O setor de autoescolas iniciou uma mobilização intensa para barrar a proposta do Ministério dos Transportes que pretende eliminar a obrigatoriedade das aulas teóricas e práticas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Desde que a pasta passou a defender a medida, a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto) implementou uma operação para conter o avanço da proposta e proteger os interesses da categoria.
Proposta de flexibilizar CNH enfrenta resistência de autoescolas no Congresso
Setor de autoescolas pressiona o governo contra proposta do Ministério dos Transportes que pretende acabar com aulas obrigatórias para CNH.
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Contexto da proposta do ministério

O movimento da Feneauto começou com uma reunião com a ministra Gleisi Hoffmann, na qual foi enfatizado que a proposta não é uma iniciativa do presidente Lula, mas sim uma ideia defendida internamente pelo ministério. Em paralelo, a federação correu ao Congresso Nacional, acionando deputados que abriram espaço na agenda legislativa para debater o tema. A proposta teve audiência pública em 2 de setembro e será tema de uma Comissão Geral no Plenário da Câmara no dia 3.
A posição das autoescolas
Para o presidente da Feneauto, Ygor Valença, a categoria foi surpreendida e atropelada pelo ministério. Ele lembra que a Câmara Temática do Contran, fórum responsável por avaliar o impacto de mudanças no processo de habilitação, permanece fechada há mais de um ano.
Surpresa e falta de diálogo
“O setor foi surpreendido porque o espaço institucional onde esses debates deveriam acontecer está desativado”, afirmou Valença.
Críticas ao argumento de modernização
A federação critica a proposta, afirmando que a medida não representa modernização, como defende o ministério, mas sim substituição. Um dos pontos críticos é a possibilidade de instrutores autônomos oferecerem aulas sem a estrutura mínima exigida, ao mesmo tempo que impede as autoescolas de fornecer ensino a distância.
Impacto econômico e social
Segundo cálculos do setor, estão em risco cerca de R$ 14 bilhões anuais e 300 mil empregos diretos relacionados às autoescolas. A preocupação é que a flexibilização comprometa a qualidade da formação de condutores e reduza significativamente a renda das empresas do setor.
O ponto de vista do governo
O Ministério dos Transportes defende que a proposta visa democratizar o acesso à CNH, cujo custo médio gira em torno de R$ 3,2 mil, sendo que R$ 2,5 mil deste valor ficam com as autoescolas. A ideia do governo é simplificar o processo de habilitação, especialmente para as categorias A e B, eliminando a obrigatoriedade do uso de simuladores e veículos adaptados.
Questão de segurança
Especialistas em trânsito alertam que eliminar aulas obrigatórias pode gerar riscos para a segurança viária. A formação prática e teórica é considerada essencial para reduzir acidentes e preparar motoristas para situações reais de tráfego.
Reações políticas e legislativas

A mobilização das autoescolas inclui reuniões com parlamentares, envio de estudos sobre impacto econômico e social e participação em audiências públicas. O tema tem dividido opiniões no Congresso, com deputados argumentando sobre a necessidade de modernização e redução de burocracia, enquanto outros defendem a manutenção das aulas obrigatórias para garantir segurança e qualidade na formação de condutores.
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Possíveis alternativas para modernização
Especialistas sugerem que a modernização do processo de habilitação pode ser feita sem eliminar aulas obrigatórias. Entre as propostas estão:
- Ampliação do ensino híbrido, combinando aulas presenciais e online;
- Investimento em simuladores de última geração para complementar a prática;
- Redução gradual de custos por meio de programas de incentivo e parcelamento de taxas.
A importância da Feneauto
A Federação Nacional das Autoescolas tem papel central na defesa da categoria. Além de mobilizar deputados, a entidade mantém comunicação constante com a sociedade, ressaltando os riscos da medida e propondo alternativas que não comprometam empregos nem a qualidade do ensino.
Cenário atual
Com a proposta ainda em discussão, o setor permanece alerta. A expectativa é que as audiências públicas e a Comissão Geral definam os próximos passos, podendo levar a ajustes ou até a revogação da medida, caso haja forte pressão política e social.
Conclusão
O debate sobre a obrigatoriedade das aulas para obtenção da CNH evidencia um conflito entre modernização e segurança, interesses econômicos e proteção de empregos. Enquanto o governo defende a simplificação do processo, o setor de autoescolas busca garantir que a qualidade da formação não seja comprometida e que os impactos econômicos negativos sejam evitados.
