A Justiça do Trabalho proibiu que o Facebook e o Instagram permitam ou tolerem a presença de crianças influencers sem autorização judicial prévia.
Justiça será exigida para autorizar crianças influencers no Facebook e Instagram
Saiba como Facebook e Instagram só poderão crianças influencers com autorização judicial. Entenda a decisão.
A decisão atende a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério Público de São Paulo. A medida visa proteger crianças e adolescentes da exploração laboral e exposição precoce em plataformas digitais.
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Limite judicial para crianças influenciadoras

A decisão liminar foi concedida pela juíza Juliana Petenate Salles, da 7ª Vara do Trabalho de São Paulo. Segundo a magistrada, a exposição de menores para fins lucrativos sem supervisão judicial “gera riscos sérios e imediatos”, podendo causar danos físicos, mentais e sociais às crianças.
Além disso, a Justiça prevê multa diária de R$ 50 mil por cada criança ou adolescente encontrado em situação irregular nas plataformas. A Meta, controladora do Facebook e Instagram, pode recorrer da decisão.
Ação civil pública do MPT
O Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público de São Paulo solicitaram, além da liminar, a condenação da Meta ao pagamento de R$ 50 milhões por danos morais coletivos. No processo, os procuradores pedem ainda a implementação de medidas de prevenção, incluindo:
- Sistemas de filtragem de conteúdo envolvendo menores;
- Exigência de alvará judicial para participação de crianças em atividades remuneradas;
- Controle contínuo de publicações que envolvam menores de idade.
O objetivo não é impedir a participação artística de crianças, mas assegurar que esta ocorra dentro da legislação vigente.
Riscos da exposição infantil nas redes sociais
Segundo a magistrada, a participação precoce de crianças em plataformas digitais para fins lucrativos pode gerar múltiplos prejuízos, como:
Pressão e sobrecarga
Crianças influencers enfrentam pressão constante para produzir conteúdo, o que pode impactar negativamente sua saúde física e mental.
Ataques virtuais
A exposição constante aumenta o risco de ataques de “haters” e provoca danos à autoestima, podendo ter efeitos duradouros na formação psicológica dos menores.
Impacto na educação
O trabalho infantil precoce prejudica o desempenho escolar e limita o tempo dedicado a atividades educativas e de lazer.
Privação de infância
Crianças e adolescentes expostos comercialmente podem perder experiências típicas da infância, afetando o desenvolvimento social e emocional.
Uso indevido de imagens
As imagens compartilhadas nas redes sociais podem ser copiadas e reutilizadas indefinidamente, aumentando o risco de exploração e danos permanentes.
Base legal da decisão
O MPT apresentou um inquérito civil identificando perfis de crianças e adolescentes atuando comercialmente nas plataformas digitais.
Esta prática viola o artigo 149 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o artigo 7º da Constituição Federal e a Convenção nº 138 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Brasil.
Segundo o MPT, a decisão judicial busca garantir a proteção integral da criança, sem impedir a participação artística de menores, desde que dentro dos limites legais.
Responsabilidade das plataformas
No processo, o MPT destacou que o Facebook e Instagram se beneficiam financeiramente com a atividade de crianças influencers, mas não adotam medidas eficazes para prevenir a exploração infantil:
“As plataformas digitais se beneficiam com a monetização resultante da atividade de influencer mirim e mantêm conduta omissa ao não adotar o devido dever de diligência”, afirmou o órgão.
Debate sobre a “adultização” infantil
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+311 mil seguidores
O tema ganhou visibilidade após o influenciador Felipe Brassanim Pereira, conhecido como Felca, viralizar nas redes sociais. Ele alertou sobre a “adultização” de crianças, termo que descreve menores assumindo responsabilidades e comportamentos próprios de adultos.
Essa prática está relacionada à pressão para produzir conteúdo, exposição midiática precoce e perda de experiências típicas da infância.
Exploração infantil online no Brasil
Além das redes sociais, a exploração infantil online tem se agravado no país. Segundo levantamento do Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD) da Polícia Civil de São Paulo, foram identificadas pelo menos 700 vítimas de exploração sexual infantil em plataformas digitais nos últimos nove meses.
A delegada Lisandrea Salvariego explica que grupos criminosos atuam de forma organizada, promovendo crimes virtuais que incluem:
- Estupros virtuais;
- Automutilações;
- Maus-tratos a animais;
- Indução ou instigação de suicídio de menores.
Repercussão da decisão
A Meta, controladora do Facebook e Instagram, respondeu que não irá comentar a decisão judicial. A medida, no entanto, representa um marco na regulação de plataformas digitais no Brasil, especialmente no que se refere à proteção de crianças e adolescentes.
Prevenção e fiscalização

Especialistas reforçam a importância de políticas e tecnologias de prevenção, incluindo:
- Ferramentas automáticas de detecção de conteúdo envolvendo menores;
- Auditorias regulares em perfis de crianças influencers;
- Educação digital para pais e responsáveis;
- Monitoramento de contratos e autorizações judiciais para trabalhos artísticos remunerados.
Conclusão
A decisão judicial sobre crianças influencers no Facebook e Instagram evidencia a necessidade de conciliar o uso das redes sociais com a proteção de menores de idade.
A legislação brasileira, aliada à fiscalização do MPT e de órgãos de segurança pública, busca assegurar que crianças possam se expressar artisticamente sem sofrer exploração, pressão ou riscos irreversíveis.
O caso também reforça o debate global sobre responsabilidade das plataformas digitais, exigindo que empresas como Meta adotem medidas concretas para proteger os direitos das crianças, garantindo que a presença de menores nas redes sociais seja sempre segura, legal e responsável.
Imagem: mundissima / shutterstock
