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Ex-diretor do Banco Central aposta em Selic a 11% no próximo ano

Especialista prevê cortes acelerados da Selic em 2026, com taxa chegando a 11% e cenário de inflação em 3%.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O Banco Central deve iniciar a redução da taxa Selic entre janeiro e março de 2026, segundo Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do BC e gestor do fundo multimercado Itaú Janeiro, da Itaú Asset. Para o especialista, o ritmo dos cortes precisará ser acelerado ao longo do ano, podendo variar entre 0,50 ponto, 0,75 ou até 1 ponto percentual por reunião, com o objetivo de levar a Selic a 11% ao final de 2026.

Em evento promovido pela gestora, Serra avaliou que um corte no início do ano não teria grande impacto imediato, mas que adiar a decisão para além de abril representaria um erro estratégico do Banco Central.

“Imagine o Copom se reunindo com inflação corrente em torno de 3%, expectativas em 3,8%, crescimento do PIB em 1,5%, destruição de empregos com carteira assinada e juros de 15% ao ano em ano eleitoral. Isso é insustentável”, afirmou.

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Condições para início dos cortes

Para Serra, os indicadores macroeconômicos já permitem que o BC comece a reduzir os juros assim que houver sinais mínimos de evolução favorável no cenário econômico. Entre os fatores considerados estão:

  • Queda gradual das expectativas de inflação
  • Desaceleração do mercado de trabalho
  • Cenário de crescimento modesto do PIB

Possíveis datas de início

Segundo o especialista, os cortes podem começar já em janeiro, sendo aceito um início em março. Contudo, qualquer postergamento além desse período seria considerado uma falha de política monetária.

“A taxa de juros está muito alta e a inflação vai cair rapidamente. Se o BC não agir, o risco de queda excessiva da atividade econômica aumenta”, afirmou Serra.

Ritmo dos cortes: aceleração a partir de abril

Bruno Serra acredita que o Banco Central precisará aumentar o ritmo de redução da Selic ao longo do ano, possivelmente acima de 0,50 ponto percentual por reunião a partir de abril. Ele lembra que, no passado, o BC elevou a taxa em 1 ponto percentual em três reuniões consecutivas, e que um movimento de igual magnitude para reduzir os juros não seria surpresa.

Impactos esperados

A aceleração dos cortes terá efeitos diretos sobre:

  • Custo do crédito para empresas e consumidores
  • Investimentos em títulos públicos e privados
  • Mercado de fundos multimercado e renda fixa
  • Expectativas de inflação e consumo

Riscos associados à queda de juros

Apesar da perspectiva positiva para investimentos, Serra alerta que o grande risco do próximo ano é a redução excessiva da atividade econômica. Ele observa que, nos últimos três anos, o mercado frequentemente subestimou o crescimento do PIB, prevendo menos do que ocorria de fato.

“Para 2026, o desafio é que o PIB cresça dentro das projeções. Qualquer erro do BC ou atraso nos cortes de juros pode afetar diretamente o desempenho econômico e o emprego formal”, explica.

Cenário otimista: Selic a 9%

No cenário mais favorável, considerando avanços no ajuste fiscal e estabilidade política, a Selic poderia cair a 8,5% a 9% ao ano, aproximando-se do juro neutro, que combina inflação e juro real em torno de 5%.

Cenário pessimista: Selic a 11%

Mesmo em um cenário mais conservador, com cortes lentos ou restrições econômicas, Serra projeta que a Selic terminará 2026 em 11% ao ano, mantendo juros reais elevados, entre 7% e 8%, considerando uma inflação entre 3% e 4%.

Avaliação da política monetária atual

O especialista ressalta que a atual presidência do Banco Central, sob Gabriel Galípolo, demonstra independência e capacidade de conduzir o controle da inflação. Serra lembra que Galípolo já enfrentou situações complexas ao assumir cargos de direção no BC e ajustou a taxa de juros em níveis inesperados para o mercado.

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“Não haverá mais discussões sobre desancorar expectativas de inflação, ao menos no curto prazo. O foco agora é o equilíbrio entre juros e crescimento econômico”, disse Serra.

Independência do BC e cenário eleitoral

Segundo o gestor, o impacto das eleições sobre a política monetária tende a ser menor, considerando a postura independente do Banco Central. Ele prevê um ciclo eleitoral relativamente “comum”, em que o governo tentará equilibrar ajustes fiscais e medidas econômicas sem interferir diretamente nas decisões de juros.

Impacto nos investimentos e fundos multimercado

Bruno Serra afirma que a redução da Selic terá efeitos positivos para fundos multimercado, incluindo o Itaú Janeiro, que aposta na queda dos juros.

“Este ano tivemos ganhos significativos ao comprar inflação implícita, pois o mercado projetava mais de 6% e a inflação fechou pouco acima de 4%. No próximo ano, a tendência é lucrar com a redução da Selic”, explica.

Estratégias para 2026

Entre as estratégias apontadas por Serra estão:

  • Posicionamento em renda fixa atrelada à inflação
  • Compra de títulos longos e de juros futuros
  • Diversificação em ativos atrelados a redução do custo do dinheiro

Ele também ressalta que a cautela do BC aumenta a confiança do mercado e contribui para a longevidade do ciclo de cortes, evitando oscilações abruptas que poderiam desestabilizar investimentos.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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