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Juros mais baixos à vista: XP aposta em Selic de 9% em cenário reformista

XP prevê 2026 com metas fiscais cumpridas, Selic em 12,50% e dólar perto de R$ 5,60–5,70. Ajuste fiscal deve ficar para 2027.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa9 min de leitura
Guarulhos

Em um ano em que eleições presidenciais normalmente pressionam os gastos públicos e aumentam o ruído político, o cenário fiscal do Brasil entra em 2026 com uma aparência de estabilidade. O ponto central, no entanto, é que essa estabilidade pode ser mais contábil do que estrutural.

Essa é a avaliação do economista-chefe da XP, Caio Megale, para quem o país deve cumprir a meta de resultado primário em 2026, mas sem resolver o principal problema: a dinâmica de crescimento das despesas obrigatórias e indexadas. Na leitura do economista, o “peso real” do ajuste ficará para 2027, quando o próximo governo (ou a próxima fase do atual mandato, se houver continuidade) terá menos espaço para postergar decisões impopulares.

A mensagem principal, portanto, é clara: 2026 tende a ser um ano de relativa previsibilidade macroeconômica, mas com riscos fiscais e políticos represados para o período seguinte. Em entrevista, Megale sustenta que o arcabouço fiscal atual não é, sozinho, suficiente para estabilizar a dívida pública no longo prazo.

A seguir, confira os principais pontos do cenário traçado pela XP para juros, inflação, câmbio, crescimento e contas públicas, além dos fatores que podem mudar o jogo no segundo semestre.

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2026: metas cumpridas, mas com déficit relevante

O que a XP projeta para o resultado primário

A XP estima que o Brasil encerrará 2026 com déficit primário de R$ 45 bilhões, número que ainda assim permitiria cumprir a meta formal, segundo a avaliação do economista-chefe. Isso acontece porque o desenho da regra fiscal conta com exceções e exclusões, como parte de precatórios e algumas despesas parafiscais, o que torna o alvo mais “alcançável” do ponto de vista técnico.

Megale ressalta que o governo tem trabalhado com um modelo baseado em duas alavancas:

  • despesas estruturais crescendo para sustentar estímulos e políticas públicas
  • arrecadação batendo recordes para compensar o aumento dos gastos

Esse modelo, por ora, está funcionando e tem apoio do Congresso quando o assunto é aumento de receitas. Um exemplo citado é o pacote de mudanças que ampliou a arrecadação e incluiu discussões envolvendo benefícios tributários e medidas ligadas ao JCP, somando cerca de R$ 20 bilhões.

O risco fiscal imediato é baixo?

No curtíssimo prazo, a leitura é de risco fiscal baixo. Megale afirma que o tema das contas públicas não deve ser a principal fonte de instabilidade agora, justamente porque as metas de 2026 parecem equacionadas.

Mas isso não significa tranquilidade total.

O que preocupa é a fotografia de fundo:

  • déficits primários continuam relevantes
  • dívida pública cresce cerca de 2 a 3 pontos percentuais por ano

Ou seja: cumpre-se a meta, mas a trajetória da dívida continua ascendente, indicando que o arcabouço fiscal pode estar servindo mais como uma “âncora temporária” do que como solução definitiva.

Eleições e gastos: por que 2026 pode ser um “ano de estabilidade artificial”

O efeito eleição no orçamento

Historicamente, anos eleitorais no Brasil têm maior propensão a:

  • expansão de despesas discricionárias
  • aceleração de anúncios e programas
  • ampliação do uso político do orçamento
  • medidas de estímulo com timing eleitoral

Por isso, o consenso de mercado costuma apontar para volatilidade no câmbio, nos juros longos e no risco-país.

O argumento da XP, porém, é que o governo deve conseguir atravessar 2026 com relativa estabilidade, não por virtude estrutural, mas porque:

  • a regra fiscal permite cumprir a meta mesmo com déficit
  • a arrecadação ainda deve permanecer forte
  • haverá margem de manobra via gestão de caixa e bloqueios pontuais

Assim, o “debate duro” sobre sustentabilidade fica para o primeiro ano do próximo mandato.

Um contingenciamento pequeno pode bastar em 2026

Bloqueio de R$ 5 bi a R$ 10 bi

A XP estima que, caso haja necessidade de aperto para garantir o cumprimento da meta, bastaria um bloqueio (ou contingenciamento) relativamente modesto entre R$ 5 bilhões e R$ 10 bilhões. Megale diz que essa gestão é “tranquila” para o governo no contexto de execução orçamentária.

Esse ponto chama atenção porque, em outros ciclos econômicos, o mercado frequentemente discutia riscos de cortes bem mais amplos para alcançar metas.

Mas aqui o pano de fundo é outro: o sistema está funcionando com base em aumento de receita, e não necessariamente em cortes profundos de despesas.

O verdadeiro problema está nas despesas

Receita não é o gargalo

Megale afirma que, para 2026, o Brasil deve bater recordes de arrecadação, impulsionado tanto por medidas aprovadas quanto pela resiliência do PIB.

Ainda assim, o governo terá pouca margem de manobra. O motivo é conhecido por economistas e técnicos do orçamento:

  • despesas obrigatórias crescem automaticamente
  • benefícios são altamente indexados
  • vinculações constitucionais reduzem flexibilidade

O que pode entrar na pauta em 2027

Na visão do economista, o ponto de virada é 2027: o país terá de discutir temas como:

Revisão de mínimos constitucionais (saúde e educação)

Essas vinculações voltaram a pressionar o orçamento público, limitando a realocação de recursos conforme prioridades conjunturais.

Indexação de benefícios ao salário mínimo

Principalmente no caso da Previdência, o mecanismo de reajuste cria pressão contínua.

A conclusão: sem mexer no grau de vinculação e rigidez, a dívida tende a continuar subindo de forma insustentável.

Selic em 12,50% no fim de 2026: o que sustenta essa projeção

Cinco cortes de 0,50 p.p.

A XP projeta que a taxa Selic terminará 2026 em 12,50%, com cinco cortes sucessivos de 0,50 ponto percentual.

O raciocínio do economista é que o Banco Central tem espaço para retirar o “extra aperto” aplicado anteriormente, levando a uma redução total de 2,5 a 3 pontos percentuais ao longo do ano.

Ainda assim, Megale chama atenção: 12,50% continua sendo juro real alto, especialmente considerando inflação próxima de 4,5%.

E se 2027 for reformista? Selic pode voltar para um dígito

Cenário otimista: reformas profundas

Caso o governo sinalize reformas no segundo semestre e o próximo ciclo presidencial traga uma agenda mais reformista, Megale aponta que pode existir espaço para:

  • Selic em torno de 11%
  • ou até 9,5% no ano seguinte

Em outras palavras: o juro baixo dependerá menos da inflação e mais do fiscal.

Cenário base: ajuste insuficiente

Sem sinalizações claras, o Banco Central tende a ser mais cauteloso, estacionando nos 12,50% por mais tempo.

Inflação em 4%: por que a XP ficou mais otimista

A projeção da XP para a inflação de 2026 foi revisada de 4,2% para 4%, sustentada por dois vetores:

  • melhora em alimentos
  • bens duráveis impactados por importações mais baratas (China)

Ainda assim, Megale ressalta que o mundo pode não repetir em 2026 a mesma dinâmica desinflacionária de 2025. O cenário para alimentos e industrializados pode voltar a pressionar no 2º semestre.

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PIB de 1,7%: crescimento moderado, estímulos pontuais

O consumo deve vir mais da renda do que do crédito

A XP projeta PIB em 1,7%, com viés de alta se novos estímulos ganharem tração. O economista cita fatores como:

  • aumento da faixa de isenção do IR e outros estímulos diretos
  • possível avanço do crédito consignado privado
  • apoios ao mercado imobiliário

Mas do outro lado, o endividamento das famílias limita o ritmo. E, segundo Megale, o consumo em 2026 tende a ser sustentado mais por renda corrente e transferências do que por crédito, que demora a reagir mesmo com cortes de juros.

Dólar em R$ 5,60 a R$ 5,70: por que o câmbio deve “andar de lado”

Diferencial de juros não necessariamente piora o câmbio

Com o início do ciclo de cortes da Selic, muitos investidores se perguntam: o dólar pode disparar?

A leitura da XP é que o mercado já precificou grande parte do movimento. Se os cortes ocorrerem com respaldo técnico e um cenário mais equilibrado, isso pode reduzir prêmios e até atrair capital.

A projeção de câmbio da XP é de R$ 5,60 a R$ 5,70, e o patamar de R$ 5,50 é descrito como ponto de equilíbrio.

Ruído eleitoral deve existir, mas sem mudar tendência estrutural

Segundo o economista:

  • notícias políticas podem causar “chacoalhões”
  • mas não definem a tendência estrutural do câmbio

O que definirá o preço no longo prazo será a sustentabilidade fiscal e a perspectiva de reformas para 2027.

O “molho” do 2º semestre: Fed, China e Brasília

Para o investidor, Megale descreve 2026 como um ano de “so far, so good”, com riscos controlados no horizonte mais imediato:

  • inflação dentro do intervalo
  • PIB moderado
  • fiscal garantido por receitas extraordinárias

Mas os riscos aumentam no segundo semestre, quando variáveis externas e políticas ganham peso:

  • decisões do Federal Reserve (Fed)
  • cenário da China
  • e principalmente a agenda doméstica que será construída para 2027

A recomendação implícita é: aproveitar o cenário mais claro do curto prazo, mas com atenção máxima ao que pode mudar rapidamente, sobretudo em ano eleitoral.

O que essa leitura significa na prática para o Brasil e para o bolso do investidor

Apesar de ser um tema macroeconômico, o diagnóstico da XP mexe diretamente com o dia a dia:

  • Selic alta prolongada mantém crédito caro
  • dívida pública crescente pressiona juros longos (IPCA+ e prefixados)
  • câmbio em patamar elevado continua influenciando inflação e consumo
  • aumento de arrecadação indica que a carga tributária pode seguir no radar

O Brasil chega a 2026 com a chance de apresentar um quadro menos turbulento do que o esperado, mas isso não deve ser confundido com solução. Se o arcabouço fiscal permite “administrar” 2026, 2027 deve ser o teste de estresse definitivo, quando a política econômica não terá mais como fugir de reformas nas despesas.

Ao fim, as eleições funcionam como um amplificador: antecipam volatilidade, mas também aceleram a necessidade de respostas.

Conclusão

O Brasil deve atravessar 2026 com metas fiscais cumpridas e relativa previsibilidade nos indicadores, impulsionado por arrecadação elevada e ajustes pontuais no orçamento. Ainda assim, a avaliação da XP é que o arcabouço fiscal não resolve o problema estrutural das contas públicas, apenas adia decisões mais duras. Com isso, 2027 tende a concentrar o verdadeiro desafio: enfrentar a rigidez das despesas e conter a trajetória de alta da dívida.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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