No terceiro trimestre do ano passado (período encerrado em setembro), um terço dos trabalhadores brasileiros estava recebendo até um salário mínimo. Isso significa que 27,3 milhões de pessoas recebiam até R$ 998 mensais. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, e foram compilados pela IDados. Fora isso, aumentou a diferença entre demitidos e admitidos, ou seja, as empresas estão demitindo quem recebe mais para contratar quem aceita um salário menor.

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Famílias brasileiras começaram 2020 com menos dívidas

Alguns dos motivos para tantos trabalhadores brasileiros recebendo menos de 1 salário mínimo é a lenta retomada da economia e o número ainda grande de desempregados no país. Quando a recessão começou no Brasil, no início de 2014, havia meio milhão de pessoas a menos recebendo o salário mínimo. Já no auge da crise, em 2015, 1,8 milhão de pessoas a menos recebia esse valor.

Muitos desses trabalhadores que ganhavam menos de mil reais por mês também viviam na informalidade, ou seja, mais de 20 milhões de brasileiros. Somente 6,2 milhões tinham carteira assinada nesse grupo dos que recebiam até um salário mínimo. A informalidade vem crescendo no Brasil, com as empresas utilizando do grande desemprego para oferecer menos benefícios e os trabalhadores encontrando caminhos para fazer uma renda fora da CLT.

No terceiro trimestre do ano passado, mais de 24 milhões de brasileiros trabalhavam por conta própria, com a taxa de informalidade alcançando 41,4% do mercado de trabalho. O país bateu recorde no ano passado de número de trabalhadores da iniciativa privada sem ter carteira assinada: 11,795 milhões de pessoas.

MEI pode ser uma forma de sair da informalidade e aumentar sua remuneração

Uma forma dessas pessoas saírem da informalidade é fazendo um MEI e se tornando microempreendedores individuais. Assim, podem contribuir para a previdência e ter acesso a direitos como auxílio maternidade, auxílio em caso de doença e aposentadoria (correspondente ao salário mínimo).

A pesquisadora da IDados, Ana Tereza Pires, também ressaltou a informalidade: “O aumento da informalidade realmente levou mais trabalhadores no mercado a ganhar menos. As pessoas perderam a proteção que o mínimo representa e, por sobrevivência, aceitaram qualquer oportunidade”, disse em entrevista. O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, deu seu parecer sobre o assunto: “Sem um compromisso com o crescimento do país e políticas de inserção, o engenheiro vai continuar dirigindo Uber”.

As regiões que mais sofreram esse aumento de trabalhadores ganhando o mínimo foram principalmente o Sudeste, com agora tem 859,4 mil pessoas a mais ganhando até R$ 998 em 2019 e o Norte, onde esse grupo aumentou em 306,1 mil trabalhadores. Ainda que no Nordeste esse número não tenha aumentado, lá eram 55% das pessoas que recebiam esse valor no ano passado.

Para 2020, o salário mínimo passou a ser R$ 1.045. Segundo muitos especialistas, esse valor não é o suficiente para cobrir os gastos de uma família. De acordo com o Dieese, o valor do salário mínimo em dezembro deveria ser de R$ 4.342,57.  O departamento chegou a esse valor ao calcular o valor de dezembro para serviços básicos, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, roupas, higiene, transporte e aposentadoria. Na capital carioca, por exemplo, o valor da cesta básica era de R$ 516,91, ou seja, mais da metade do salário mínimo do ano passado.

Menos valorização ao estudo

No Brasil ainda aumentou o número de pessoas com mais anos de estudo que estão aceitando a informalidade ou um salário menor. Nos últimos cinco anos, aumentou o grupo de trabalhadores com ensino médio e superior que estão recebendo até um salário mínimo. Essas pessoas que estudaram estão ocupando vagas que eram destinadas a trabalhadores com menor escolaridade.

Segundo o Dieese, em 2018 a porcentagem de pessoas que saíam da faculdade e não conseguiam arrumar emprego era de 13,8%. Naquele ano, somente 35% dos jovens graduados atuava em cargos que de fato exigiam uma formação acadêmica. A remuneração média dessas pessoas também não era alta dois anos atrás, sendo de R$ 2.637. No ano passado, mais de um terço dos desempregados brasileiros tinha entre 18 e 24 anos.

Esse número revela a importância de se aproveitar o período da faculdade para acumular bagagem profissional, pois muitos jovens saem da graduação com pouca experiência. Fazer estágios, trabalhos voluntários e freelances pode ajudar a melhorar o currículo e conseguir as primeiras experiências no mercado de trabalho formal.

Também são importantes para conseguir as primeiras oportunidades profissionais a pontualidade na entrevista, a vestimenta e a cordialidade. Enquanto se está desempregado, é fundamental investir em adquirir novos conhecimentos, seja por trabalhos pontuais ou fazendo cursos, que podem ser presenciais ou online. São formas de aumentar o valor de mercado e sair desse grupo de graduados que está recebendo até um salário mínimo no Brasil.

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Imagem: Helissa Grundemann, via Shutterstock.