O Banco Central (BC) divulgou no sábado (6) um alerta crítico ao sistema financeiro brasileiro após identificar um incidente cibernético envolvendo a empresa E2 Pay, que atua como gateway de pagamentos, mas sem autorização formal do órgão. A situação envolve subtração indevida de valores financeiros, motivando recomendações de reforço de segurança às instituições bancárias.
BC alerta para golpe envolvendo roubo de contas bancárias via empresa de pagamento
O Banco Central emitiu alerta sobre golpe envolvendo roubo de contas bancárias via a empresa E2 Pay, que atua sem autorização.
Incidente com a E2 Pay: o que aconteceu

Segundo o comunicado oficial do BC, houve a subtração de recursos financeiros em operações intermediadas pela E2 Pay. A autoridade monetária orientou bancos e demais empresas a reforçarem o monitoramento de todas as operações, incluindo transferências internas, conhecidas como book transfers, para prevenir novas invasões.
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Posicionamento da empresa
Em nota, a empresa afirmou já ter implementado procedimentos de monitoramento interno e estar colaborando com órgãos reguladores para apuração do caso. O advogado da empresa, Guilherme Carneiro, destacou que o valor exato dos recursos desviados ainda está sendo calculado, mas que nenhuma conta adicional foi exposta.
Atuação indireta no Pix
A empresa também esclareceu que atua de forma indireta no Pix, sem autorização formal do BC, mas defendeu que isso não caracteriza irregularidade, ressaltando que adota protocolos internos de segurança.
Histórico de ataques cibernéticos ao sistema financeiro
O caso da E2 Pay se soma a uma sequência de incidentes recentes que evidenciam a vulnerabilidade do setor financeiro brasileiro frente a ataques cibernéticos.
C&M Software
Em junho, a C&M Software sofreu um prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão, considerado o maior ataque hacker registrado até então no país. O episódio envolveu um funcionário que teria fornecido credenciais a criminosos.
Sinqia
Em agosto, a Sinqia, empresa de tecnologia financeira, teve um desvio aproximado de R$ 710 milhões, dos quais R$ 360 milhões foram bloqueados pelo BC. O caso reforçou a necessidade de controles internos rigorosos em empresas de tecnologia financeira.
Monetaire (Monbank)
Mais recentemente, a fintech gaúcha Monetaire (Monbank) sofreu um prejuízo de R$ 4,9 milhões, reforçando a tendência de ataques direcionados a instituições de menor porte, mas com alta exposição tecnológica.
Novas regras de segurança do BC
Diante da escalada de incidentes, o Banco Central anunciou novas medidas de proteção para o setor financeiro, visando reduzir riscos de fraudes e garantir maior segurança das transações digitais.
Limite de operações via Pix e TED
Uma das medidas estabelece limite de R$ 15 mil para operações via Pix e TED realizadas por instituições de pagamento não autorizadas ou conectadas por prestadores de serviços de tecnologia.
Flexibilização mediante controles reforçados
O BC prevê a possibilidade de flexibilização dos limites para empresas que comprovarem a adoção de controles reforçados de segurança, incluindo autenticação em múltiplos fatores e monitoramento em tempo real.
Proibição de operação sem autorização
A partir de 2026, nenhuma instituição poderá operar sem autorização prévia do BC, reforçando a importância da regulação para proteger o sistema financeiro e os usuários.
Orientações aos consumidores e empresas
O Banco Central reforçou a necessidade de atenção redobrada por parte de consumidores e empresas, recomendando medidas como:
- Conferir transações bancárias regularmente
- Evitar compartilhamento de senhas e tokens de segurança
- Denunciar atividades suspeitas à instituição financeira e à Polícia Civil
- Utilizar autenticação de múltiplos fatores para acessos digitais
Reação do mercado
Especialistas apontam que episódios como o da E2 Pay podem gerar perda de confiança no sistema de pagamentos digitais, impactando o mercado de fintechs e bancos digitais. Ao mesmo tempo, reforçam a importância de regulamentação e fiscalização constantes.
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Impacto sobre o Pix

Embora a E2 Pay atue indiretamente no Pix, o caso alerta para riscos potenciais no sistema de pagamentos instantâneos, destacando a necessidade de monitoramento constante, especialmente em empresas sem autorização formal.
Segurança digital como prioridade
A sequência de ataques cibernéticos evidencia que segurança digital deixou de ser apenas um diferencial, tornando-se requisito indispensável para empresas financeiras que desejam operar no Brasil. O BC passa a adotar um papel mais ativo na fiscalização e no estabelecimento de normas.
FAQ – Perguntas frequentes
O que é o alerta do Banco Central sobre a E2 Pay?
O BC emitiu um comunicado após identificar um incidente cibernético envolvendo a E2 Pay, que resultou em roubo de valores financeiros.
A E2 Pay é autorizada pelo Banco Central?
Não. A empresa atua sem autorização formal, embora preste serviços de pagamento de forma indireta no Pix.
Quanto foi desviado na E2 Pay?
O valor exato ainda está sendo calculado pela empresa e autoridades, segundo nota oficial.
Quais medidas o BC recomenda às instituições financeiras?
Reforço do monitoramento de operações, atenção a transferências internas (book transfers) e adoção de controles de segurança mais rigorosos.
Haverá mudanças nas regras do Pix e TED?
Sim. A partir de novas normas, há limite de R$ 15 mil para operações realizadas por instituições não autorizadas. Empresas com segurança reforçada podem ter limites diferenciados.
Quando nenhuma instituição poderá operar sem autorização?
A partir de 2026, nenhuma instituição poderá operar sem autorização prévia do Banco Central.
O que os consumidores devem fazer?
Conferir transações, evitar compartilhamento de senhas, utilizar autenticação de múltiplos fatores e denunciar atividades suspeitas.
Considerações finais
O alerta emitido pelo Banco Central destaca a importância de medidas preventivas no sistema financeiro brasileiro. Empresas e consumidores precisam permanecer vigilantes diante do aumento de ataques cibernéticos, enquanto a autoridade monetária reforça regulamentações para proteger a integridade do setor.
