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Fraude no INSS: dirigentes também recebiam valores do Bolsa família

Investigação da PF revela que dirigentes de associações suspeitas de fraudes bilionárias no INSS eram beneficiários de programas sociais.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
INSS

A Polícia Federal (PF) identificou que cinco dirigentes de associações investigadas por envolvimento em um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estavam inscritos em programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família, o Auxílio Brasil e o Cadastro Único (CadÚnico). O caso levanta suspeitas sobre o uso dessas lideranças para encobrir os reais controladores das entidades.

Inquérito revela fragilidade socioeconômica das líderes

Celular com logo INSS e calculadora, caneta e cédulas brasileiras ao redor.
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

As investigações conduzidas em Brasília revelam que todas as dirigentes identificadas são mulheres, quatro delas idosas. Apesar de ocuparem cargos de presidência em entidades que movimentam grandes volumes de recursos públicos, elas figuram em registros como pessoas de baixa renda e com histórico de recebimento de auxílios sociais.

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Quem são as dirigentes envolvidas

1. Maria Ferreira da Silva (88 anos)

  • Presidente da AAPB desde novembro de 2021
  • Aposentada desde 2003

2. Maria Liduina Pereira de Oliveira (56 anos)

  • Presidente da AAPB desde fevereiro de 2022
  • Recebeu o Bolsa Família até outubro de 2015

3. Maria Eudenes dos Santos (65 anos)

  • Presidente da ABSP/AAPEN desde novembro de 2022
  • Recebeu o benefício do Bolsa Família até julho de 2021, sendo posteriormente incluída no Auxílio Brasil, do qual foi beneficiária até fevereiro de 2022

4. Francisca da Silva de Souza (71 anos)

  • Presidente da ABSP/AAPEN desde janeiro de 2024
  • Aposentada desde 2013
  • Recebeu o Bolsa Família até outubro de 2015

5. Valdira Prado Santana Santos (79 anos)

  • Presidente da Universo desde janeiro de 2021
  • Cadastrada no CadÚnico

Suspeita de uso de “laranjas”

O relatório da PF destaca que as condições de vulnerabilidade das dirigentes levantam suspeitas sobre sua real capacidade de gestão frente às associações. Há indícios de que essas mulheres foram colocadas como “laranjas” no comando das entidades para ocultar os verdadeiros articuladores do esquema.

Três associações no centro do esquema

AAPB – Associação dos Aposentados e Pensionistas Brasileiros

A AAPB afirma atuar em todo o Brasil e representa aposentados e pensionistas do INSS. Contudo, a estrutura administrativa apresentada é considerada incompatível com o porte da entidade.

ABSP/AAPEN – Associação Brasileira dos Servidores Públicos / Associação dos Aposentados e Pensionistas do Nacional

A ABSP/AAPEN também é investigada por se apresentar como entidade nacional, mas sem evidências de atuação consolidada nos municípios em que alega presença.

UNIVERSO – Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral e Próprio da Previdência Social

Envolvida na administração de descontos em contracheques de aposentados e pensionistas, a Universo também não demonstra ter estrutura operacional compatível com o volume de recursos movimentados.

Atuação em mais de 4.000 municípios é questionada

Segundo a Polícia Federal, as três entidades alegavam atuar em mais de 4.000 municípios brasileiros. No entanto, não há comprovação de sedes físicas, equipes técnicas ou ações efetivas em parte significativa dessas localidades.

Fraudes envolvem descontos ilegais e convênios com o INSS

O esquema investigado teria permitido a aplicação de descontos indevidos em aposentadorias e pensões por meio de acordos de cooperação técnica firmados junto ao INSS. As associações teriam se beneficiado desses convênios para obter dados dos beneficiários e impor mensalidades sem autorização clara dos segurados.

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Repercussão e próximos passos da investigação

Fachada do edifício sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde se lê "Previdência Social".
Imagem: Rafastockbr / shutterstock.com

As investigações da Polícia Federal continuam em andamento. O objetivo é identificar os reais beneficiários do esquema e quantificar os prejuízos causados aos cofres públicos. A suspeita é de que os recursos desviados superem R$ 1 bilhão, envolvendo milhares de beneficiários lesados.

A Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) também acompanham o caso, que pode gerar desdobramentos em outras instâncias do Poder Judiciário e resultar em responsabilizações civis, penais e administrativas.

FAQ – Perguntas frequentes

Quem são as presidentes investigadas?

Cinco mulheres, com idades entre 56 e 88 anos, que estavam inscritas em programas sociais como o Bolsa Família e o Auxílio Brasil.

Qual o papel do CadÚnico na investigação?

O CadÚnico revelou que as dirigentes das associações possuíam renda familiar per capita compatível com situação de vulnerabilidade, o que levanta suspeitas sobre sua real condição de liderança nas entidades.

O INSS é alvo da investigação?

Embora o foco sejam as associações, os acordos de cooperação com o INSS também são alvo de apuração, uma vez que podem ter facilitado a ação das entidades investigadas.

Qual a extensão dos danos causados pelas fraudes?

Ainda não há valor oficial confirmado, mas as suspeitas iniciais indicam desvios que podem ultrapassar R$ 1 bilhão em recursos públicos.

Considerações finais

A continuidade das investigações e o aprofundamento da análise sobre o papel dessas associações serão cruciais para evitar que o sistema previdenciário brasileiro continue sendo alvo de esquemas que, além de ilegais, comprometem a credibilidade de políticas públicas voltadas à proteção social.

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Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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