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Mudança no Simples Nacional e MEI abre debate sobre impacto fiscal

Projeto amplia limites do MEI e do Simples Nacional, gera debate sobre ICMS e impacto fiscal. Veja o que pode mudar para empresas.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
MEI

A discussão sobre a atualização dos limites de faturamento do Projeto de Lei Complementar 108/2021 ganhou destaque no Congresso Nacional e mobiliza governo federal, estados e representantes do setor produtivo. O texto está em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados e pode sofrer alterações ao longo da tramitação.

Quais são os limites?

Leia mais: MEI: entrega da declaração anual vai até 31 de maio

MEI

Para o MEI o valor é de R$ 81 mil.

Simples Nacional

CategoriaFaturamento anual máximo
Microempresa (ME)Até R$ 360 mil
Empresa de Pequeno Porte (EPP)Até R$ 4,8 milhões

O que prevê a proposta?

Caso o texto avance com os valores atualmente discutidos, os novos limites seriam:

  • MEI: até R$ 145 mil por ano
  • Microempresa: até R$ 869 mil por ano
  • Empresa de Pequeno Porte: até R$ 8,7 milhões por ano

Estimativas debatidas no Congresso indicam que, se houvesse apenas correção pela inflação acumulada, o teto do Simples poderia se aproximar de R$ 7 milhões anuais, enquanto o MEI poderia chegar a cerca de R$ 160 mil.

Por que estados demonstram preocupação?

Impacto no ICMS

O principal ponto de atenção dos governos estaduais está relacionado ao ICMS, tributo de competência estadual incluído no Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).

Como o Simples Nacional unifica tributos federais, estaduais e municipais em uma única guia, a ampliação dos limites pode estimular a migração de empresas do regime tradicional para o simplificado. Essa transição pode reduzir a arrecadação individual de ICMS, segundo avaliações preliminares de secretarias estaduais de Fazenda.

Estimativas de renúncia fiscal

Técnicos da área econômica acompanham o debate e estimam que a atualização dos limites pode gerar impacto fiscal anual relevante, com projeções debatidas no Congresso variando entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões.

Esses números ainda dependem de estudos oficiais consolidados e da redação final do texto.

Como funciona?

O Simples Nacional foi criado para reduzir burocracia e simplificar o recolhimento de tributos.

Entre os tributos incluídos estão:

  • IRPJ
  • CSLL
  • PIS/Pasep
  • Cofins
  • IPI
  • ICMS
  • ISS
  • Contribuição Patronal Previdenciária (CPP)

As alíquotas variam conforme o setor de atividade e a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses. O enquadramento é definido com base no faturamento anual e no tipo de empresa.

Possíveis impactos

Para o MEI

Caso o limite seja ampliado, mais empreendedores poderão permanecer como MEI mesmo com crescimento do faturamento. Isso pode:

  • Reduzir a necessidade de migração precoce para outro regime;
  • Diminuir custos administrativos;
  • Ampliar previsibilidade tributária.

Para micro e pequenas empresas

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Empresas próximas ao teto atual poderiam permanecer no Simples Nacional por mais tempo. Isso pode impactar:

  • Planejamento tributário
  • Fluxo de caixa
  • Estrutura de custos
  • Competitividade no mercado

Algumas empresas que hoje operam no Lucro Presumido ou no Lucro Real apenas por ultrapassarem os limites poderiam reconsiderar o enquadramento, caso a proposta seja aprovada.

Impacto na rotina contábil

A eventual mudança exigirá atenção de contadores e consultores tributários. Entre os pontos de análise estão:

  • Revisão de enquadramento tributário
  • Projeção de crescimento de receita
  • Avaliação de impacto na carga fiscal
  • Atualização de sistemas de gestão e obrigações acessórias

Como o texto ainda pode sofrer alterações, profissionais da contabilidade acompanham as negociações para adaptar o planejamento de seus clientes.

Próximos passos no Congresso

A proposta tramita em comissão especial criada para acelerar a análise. Após essa etapa, o texto ainda precisa passar por votação no plenário da Câmara e, posteriormente, pelo Senado Federal, além de eventual sanção presidencial.

Durante o processo legislativo, os valores podem ser ajustados por meio de emendas e negociações políticas, o que torna o cenário dinâmico.

Considerações finais

A discussão sobre a atualização dos limites do MEI e do Simples Nacional envolve equilíbrio entre simplificação tributária, estímulo ao empreendedorismo e impacto na arrecadação pública. Estados, União e setor produtivo acompanham o tema de forma técnica, especialmente pelos possíveis efeitos sobre o ICMS e o orçamento público.

A definição final dependerá da tramitação do projeto e das negociações entre os parlamentares e o governo.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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