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BC defende abordagem gradual para lidar com impactos de choques de oferta

Banco Central reduz Selic para 14,25% ao ano e explica decisão diante da inflação, conflitos internacionais e riscos econômicos.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
BC defende abordagem gradual para lidar com impactos de choques de oferta

O Banco Central decidiu continuar o processo de redução da taxa básica de juros da economia brasileira, mesmo diante de um cenário mais pressionado para a inflação. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) chamou atenção porque ocorre em um momento de aumento das incertezas externas e de indicadores de preços ainda acima do objetivo oficial.

Na última reunião, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,5% ao ano para 14,25% ao ano. Esse foi o terceiro corte consecutivo desde o início do ciclo de flexibilização, iniciado em março.

A ata divulgada pelo Banco Central explica que a decisão levou em consideração o entendimento de que a política monetária não deve responder de forma exagerada a choques temporários de oferta, como alterações inesperadas nos preços de energia, alimentos e combustíveis.

Segundo a autoridade monetária, o cenário exige cautela, mas também uma análise dos efeitos de longo prazo sobre a economia.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Selic passa por ciclo de redução após maior nível em quase 20 anos

Entre junho de 2025 e março de 2026, a taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, maior patamar registrado em quase duas décadas.

O aumento dos juros foi utilizado como instrumento para tentar conter a inflação, reduzindo o ritmo de consumo e diminuindo pressões sobre preços. Agora, com sinais de mudança no cenário econômico, o Copom iniciou uma fase de redução gradual.

A Selic influencia diretamente diversos setores da economia, afetando:

  • custo de empréstimos;
  • financiamento de imóveis e veículos;
  • investimentos de renda fixa;
  • crédito para empresas;
  • consumo das famílias.

Na prática, uma queda dos juros tende a facilitar o acesso ao crédito ao longo do tempo, mas os efeitos não aparecem imediatamente para consumidores e empresas.

Inflação continua acima da meta definida pelo Banco Central

Apesar da redução dos juros, a inflação segue como um dos principais desafios econômicos do país.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou alta de 0,58% em maio. No acumulado de 12 meses, o indicador chegou a 4,72%, ultrapassando o limite superior da meta de inflação.

O sistema de metas estabelece uma faixa de tolerância que varia de 1,5% a 4,5%.

Entre os fatores que pressionaram os preços estão os alimentos, que tiveram impacto relevante no período. Além disso, o Banco Central destacou riscos relacionados ao cenário internacional e às incertezas sobre custos de energia e combustíveis.

Conflitos internacionais aumentam preocupação com petróleo e combustíveis

Um dos pontos destacados pelo Copom foi o impacto potencial dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços globais do petróleo.

Como o Brasil ainda possui forte relação com o mercado internacional de energia, alterações no preço do petróleo podem influenciar combustíveis, transporte e, consequentemente, diversos produtos consumidos pela população.

O Banco Central afirmou que eventos desse tipo representam choques de oferta, ou seja, situações inesperadas que alteram custos sem necessariamente serem causadas pelo excesso de demanda.

Por esse motivo, a instituição avalia que uma reação imediata e intensa dos juros poderia gerar efeitos negativos sobre a atividade econômica.

Fenômenos climáticos também entram no radar do Banco Central

Além dos fatores internacionais, o Copom destacou os impactos dos eventos climáticos sobre a inflação.

O fenômeno El Niño, associado a alterações nos padrões de temperatura e chuvas, pode afetar a produção agrícola e influenciar preços de alimentos.

Como a alimentação possui peso importante no cálculo da inflação oficial, mudanças na oferta de produtos agrícolas podem alterar rapidamente o comportamento do IPCA.

Mercado prevê inflação acima do objetivo em 2026

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As projeções dos analistas indicam que a inflação ainda deve permanecer pressionada.

A expectativa do mercado financeiro aponta para um IPCA de 5,33% em 2026 e 4,15% em 2027.

O Banco Central informou que trabalha com diferentes cenários e avalia que a convergência da inflação para a meta deve ocorrer dentro do horizonte considerado relevante, com previsão de aproximação ao centro da meta no primeiro trimestre de 2028.

Copom mantém postura de cautela sobre próximos cortes

Mesmo com a redução da Selic, o Banco Central reforçou que não existe compromisso com uma sequência automática de cortes.

A instituição afirmou que as próximas decisões dependerão da evolução dos indicadores econômicos, principalmente:

  • comportamento da inflação;
  • atividade econômica;
  • mercado de trabalho;
  • expectativas dos agentes financeiros;
  • cenário internacional.

Segundo o Copom, a economia brasileira continua apresentando resistência, especialmente nos setores ligados a serviços, o que dificulta uma desaceleração mais rápida dos preços.

Juros menores podem impactar consumidores e empresas

selic
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A redução da Selic pode gerar efeitos positivos para consumidores e empresas caso o ciclo continue.

Para as famílias, uma queda dos juros pode representar melhores condições em financiamentos e empréstimos. Para empresas, principalmente pequenas e médias, pode significar maior facilidade para buscar capital de giro e investir na expansão dos negócios.

Por outro lado, a inflação elevada continua sendo um desafio, pois reduz o poder de compra da população e aumenta os custos operacionais.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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