O aviso prévio é uma etapa essencial nas relações de trabalho e está previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Quando uma das partes decide encerrar o contrato de trabalho por tempo indeterminado, a legislação exige uma comunicação formal com antecedência mínima de 30 dias.
Como o aviso prévio funciona? Entenda as regras
Entenda como funciona o aviso prévio na CLT, seus tipos, regras, direitos do trabalhador e impactos após a reforma trabalhista de 2017.
Neste artigo, você entenderá como funciona o aviso prévio, quais são seus tipos, direitos garantidos por lei e como proceder em cada situação.
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O que é o aviso prévio?

Comunicação obrigatória antes da rescisão
O aviso prévio é um instrumento legal de transição, obrigatório tanto para o empregador quanto para o empregado em casos de demissão sem justa causa. Ele visa evitar prejuízos imediatos a ambas as partes, permitindo tempo para que o empregador contrate um substituto ou para que o colaborador procure outra vaga no mercado.
Fundamento legal
A obrigatoriedade está disposta no artigo 487 da CLT, que determina o aviso com, no mínimo, 30 dias de antecedência. Essa notificação deve ser feita por escrito e pode ser trabalhada ou indenizada, dependendo do acordo entre as partes ou das circunstâncias da rescisão.
Tipos de aviso prévio
Aviso prévio trabalhado
Ocorre quando o colaborador permanece na empresa durante os 30 dias após a comunicação de desligamento, cumprindo normalmente sua jornada ou com redução permitida por lei. Nesse período, ele pode:
- Reduzir sua jornada em duas horas diárias;
- Ou optar por trabalhar o período completo e faltar nos últimos sete dias corridos.
Essa flexibilização está prevista no artigo 488 da CLT e é válida quando a demissão parte do empregador.
Aviso prévio indenizado
Aplica-se quando uma das partes opta por não cumprir o aviso. Nesses casos:
- Se a empresa demitir o funcionário e não exigir o cumprimento, deve pagar o valor correspondente aos 30 dias de salário;
- Se o colaborador pedir demissão e não quiser cumprir o período, o valor pode ser descontado das verbas rescisórias.
Aviso prévio proporcional
Criado pela Lei nº 12.506/2011, o aviso proporcional amplia o período conforme o tempo de serviço: além dos 30 dias, acrescenta-se três dias para cada ano trabalhado, até o limite de 90 dias.
Regras específicas do aviso prévio trabalhado
Direitos do trabalhador durante o aviso
Durante o aviso prévio trabalhado, o colaborador tem direito a:
- Salário integral;
- Redução da jornada ou folga de 7 dias corridos;
- Manutenção de todos os benefícios, como vale-transporte, vale-alimentação, assistência médica, etc.;
- Acesso ao FGTS e às demais verbas rescisórias, conforme o tipo de rescisão.
Jornada de trabalho
A carga horária reduzida pode ser feita de duas formas:
- 2 horas a menos por dia de trabalho;
- Ou 7 dias consecutivos de folga antes do término do aviso.
A escolha é do trabalhador, mas ele deve comunicar sua decisão ao empregador.
Home office durante o aviso
A legislação trabalhista não prevê o cumprimento do aviso prévio trabalhado em home office. No entanto, se a empresa opera remotamente, o aviso pode ser realizado a distância, desde que haja controle de jornada e produtividade. Fora isso, permitir que apenas um colaborador trabalhe remotamente no aviso, enquanto os demais atuam presencialmente, pode gerar questionamentos judiciais.
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Mudanças após a reforma trabalhista

A Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) formalizou o acordo para demissão, previsto no artigo 484-A da CLT. Com isso, se ambas as partes desejarem encerrar o vínculo, é possível firmar um acordo com as seguintes regras:
- Pagamento de metade do aviso prévio indenizado;
- Multa do FGTS reduzida para 20%;
- Saque de até 80% do saldo do FGTS;
- Sem direito ao seguro-desemprego.
Importante: em caso de aviso prévio trabalhado por acordo, o trabalhador não tem direito à redução de jornada, já que essa é uma prerrogativa da demissão unilateral feita pela empresa.
Quando o aviso prévio não se aplica?
Demissão por justa causa
Na demissão por justa causa, o colaborador perde o direito ao aviso prévio. Isso acontece quando há faltas graves como:
- Improbidade;
- Embriaguez em serviço;
- Insubordinação;
- Abandono de emprego;
- Violação de segredo da empresa;
- Mau comportamento, entre outras infrações previstas no artigo 482 da CLT.
Benefícios do aviso prévio trabalhado
Para o empregador
- Tempo para contratar e treinar um novo profissional;
- Transição mais organizada e menos impacto operacional;
- Transferência adequada de tarefas e responsabilidades.
Para o colaborador
- Continuidade salarial durante o período de transição;
- Tempo para reorganizar a vida profissional e buscar novo emprego;
- Direito integral às verbas rescisórias.
Imagem: fizkes / Shutterstock.com
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