Recentes descobertas científicas estão trazendo esperança para a prevenção do câncer colorretal, uma das formas mais comuns e letais da doença.
Estudo revela: remédio doméstico pode ter efeito promissor contra o câncer
Estudo indica que a aspirina pode reduzir em 18% o risco de câncer colorretal. Veja como funciona e quem pode se beneficiar.
Um estudo conduzido pelo hospital Mass General Brigham, em Boston, e publicado na JAMA Oncology, revelou que o uso regular de um remédio pode estar associado a uma redução significativa no risco desse tipo de câncer.
Os resultados apontam que pessoas que consomem aspirina regularmente podem ter até 18% menos chance de desenvolver câncer colorretal, especialmente aqueles com hábitos de vida menos saudáveis.
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O que o estudo descobriu sobre a aspirina e o câncer colorretal?

O estudo acompanhou cerca de 107 mil indivíduos ao longo de 30 anos, oferecendo uma visão abrangente sobre o potencial preventivo da aspirina contra o câncer colorretal.
Os pesquisadores observaram que tanto a aspirina em doses baixas quanto em doses padrão pode estar ligada a uma redução expressiva na incidência desse câncer. Entre os principais achados do estudo estão:
- Redução de até 18% no risco de câncer colorretal entre os usuários regulares de aspirina.
- Melhores resultados em pessoas com estilos de vida menos saudáveis, que tradicionalmente apresentam maior risco de desenvolver a doença.
- Potencial de prevenção mesmo em indivíduos que não adotam dietas saudáveis ou que têm hábitos como tabagismo e consumo excessivo de álcool.
Como a aspirina age na prevenção do câncer?
A eficácia da aspirina na prevenção do câncer colorretal parece estar relacionada a seus efeitos anti-inflamatórios.
Esse medicamento é conhecido por reduzir a produção de prostaglandinas, substâncias que promovem a inflamação e estão ligadas ao desenvolvimento de tumores. Veja como esse mecanismo funciona:
1. Redução das prostaglandinas
As prostaglandinas são compostos que, além de causarem inflamação, também estimulam a multiplicação celular descontrolada, um dos principais processos que levam ao câncer. A aspirina atua inibindo a enzima ciclooxigenase-2 (COX-2), responsável pela produção dessas moléculas.
2. Interferência na multiplicação celular
Além de reduzir a inflamação, a aspirina pode interferir em diversas vias celulares que favorecem a proliferação descontrolada das células cancerígenas, ajudando a impedir a formação de tumores.
3. Fortalecimento do sistema imunológico
Estudos indicam que a aspirina também pode estimular o sistema imunológico, tornando-o mais eficiente na detecção e destruição de células cancerosas.
4. Inibição da angiogênese
Outro mecanismo potencialmente importante é a capacidade da aspirina de inibir a angiogênese, o processo de formação de novos vasos sanguíneos que alimentam tumores em crescimento.
Quem pode se beneficiar mais do uso regular de aspirina?
Os dados do estudo sugerem que alguns grupos podem se beneficiar mais do uso preventivo de aspirina, incluindo:
- Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal.
- Indivíduos com hábitos de vida menos saudáveis, como fumantes, consumidores de álcool em excesso e sedentários.
- Aqueles que mantêm uma dieta pobre em fibras e rica em alimentos processados.
Apesar dos potenciais benefícios, é essencial que o uso regular de aspirina seja avaliado cuidadosamente, pois também apresenta riscos, como sangramentos gastrointestinais e úlceras estomacais.
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Riscos e cuidados no uso de aspirina como prevenção
Embora os resultados sejam promissores, é importante lembrar que a aspirina não é um medicamento inofensivo. Seus efeitos colaterais podem incluir:
- Sangramentos internos, especialmente no trato digestivo.
- Aumento do risco de úlcera gástrica.
- Reações alérgicas em pessoas sensíveis ao medicamento.
- Interação com outros medicamentos, como anticoagulantes.
Recomendação médica é essencial
Antes de iniciar o uso regular de aspirina como medida preventiva, é fundamental consultar um profissional de saúde para avaliar os riscos e benefícios, levando em conta o histórico médico pessoal e familiar.
Aspirina: uma aliada promissora, mas com cautela

Embora os resultados do estudo tragam otimismo, a prevenção do câncer colorretal não deve se basear exclusivamente no uso de medicamentos. Uma combinação de dieta saudável, exercícios regulares e exames de rotina continua sendo a abordagem mais eficaz para reduzir o risco da doença.
Próximos passos na pesquisa sobre aspirina e câncer
Novos estudos estão explorando o uso da aspirina em combinação com outros medicamentos anti-inflamatórios, buscando entender se há efeitos sinérgicos na redução do risco de câncer.
Até que esses resultados estejam disponíveis, é prudente adotar uma visão equilibrada e informada sobre os potenciais benefícios e riscos do uso prolongado de aspirina.
Imagem: Myriams-Fotos / Pixabay
