A Câmara dos Deputados voltou a discutir a atualização dos limites do Simples Nacional, medida que pode alterar significativamente a realidade de milhões de microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte em todo o país.
Correção dos limites do Simples pode mudar tributação de pequenos negócios
Câmara discute aumento do limite do Simples Nacional e do MEI. Entenda impactos para pequenos negócios e tributação.
O debate ocorre em torno do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108/21, que propõe reajustar os tetos de faturamento do regime tributário simplificado após anos sem atualização oficial.
A proposta ganhou força em 2026 diante da pressão de empresários, especialistas e entidades ligadas ao empreendedorismo, que alertam para os efeitos da inflação acumulada desde 2018 sobre os pequenos negócios brasileiros.
Segundo especialistas, a ausência de correção nos limites vem empurrando empresas para faixas maiores de tributação, mesmo sem aumento real de lucro.
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O que é o Simples Nacional
O Simples Nacional é um regime tributário criado para simplificar o pagamento de impostos por pequenos negócios no Brasil.
O sistema unifica diversos tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia de pagamento.
Entre os principais objetivos do Simples estão:
- Reduzir burocracia;
- Facilitar a formalização;
- Incentivar pequenos empreendedores;
- Diminuir custos administrativos;
- Estimular geração de empregos.
O regime atende:
- Microempreendedores Individuais (MEIs);
- Microempresas (ME);
- Empresas de Pequeno Porte (EPP).
Projeto propõe aumento dos limites do MEI e empresas
O relator do projeto na comissão especial da Câmara, Jorge Goetten, sinalizou mudanças importantes nos valores máximos de faturamento.
Novos limites em discussão
A proposta prevê:
- MEI: de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil anuais;
- Microempresa: de R$ 360 mil para R$ 869 mil;
- Empresa de pequeno porte: de R$ 4,8 milhões para R$ 8,6 milhões.
Caso aprovadas, as mudanças representariam uma das maiores atualizações já realizadas no sistema.
Por que o reajuste do Simples Nacional virou prioridade
O principal argumento favorável à atualização envolve os impactos da inflação acumulada nos últimos anos.
Desde 2018, as tabelas de enquadramento do Simples permanecem praticamente congeladas.
Segundo especialistas, isso gerou o chamado “efeito degrau” tributário.
O que é o “efeito degrau” no Simples Nacional
O fenômeno, conhecido internacionalmente como bracket creep, ocorre quando a inflação aumenta apenas o faturamento nominal das empresas, sem crescimento real do lucro.
Na prática, o empreendedor:
- Passa para uma faixa tributária maior;
- Paga mais impostos;
- Pode até perder o direito ao Simples;
- Mesmo sem aumento real de renda.
Exemplo prático
Imagine um pequeno comércio que faturava R$ 78 mil em 2018.
Com reajustes de preços causados pela inflação, o negócio passa a faturar R$ 90 mil em 2026, mas sem crescimento efetivo no lucro.
Nesse cenário, o empreendedor pode ultrapassar o limite atual do MEI apenas por efeito inflacionário.
Pequenos negócios lideram geração de empregos no Brasil
Dados citados durante o debate na Câmara mostram a importância econômica dos pequenos negócios.
Segundo o Sebrae, aproximadamente 80% das vagas de emprego criadas no Brasil em 2025 vieram de empresas enquadradas no Simples Nacional.
Além disso:
- O Brasil possui cerca de 16 milhões de MEIs;
- Pequenos negócios representam grande parte da economia informal formalizada;
- Microempresas movimentam setores essenciais do comércio e serviços.
Os números reforçam o peso do empreendedorismo de pequeno porte na economia brasileira.
Atualização pode aliviar pressão tributária
Especialistas avaliam que o reajuste dos limites pode trazer benefícios importantes para pequenos empresários.
Possíveis impactos positivos
Entre os efeitos esperados estão:
- Redução da exclusão do Simples;
- Menor pressão tributária;
- Incentivo à formalização;
- Mais previsibilidade financeira;
- Estímulo à contratação de funcionários.
Muitos empreendedores atualmente evitam expandir o faturamento para não ultrapassar os limites do regime simplificado.
Governo e Congresso discutem impacto na arrecadação
Apesar do apoio de entidades empresariais, a atualização também gera preocupação em relação à arrecadação pública.
O Simples Nacional oferece tratamento tributário favorecido, com redução de carga e simplificação de impostos.
Por isso, ampliar os limites pode reduzir receitas de:
- União;
- Estados;
- Municípios.
O desafio do Congresso será equilibrar estímulo econômico e responsabilidade fiscal.
Brasil ainda enfrenta excesso de burocracia tributária
Outro ponto destacado durante o debate envolve o alto custo burocrático enfrentado pelas empresas brasileiras.
Segundo dados internacionais citados no Congresso, empresas no Brasil gastam aproximadamente 1.500 horas por ano para cumprir obrigações tributárias.
Esse número é muito superior à média dos países da OCDE.
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Comparação internacional
A média da OCDE é cerca de 10 vezes menor que a brasileira.
Isso significa que empresários brasileiros gastam tempo excessivo com:
- Emissão de documentos;
- Declarações fiscais;
- Controle tributário;
- Obrigações acessórias;
- Conformidade legal.
Nesse cenário, o Simples Nacional acaba funcionando também como ferramenta de desburocratização.
Reforma Tributária também mudará regras do Simples
A discussão sobre o Simples ocorre paralelamente à implementação gradual da Reforma Tributária brasileira.
A partir de 2027, com a entrada do IBS e da CBS, pequenas empresas terão novas possibilidades de enquadramento.
Pequenos empresários poderão escolher modelo tributário
Segundo especialistas, empresas enquadradas no Simples poderão optar entre:
- Permanecer integralmente no regime simplificado;
- Recolher IBS e CBS fora do Simples.
A mudança faz parte da tentativa de modernizar o sistema tributário brasileiro.
O objetivo da reforma é:
- Reduzir burocracia;
- Simplificar cobrança de impostos;
- Melhorar ambiente de negócios;
- Aumentar transparência tributária.
O que muda para o MEI em 2026
Caso o projeto avance, milhões de microempreendedores poderão permanecer mais tempo enquadrados no regime simplificado.
Benefícios do MEI
O modelo oferece vantagens como:
- Pagamento reduzido de tributos;
- Emissão de nota fiscal;
- Cobertura previdenciária;
- Facilidade de abertura;
- Menor burocracia.
O aumento do teto pode beneficiar profissionais como:
- Motoristas de aplicativo;
- Vendedores online;
- Cabeleireiros;
- Prestadores de serviço;
- Pequenos comerciantes.
Projeto ainda depende de aprovação
Apesar do avanço das discussões, o texto ainda precisa passar por diferentes etapas no Congresso Nacional.
O projeto deverá ser analisado por:
- Comissão especial;
- Câmara dos Deputados;
- Senado Federal.
Somente após aprovação definitiva e sanção presidencial as mudanças poderão entrar em vigor.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
