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Itaú, Bradesco, BB e Santander: compare os resultados do trimestre

BB, Santander, Bradesco e Itaú frustram mercado no 1º trimestre de 2026 com pressão no lucro, inadimplência e provisões.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Itaú, Bradesco, BB e Santander: compare os resultados do trimestre

A temporada de resultados dos grandes bancos brasileiros no primeiro trimestre de 2026 terminou com um sentimento predominante no mercado: cautela. Mesmo instituições tradicionalmente resilientes apresentaram sinais de desaceleração, aumento das provisões e pressão na qualidade do crédito.

O encerramento ocorreu com a divulgação do balanço do Banco do Brasil, que registrou forte queda no lucro líquido e confirmou parte das preocupações dos investidores sobre o setor bancário neste início de ano.

Embora alguns bancos tenham mostrado avanços operacionais importantes, analistas destacam que o cenário macroeconômico ainda desafiador, somado ao aumento da inadimplência e ao custo elevado do crédito, vem afetando a rentabilidade das instituições financeiras.

Na prática, o mercado esperava números mais consistentes, especialmente após um período em que os bancões brasileiros conseguiram atravessar ciclos econômicos turbulentos mantendo lucros robustos.

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Banco do Brasil decepciona com queda de 54% no lucro

O resultado mais pressionado da temporada veio do BBAS3. O lucro líquido do banco caiu 54% no primeiro trimestre de 2026, desempenho considerado bastante fraco por analistas do mercado financeiro.

Além da retração expressiva no lucro, o banco revisou para baixo sua projeção anual, aumentando ainda mais a preocupação dos investidores.

Projeção reduzida aumenta pressão sobre o banco

O Banco do Brasil passou a projetar lucro líquido entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões em 2026. Antes, a estimativa ficava entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

Para analistas do Bank of America e do Bradesco BBI, o principal problema do trimestre foi o aumento das despesas com provisões para perdas de crédito, que vieram acima do esperado.

As provisões são reservas feitas pelos bancos para cobrir possíveis calotes. Quando esses valores aumentam, o mercado normalmente interpreta como sinal de deterioração da carteira de crédito.

Mercado reagiu com volatilidade

Após a divulgação do balanço, as ações do Banco do Brasil oscilaram bastante ao longo do pregão seguinte, encerrando o dia praticamente estáveis.

Mesmo sem uma queda brusca nos papéis, analistas reforçaram postura mais cautelosa diante dos riscos ligados à qualidade dos ativos do banco.

Bradesco mostra recuperação operacional, mas ainda preocupa

O BBDC4 apresentou melhora operacional no primeiro trimestre, com avanço do lucro líquido e evolução do retorno sobre patrimônio (ROE) pelo nono trimestre consecutivo.

O desempenho foi considerado em linha com as expectativas do mercado, especialmente por instituições como o Bank of America.

Seguros ajudam resultado do Bradesco

Um dos destaques positivos foi a forte contribuição da área de seguros, tradicionalmente uma das operações mais lucrativas do banco.

Além disso, analistas apontaram:

  • crescimento de receitas;
  • melhora operacional;
  • avanço da eficiência;
  • continuidade do processo de recuperação iniciado em 2024.

Mesmo assim, o mercado enxergou sinais de alerta relacionados à qualidade do crédito e ao consumo de capital.

A reação dos investidores foi negativa. Após o balanço, as ações do Bradesco fecharam em queda de 3,89%, cotadas a R$ 18,52.

Santander Brasil segue abaixo das expectativas

O resultado do SANB11 também decepcionou investidores e analistas.

O banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, número:

  • 7% inferior ao quarto trimestre de 2025;
  • 1,9% menor na comparação anual;
  • cerca de 6% abaixo do consenso de mercado.

Segundo avaliação do Goldman Sachs, o resultado foi pressionado principalmente pela piora na qualidade dos ativos e pela fraqueza da receita com crédito.

Rentabilidade perdeu força

O retorno sobre patrimônio do Santander caiu para 15,7%, contra:

  • 17,2% no trimestre anterior;
  • 17,0% no mesmo período do ano passado.

Na visão do JPMorgan Chase, o desempenho abaixo do esperado já vinha sendo antecipado pelo mercado, considerando o histórico recente de performance inferior do Santander frente aos principais concorrentes.

Após a divulgação, as ações encerraram a sessão em queda de 2,65%, cotadas a R$ 28,64.

Itaú continua como destaque relativo do setor

Mesmo em um cenário mais desafiador, o ITUB4 ainda foi visto como o banco mais sólido entre os grandes nomes do setor.

Analistas de casas como Genial Investimentos e Goldman Sachs mantiveram recomendação positiva para o papel.

Itaú mostra inadimplência menor que concorrentes

Um dos pontos que mais chamou atenção foi o fato de o Itaú apresentar aproximadamente metade do índice de inadimplência do setor em diversos produtos financeiros, segundo avaliação do JPMorgan.

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Esse fator ajudou a reforçar a percepção de maior qualidade da carteira de crédito do banco.

Ainda assim, o resultado mostrou desaceleração:

  • lucro praticamente estável na comparação trimestral;
  • lucro antes dos impostos abaixo das expectativas;
  • crescimento mais fraco de receitas;
  • aumento das provisões.

Nem mesmo o desempenho considerado relativamente positivo foi suficiente para empolgar o mercado. As ações do Itaú fecharam o pregão seguinte em queda de 1,60%, cotadas a R$ 41,78.

O que explica a piora no desempenho dos bancos?

Os resultados do primeiro trimestre refletem um ambiente econômico mais complexo para o setor financeiro brasileiro.

Entre os principais fatores que vêm pressionando os bancos estão:

Juros elevados

Apesar das discussões sobre flexibilização monetária, o crédito ainda permanece caro no Brasil. Isso reduz a demanda por financiamentos e aumenta o risco de inadimplência.

Endividamento das famílias

Dados recentes do Banco Central e da Confederação Nacional do Comércio mostram que o nível de endividamento das famílias brasileiras continua elevado, o que afeta diretamente a capacidade de pagamento dos consumidores.

Maior necessidade de provisões

Com mais risco de calote, os bancos precisam reservar recursos maiores para perdas futuras. Isso reduz o lucro líquido e afeta indicadores de rentabilidade.

Crescimento menor da receita de crédito

Os grandes bancos também enfrentam uma desaceleração na expansão da carteira de crédito, cenário que limita o crescimento das receitas.

Mercado segue seletivo com ações bancárias

Mesmo com resultados mais fracos, analistas ainda enxergam oportunidades pontuais no setor bancário, especialmente em instituições consideradas mais eficientes operacionalmente.

No entanto, o cenário atual mostra que investidores estão cada vez mais seletivos. O mercado passou a priorizar bancos com:

  • menor inadimplência;
  • carteira de crédito mais saudável;
  • maior geração de receita recorrente;
  • controle eficiente de custos;
  • menor pressão de provisões.

Nesse contexto, o Itaú continua sendo visto como o nome mais defensivo do setor, enquanto Banco do Brasil e Santander enfrentam maior desconfiança por parte dos investidores.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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