permissão para modificar configurações do sistema.
Essas permissões permitem ao aplicativo interceptar códigos de autenticação enviados por SMS, usados por bancos e redes sociais, comprometendo sistemas de autenticação em dois fatores (2FA).
“O WhatsApp Plus se comporta como um spyware completo, capaz de executar fraudes de identidade e interceptar códigos de verificação”, destaca o relatório da Appknox.
Risco a contas corporativas
A empresa aponta ainda que o WhatsApp Plus pode acessar credenciais corporativas, explorando tokens de autenticação e cookies armazenados. Isso representa risco direto para organizações que usam o WhatsApp Business ou sistemas integrados de comunicação.
ChatGPT e DALL·E: falsos apps de IA exploram o hype da inteligência artificial
A análise também detectou vários aplicativos falsos se passando por versões móveis de ferramentas da OpenAI, como o ChatGPT e o DALL·E.
Esses aplicativos prometem acesso gratuito e ilimitado à IA, mas, segundo a Appknox, não possuem qualquer integração real com a OpenAI. Em vez disso, exibem telas simuladas com anúncios ou solicitam pagamentos indevidos por serviços inexistentes.
Um dos clones identificados, por exemplo, simulava a interface do DALL·E, porém apenas mostrava imagens genéricas enquanto coletava dados de uso e exibia publicidade intrusiva.
Como esses aplicativos falsos operam
Os analistas da Appknox descrevem um padrão recorrente no funcionamento dos apps fraudulentos:
1. Engano inicial com aparência legítima
Os golpistas copiam ícones, descrições e nomes idênticos aos dos aplicativos originais.
2. Solicitação de permissões suspeitas
Após a instalação, pedem acesso a funções sensíveis, como contatos, mensagens e armazenamento, alegando ser necessário para “melhorar a experiência”.
3. Coleta e envio de dados
Esses dados são criptografados e enviados a servidores externos, geralmente hospedados fora dos EUA, dificultando a identificação dos responsáveis.
4. Exibição de anúncios e persistência
Mesmo após a exclusão, resíduos do app podem permanecer no sistema, continuando a exibir anúncios e consumir recursos do celular.
A influência da inteligência artificial nas novas fraudes
O relatório da Appknox ressalta que o avanço da inteligência artificial e o entusiasmo popular por ferramentas como o ChatGPT têm impulsionado o crescimento de aplicativos falsos com temática de IA.
Os criminosos exploram a curiosidade e a urgência dos usuários por novidades tecnológicas, criando apps falsos que prometem acesso exclusivo, versões “pro” ou recursos premium.
Essa tendência é observada especialmente em países com grande número de downloads fora das lojas oficiais, onde os sistemas de verificação são menos rigorosos.
Impactos na segurança digital
O impacto desses aplicativos vai além do roubo de dados pessoais. Eles podem:
- Infectar redes corporativas;
- Roubar tokens de acesso bancário e credenciais empresariais;
- Instalar malware de acesso remoto (RATs);
- Permitir espionagem industrial.
A Appknox alerta que muitas das campanhas detectadas são organizadas e financiadas por grupos de cibercrime internacionais, que usam técnicas de engenharia social para maximizar o alcance das fraudes.
Recomendações para usuários

A empresa emitiu um conjunto de boas práticas para evitar infecções e reduzir os riscos de exposição a aplicativos falsos:
1. Instale apenas de lojas oficiais
Evite baixar aplicativos de lojas alternativas ou links compartilhados por redes sociais. Prefira a Google Play Store, Apple App Store ou Galaxy Store.
2. Verifique o desenvolvedor
Confira sempre o nome do desenvolvedor, o número de downloads e as avaliações reais de usuários.
3. Atenção às permissões
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Desconfie de apps que pedem acesso desnecessário a contatos, SMS ou câmera.
4. Mantenha o sistema atualizado
Atualizações frequentes corrigem brechas de segurança e ajudam a bloquear a instalação de apps maliciosos.
5. Use antivírus e autenticação multifator
Ferramentas de proteção em tempo real e autenticação em dois fatores reduzem o risco de invasões e sequestros de conta.
Recomendações para empresas e equipes de TI
A Appknox também sugere medidas específicas para organizações e profissionais de segurança corporativa:
- Automatizar varreduras de vulnerabilidade em dispositivos e redes internas;
- Criar protocolos de resposta rápida para remoção de apps falsos;
- Capacitar funcionários sobre engenharia social e riscos de download fora das lojas oficiais;
- Monitorar logs e permissões suspeitas em dispositivos móveis corporativos.
Essas ações são essenciais para proteger dados sensíveis e evitar vazamentos que possam comprometer clientes e parceiros.
Casos anteriores de apps falsos
Embora a proliferação atual chame atenção, o problema não é novo. Em 2022, a empresa de segurança ESET havia identificado versões falsas do WhatsApp e Telegram distribuídas em repositórios alternativos, que roubavam senhas e gravavam chamadas de voz.
Desde então, as campanhas se tornaram mais sofisticadas, incorporando modelos de IA para simular interfaces reais e até responder a comandos de voz do usuário — o que torna a detecção ainda mais complexa.
O papel das big techs no combate aos clones
Especialistas defendem que as grandes empresas de tecnologia devem reforçar mecanismos de autenticação de marca e verificação de desenvolvedores.
A Google e a Apple têm ampliado esforços para remover aplicativos suspeitos, mas lojas alternativas e sites de terceiros continuam sendo o principal vetor de infecção.
Além disso, há cobrança para que plataformas como o X (antigo Twitter) e o Telegram adotem políticas mais rígidas contra links de download maliciosos compartilhados em grupos e canais.
Perspectiva de segurança digital em 2025

O relatório conclui que 2025 será um ano crítico para a cibersegurança móvel, com crescimento expressivo de fraudes baseadas em IA e engenharia social.
Com o avanço das tecnologias generativas, a tendência é que golpistas explorem a popularidade de novas ferramentas, como modelos de voz e imagem, para criar aplicativos falsos cada vez mais convincentes.
“A confiança dos usuários em marcas conhecidas é a principal brecha explorada por criminosos”, reforça o documento da Appknox. “Por isso, a educação digital e a prevenção tecnológica devem caminhar juntas.”
Considerações finais
O relatório da Appknox sobre aplicativos falsos representa um alerta urgente para usuários e empresas. A crescente presença de spywares e clones maliciosos que imitam plataformas como WhatsApp, ChatGPT e DALL·E mostra que o crime digital evolui na mesma velocidade da inovação tecnológica.
A recomendação é clara: instale apenas apps de fontes oficiais, verifique permissões e mantenha sistemas atualizados. Em um cenário cada vez mais conectado e automatizado, a segurança da informação é o primeiro escudo contra a fraude digital.
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