O Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) aprovou nesta terça-feira (25) um novo aumento na taxa máxima de juros do consignado para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O percentual subiu de 1,80% ao mês para 1,85% ao mês, tornando-se o segundo reajuste consecutivo no governo Lula.
Essa mudança reflete o cenário econômico atual, especialmente a alta da taxa Selic, que influencia diretamente o custo do crédito no país. Com isso, aposentados e pensionistas que dependem dessa modalidade de financiamento podem sentir um impacto significativo no valor final de suas parcelas. Especialistas alertam para a necessidade de cautela ao contratar novos empréstimos, pois a tendência de alta dos juros do consignado pode continuar nos próximos meses.
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Mudança acompanha a alta da Selic

A decisão do CNPS segue a tendência da taxa básica de juros, a Selic, que influencia diretamente o custo do crédito no país. Desde setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vem elevando a Selic para conter a inflação.
O ministro da Previdência, Carlos Lupi, explicou que a medida foi antecipada para evitar um impacto ainda maior caso a taxa básica de juros continue subindo nos próximos meses.
“Já teve dois aumentos da Selic, vão ser três. Se a gente aguardar o terceiro aumento, a pancada pode ser maior para o aposentado”, afirmou o ministro.
Os novos valores começam a valer cinco dias úteis após a publicação oficial da resolução do Conselho.
Histórico das taxas de juros do consignado
Nos últimos anos, o teto dos juros do consignado passou por diversas alterações. No início de 2023, a taxa estava em 1,70% ao mês, e ao longo de 2024 caiu para 1,66% antes de começar a subir novamente em 2025.
Tabela: evolução do teto de juros do consignado e da Selic
| Data | Taxa consignado (% ao mês) | Taxa Selic (% ao ano) |
|---|---|---|
| 06/12/21 | 2,14% | 7,75% |
| 13/03/23 | 1,70% | 13,75% |
| 28/03/23 | 1,97% | 13,75% |
| 17/08/23 | 1,91% | 13,25% |
| 11/10/23 | 1,84% | 12,75% |
| 04/12/23 | 1,80% | 12,25% |
| 11/01/24 | 1,76% | 11,75% |
| 28/02/24 | 1,72% | 11,25% |
| 24/04/24 | 1,68% | 10,75% |
| 28/05/24 | 1,66% | 10,50% |
| 09/01/25 | 1,80% | 12,25% |
| 25/03/25 | 1,85% | 14,25% |
Impacto para aposentados e pensionistas

O aumento da taxa de juros do consignado encarece o custo do crédito para aposentados e pensionistas, que representam uma parcela significativa dos tomadores desse tipo de empréstimo.
O crédito consignado é uma modalidade popular entre os beneficiários do INSS porque possui juros mais baixos do que outras formas de financiamento, como o cartão de crédito ou o cheque especial. No entanto, com a alta da Selic, os bancos justificam o reajuste das taxas para equilibrar seus custos operacionais.
Especialistas recomendam que aposentados avaliem com cautela a contratação de novos empréstimos, considerando o impacto da taxa de juros sobre o valor final da dívida.
Como calcular o impacto do aumento dos juros?
Com a nova taxa de 1,85% ao mês, um aposentado que contratar um empréstimo de R$ 10.000 poderá pagar cerca de R$ 218 por mês em uma simulação de 60 parcelas. Antes, com a taxa de 1,80%, essa parcela seria de aproximadamente R$ 216.
Embora a diferença pareça pequena no curto prazo, ao longo dos anos o aumento pode representar um custo significativo para os tomadores de crédito.
Perspectivas para o futuro

Com a expectativa de novos aumentos na taxa Selic, o cenário para o crédito consignado pode continuar incerto nos próximos meses. O Banco Central indicou que seguirá monitorando a inflação para definir os próximos passos da política monetária.
Já o governo tem se mostrado preocupado com os impactos da alta dos juros sobre aposentados e pensionistas, buscando equilibrar a necessidade de ajuste financeiro dos bancos com a proteção aos beneficiários do INSS.
O que aposentados podem fazer?
Diante desse cenário, especialistas recomendam:
- Evitar contratar novos empréstimos a menos que seja estritamente necessário.
- Comparar as taxas entre diferentes instituições financeiras antes de fechar um contrato.
- Considerar alternativas, como renegociação de dívidas ou buscar apoio financeiro com familiares.
- Acompanhar as movimentações da Selic para entender possíveis futuras mudanças nas taxas de juros.
Conclusão
O aumento da taxa de juros do consignado para 1,85% ao mês reflete a alta da Selic e impacta diretamente aposentados e pensionistas. Com a tendência de elevação da taxa básica de juros, é importante que os beneficiários do INSS fiquem atentos às condições de crédito e avaliem bem antes de assumir novos compromissos financeiros.
