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Mais barato: Preço do azeite de oliva pode cair neste ano, saiba o motivo

Entenda o impacto do clima e do comércio global no preço do azeite de oliva no Brasil e as expectativas de redução para este ano.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Azeite

Nos últimos meses, o preço do azeite de oliva se tornou uma preocupação crescente para os brasileiros. Desde outubro de 2023, o aumento significativo nos preços — que beiram os 50% — tem pesado no bolso dos consumidores.

Esse cenário não é isolado do mercado global e reflete uma série de fatores climáticos, econômicos e de consumo que têm moldado a realidade do azeite no Brasil. Apesar de os preços continuarem elevados, especialistas apontam uma tendência de queda para 2025, com a expectativa de redução de até 20%.

Embora a alta do azeite de oliva seja perceptível nas prateleiras de supermercados e mercearias, é possível identificar uma série de causas que explicam esse fenômeno.

A crise climática na Europa, a principal fonte de importação do produto para o Brasil, a elevação do consumo interno e os acordos comerciais entre grandes blocos econômicos são alguns dos principais fatores que afetam os preços. A boa notícia, porém, é que o mercado começa a dar sinais de recuperação, e 2025 pode ser o ano da estabilização.

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O Impacto das Mudanças Climáticas na Produção de Azeite

azeite de oliva
Imagem: EMBRAPA / Lanzetta

As mudanças climáticas têm se mostrado um dos principais vilões da produção de azeite de oliva, especialmente na Europa. A produção mundial do azeite está fortemente concentrada em países como Espanha, Itália e Portugal, que juntos respondem por grande parte da exportação do produto para o Brasil.

Desde 2021, esses países vêm enfrentando um período de seca severa, afetando drasticamente a produtividade das oliveiras. Esse fenômeno climático tem sido a causa principal do aumento dos preços, pois a escassez de oliveiras comprometidas pela falta de água resulta em uma menor oferta do produto.

Rogério Jorge, pesquisador da Embrapa, explica que, embora a safra de 2023 tenha sido afetada pela seca, há uma expectativa de recuperação para a safra iniciada em outubro de 2023.

“Os preços na Espanha, por exemplo, que estavam em torno de 8,95 euros por quilo durante a safra anterior, caíram para 3,50 euros nos últimos meses. Isso já é um bom sinal, pois se aproxima dos preços que eram praticados há dois anos, antes da seca”, afirma o especialista.

A Influência das Secas na Produção de Azeite na Europa

As oliveiras são sensíveis às variações climáticas, e a seca prolongada na Europa afetou severamente a quantidade de azeitonas colhidas. A escassez de chuva prejudicou não apenas o crescimento das plantas, mas também a qualidade do azeite produzido, já que as azeitonas de baixa qualidade resultam em um produto final inferior. Como o Brasil depende fortemente das importações da Europa, esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem gerado impactos diretos no mercado interno.

No entanto, a expectativa é que a produção europeia comece a se recuperar à medida que o clima se estabiliza, o que pode resultar em uma oferta mais abundante e, consequentemente, na queda dos preços a partir de 2025. No entanto, a recuperação plena pode demorar, dado que a produção de azeite é um processo que depende de ciclos agrícolas longos e que podem variar de safra para safra.

Acordo Mercosul-União Europeia: Como Isso Afeta o Preço do Azeite?

Em janeiro de 2024, um marco importante foi atingido com a conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Após duas décadas de negociações, o tratado promete beneficiar vários setores, incluindo a exportação de azeite de oliva para o Brasil. Com isso, o mercado brasileiro poderá se beneficiar de tarifas mais baixas sobre o azeite importado da Europa, o que pode ajudar a reduzir os preços do produto nas prateleiras.

De acordo com Rogério Jorge, o acordo de livre comércio pode ter um impacto significativo no mercado de azeite a médio e longo prazo.

“O azeite é um dos produtos agropecuários que será beneficiado com a redução das tarifas. Isso, no futuro, pode resultar em preços mais acessíveis para o consumidor brasileiro”, explica.

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O acordo pode também trazer maior competitividade ao mercado, favorecendo a entrada de azeites europeus a preços mais baixos, o que ajudará a equilibrar a oferta e a demanda.

O Papel do Livre Comércio no Mercado de Azeite

azeite
Imagem: DUSAN ZIDAR/ Shutterstock.com

O comércio internacional de azeite está longe de ser estático, e mudanças nos acordos comerciais podem ter um impacto direto nos preços. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia não apenas permitirá um fluxo maior de azeite a preços mais competitivos, mas também abrirá portas para um comércio mais eficiente, o que pode ajudar a suavizar as flutuações de preços no mercado interno brasileiro.

A médio prazo, o consumidor pode esperar uma queda significativa nos preços, pois a oferta tende a aumentar, tornando o produto mais acessível a uma base maior de consumidores.

O Crescimento do Consumo de Azeite no Brasil

Além dos fatores externos que impactam os preços, o aumento no consumo de azeite de oliva no Brasil também tem sido um fator determinante para a alta dos preços. Nos últimos 15 anos, o consumo de azeite de oliva no Brasil aumentou em mais de 150%, devido à mudança nos hábitos alimentares da população.

Com uma crescente valorização por uma dieta mais saudável, muitos brasileiros têm optado por azeite de oliva como um ingrediente essencial em sua alimentação, especialmente pela presença de antioxidantes e ácidos graxos benéficos à saúde.

Imagem: ededchechine / Freepik

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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