Em maio de 2025, a arrecadação federal alcançou R$ 230,2 bilhões, conforme números oficiais da Receita Federal divulgados nesta quinta-feira (26).
Brasil bate recorde: arrecadação federal atinge R$ 230,2 bi em maio
Brasil atinge arrecadação histórica de R$ 230,2 bilhões em maio, revela Receita Federal. Crescimento real foi de 7,7% em relação a 2024.
O resultado marca um novo recorde para meses de maio dentro da série histórica iniciada em 1995, refletindo o bom desempenho da economia e a eficiência na captação de tributos. O avanço também reforça a trajetória positiva dos cofres públicos no decorrer de 2025, com um total acumulado de R$ 1,2 trilhão entre janeiro e maio — crescimento significativo frente ao mesmo intervalo de 2024.
Arrecadação de janeiro a maio ultrapassa R$ 1,2 trilhão

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Crescimento no acumulado anual
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2025, a arrecadação federal teve um crescimento real de aproximadamente 4% na comparação com o mesmo período de 2024, quando o montante somava R$ 1,1 trilhão.
Segundo a Receita, o bom desempenho é fruto de fatores macroeconômicos, do comportamento de tributos ligados ao comércio exterior e do aumento da arrecadação com o Imposto de Renda sobre ganhos de capital — fortemente influenciado pela elevação da taxa básica de juros (Selic) nos últimos meses.
Efeitos da alta da Selic
O Imposto de Renda sobre ganhos de capital teve destaque especial no relatório apresentado. A taxa Selic mais alta tem elevado os rendimentos de aplicações financeiras e, consequentemente, a base de arrecadação sobre esse tipo de rendimento.
Comércio exterior impulsiona receita
Alta nas importações e câmbio valorizado
O desempenho dos tributos sobre o comércio exterior também teve papel relevante no resultado positivo. De acordo com Marcelo Gomide, coordenador de previsão e análise da Receita, três fatores se destacaram: o maior volume de importações, a valorização da taxa de câmbio e o aumento das alíquotas médias incidentes sobre os produtos importados.
O fenômeno identificado pela Receita mostra que, mesmo sem mudanças formais na estrutura tributária, a composição das importações pode impactar significativamente a arrecadação.
Ausência de fatores atípicos reforça solidez do resultado
Ao contrário do que ocorreu em 2024, o mês de maio de 2025 não apresentou fatores atípicos que distorcessem os dados de arrecadação. Em anos anteriores, elementos extraordinários, como a tributação de fundos exclusivos ou postergações tributárias em regiões afetadas por calamidades, influenciaram os números.
Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, afirmou que a ausência desses fatores excepcionais neste ano reforça a confiabilidade do desempenho observado.
Derrubada do aumento do IOF gera incertezas
Decisão do Congresso e impacto fiscal
Apesar do recorde em maio, o cenário para os próximos meses é de alerta. O Congresso Nacional derrubou três decretos presidenciais que aumentavam a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), medida que representaria uma arrecadação adicional de cerca de R$ 10 bilhões em 2025.
A revogação dos decretos foi confirmada pelo Senado na quarta-feira (25), após aprovação na Câmara dos Deputados. O governo considera a decisão uma derrota expressiva e já admite que será necessário reforçar o contingenciamento de gastos no Orçamento de 2025.
Perspectivas para o segundo semestre

Desafios fiscais
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Apesar dos bons números apresentados até maio, os desafios fiscais para o segundo semestre permanecem relevantes. A equipe econômica monitora o comportamento da arrecadação diante das incertezas políticas e da possibilidade de novos entraves legislativos relacionados à carga tributária.
O governo também terá que lidar com as consequências da perda de arrecadação do IOF, o que pode exigir novas medidas de compensação para cumprir a meta fiscal estabelecida.
Fatores que podem influenciar os resultados
Além dos desdobramentos políticos, o desempenho da economia — especialmente do consumo interno, da inflação e da política monetária — será determinante para a trajetória da arrecadação nos próximos meses. Com a Selic em patamar elevado, há potencial de manutenção da arrecadação de renda financeira, mas também risco de desaquecimento do consumo.
FAQ – Perguntas frequentes
Qual foi o valor arrecadado pelo governo federal em maio de 2025?
A arrecadação federal somou R$ 230,2 bilhões em maio, o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995.
O que explica o crescimento da arrecadação?
O crescimento foi impulsionado pela atividade econômica, pela arrecadação sobre ganhos de capital — beneficiada pela Selic alta — e pelo aumento da receita com tributos sobre importações.
Considerações finais
O recorde de arrecadação federal em maio de 2025 é um indicativo da força da economia brasileira em meio a um cenário de incertezas políticas. A consolidação dos números reforça a necessidade de equilíbrio entre arrecadação e gasto público, especialmente diante da pressão sobre o Orçamento. A queda do IOF coloca à prova a capacidade do governo de manter as metas fiscais sem recorrer a novas fontes de receita ou cortes adicionais. O segundo semestre será decisivo.
