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Autônomas já podem solicitar o salário-maternidade no INSS

Trabalhadoras autônomas podem pedir salário-maternidade no INSS com só uma contribuição, após mudança judicial e atualização em 2025.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
salário-maternidade

A partir de abril de 2024, as trabalhadoras autônomas, que não possuem vínculo empregatício formal, podem requerer o salário-maternidade no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com apenas uma contribuição realizada à Previdência Social.

A alteração representa uma vitória para milhões de mulheres que exercem atividades por conta própria e necessitam do benefício em caso de nascimento, adoção ou guarda judicial para fins de adoção.

Essa mudança foi consolidada por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e oficializada pelo INSS na Instrução Normativa PRES/INSS nº 188, publicada em julho de 2025.

Antes restrita a mulheres que cumprissem uma carência mínima de dez contribuições mensais, a exigência agora foi flexibilizada para garantir o princípio da isonomia e da igualdade entre as trabalhadoras.

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O que é o salário-maternidade e quem tem direito?

Imagem de uma mulher grávida ao lado da logo do INSS
Imagem: Prostock-studio/ shutterstock.com – Edição: Seu Crédito Digital

Definição e finalidades do benefício

O salário-maternidade é um benefício previdenciário pago às seguradas do INSS que se afastam de suas atividades profissionais por motivo de:

  • nascimento de filho (parto);
  • aborto não criminoso;
  • adoção;
  • guarda judicial para fins de adoção.

O objetivo é garantir suporte financeiro à mulher durante o período em que ela precisa se dedicar aos cuidados do bebê ou do adotado, assegurando o direito à proteção social no ciclo da maternidade.

Quem pode solicitar o benefício?

Além das trabalhadoras com carteira assinada (CLT), o benefício é destinado às seguintes categorias, incluindo as autônomas:

  • Microempreendedoras Individuais (MEI);
  • Contribuintes individuais (autônomas e profissionais liberais);
  • Empregadas domésticas;
  • Trabalhadoras avulsas;
  • Seguradas facultativas;
  • Pessoas desempregadas que mantenham a qualidade de segurado.

Mudança na exigência da carência para autônomas

Decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)

A alteração da regra tem origem na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2.110, julgada pelo STF. A Corte entendeu que a exigência de uma carência mínima de dez contribuições para o recebimento do salário-maternidade pelas autônomas violava o princípio constitucional da isonomia.

Ou seja, as trabalhadoras sem carteira assinada deveriam ter direito ao benefício nas mesmas condições das empregadas formais.

O STF reconheceu que a diferenciação prejudicava as mulheres autônomas, desconsiderando a importância social e econômica dessa categoria. Com isso, ficou estabelecido que basta uma única contribuição para garantir o benefício, sem a necessidade de cumprir prazos longos.

Atualização do INSS e vigência

Atendendo à decisão judicial, o INSS atualizou suas normas e publicou a Instrução Normativa PRES/INSS nº 188, em 8 de julho de 2025. A nova regra tem efeito retroativo para requerimentos feitos desde 5 de abril de 2024 e também vale para pedidos pendentes de análise.

Com isso, as autônomas que já solicitaram o benefício e foram negadas por falta de carência poderão recorrer e solicitar a reavaliação.

Como solicitar o salário-maternidade para autônomas

Requisitos básicos

Para solicitar o benefício, a autônoma deve comprovar:

  • que é segurada do INSS, com pelo menos uma contribuição válida;
  • o afastamento da atividade por nascimento, adoção, guarda judicial ou aborto não criminoso;
  • documentos pessoais e que comprovem a condição de segurada e o motivo do afastamento (certidão de nascimento, termo de guarda, etc.).

Procedimento no Meu INSS

O pedido pode ser feito pelo portal ou aplicativo Meu INSS, onde é possível:

  • criar cadastro ou acessar a conta;
  • preencher formulário de requerimento do salário-maternidade;
  • anexar documentos solicitados;
  • acompanhar o andamento da solicitação.

Caso haja dúvidas ou necessidade de auxílio, o atendimento pode ser feito presencialmente em agências do INSS ou por telefone.

Prazo e valor do benefício

O salário-maternidade tem duração conforme o motivo do afastamento:

  • 120 dias em casos de parto, adoção ou guarda judicial (para adotados com até 12 anos);
  • 120 dias em casos de natimorto;
  • 14 dias para aborto espontâneo ou casos previstos em lei, mediante avaliação médica.

O valor pago é correspondente à média das contribuições da segurada ao INSS, considerando os últimos meses antes do afastamento.

Impacto da mudança para as autônomas

Inclusão e proteção social

A flexibilização da carência ampliou o acesso ao benefício para mulheres que trabalham por conta própria, um grupo crescente na economia brasileira. Isso representa maior proteção social e garantia de renda durante a maternidade, um direito fundamental.

Benefícios para microempreendedoras e profissionais liberais

Para microempreendedoras individuais (MEI) e profissionais liberais que contribuem como autônomas, a medida traz segurança jurídica e tranquilidade para planejar a vida familiar sem perder o amparo financeiro.

Possibilidade de revisão de benefícios negados

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Mulheres que tiveram pedidos de salário-maternidade indeferidos por não cumprirem a carência mínima podem solicitar revisão do benefício com base na nova normativa, garantindo o direito retroativamente.

Principais dúvidas sobre o salário-maternidade para autônomas

Preciso contribuir mensalmente para ter direito?

Não. Basta que haja pelo menos uma contribuição válida no período anterior ao afastamento para que o benefício seja concedido, conforme a decisão do STF.

Posso solicitar o benefício se estiver desempregada?

Sim. Desde que mantenha a qualidade de segurada — ou seja, esteja no chamado “período de graça” que mantém o vínculo com a Previdência após parar de contribuir — o benefício pode ser solicitado.

O que acontece se eu não fizer a solicitação em até 5 anos?

O prazo para pedir a revisão ou o benefício é de até cinco anos a partir do nascimento, adoção ou aborto. Passado esse prazo, o direito pode prescrever.

Quais documentos são exigidos?

Geralmente são solicitados:

  • documento de identificação;
  • CPF;
  • comprovante de contribuição ao INSS;
  • certidão de nascimento ou documento que comprove adoção ou guarda;
  • requerimento preenchido no Meu INSS.

Duração e valor do salário-maternidade

Salário-maternidade
Imagem: Velishchuk Yevhen / shutterstock.com

Tempo de duração por situação

  • Parto, adoção ou guarda judicial: 120 dias.
  • Natimorto: 120 dias.
  • Aborto espontâneo ou situações especiais (estupro, risco de vida): 14 dias, mediante avaliação médica.

Cálculo do valor

O valor corresponde à média dos salários de contribuição registrados no INSS, podendo variar conforme o histórico individual de cada segurada.

Conclusão

A possibilidade de as trabalhadoras autônomas solicitarem o salário-maternidade com apenas uma contribuição ao INSS representa um avanço significativo para a proteção social no Brasil.

Garantir o direito a esse benefício sem a barreira da carência mínima promove maior justiça e igualdade para milhões de mulheres que atuam no mercado informal ou por conta própria.

Com a decisão do STF e a adaptação normativa do INSS, o cenário se torna mais inclusivo, alinhando o Brasil com os princípios constitucionais que asseguram direitos iguais a todas as categorias trabalhistas.

Para as autônomas, agora é fundamental conhecer o procedimento para requerer o benefício e garantir a segurança financeira no período tão importante da maternidade.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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