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Banco Central decide nesta quarta se interrompe ciclo de altas da Selic

Copom decide nesta quarta (18) se interrompe o ciclo de alta da Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
BRB banco central

Em meio a sinais de desaceleração da inflação e de esfriamento da economia, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (18) para decidir se mantém ou interrompe o ciclo de alta da Selic, a taxa básica de juros da economia. O encontro divide as expectativas do mercado, com analistas divididos entre uma possível pausa ou mais um pequeno ajuste, elevando a taxa para 15% ao ano.

Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic está no maior nível desde 2006, reflexo de uma política monetária agressiva iniciada em setembro do ano passado. O Copom já elevou a taxa seis vezes consecutivas para conter os efeitos da inflação persistente.

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Como chegamos a esse patamar de juros?

SELIC juros
Imagem: Freepik e Canva

Após um período em que a Selic ficou em níveis historicamente baixos, o Banco Central deu início a um processo de aperto monetário a partir de setembro de 2024. Desde então, a taxa passou de 10,5% para 14,75% ao ano, com variações de 0,25 a 1 ponto percentual por reunião.

Essa elevação sucessiva visava frear uma inflação que, à época, ameaçava sair do controle. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal termômetro da inflação no país, chegou a apresentar altas preocupantes em 12 meses. O contexto de preços pressionados por energia, combustíveis e alimentos contribuiu para a estratégia do Copom.

Inflação começa a recuar, mas incertezas persistem

O cenário atual mostra sinais de alívio. Em maio, o IPCA desacelerou para 0,26%, acumulando alta de 5,32% em 12 meses. Os dados reforçam a percepção de que a política monetária começa a surtir efeito sobre a economia real.

Segundo o último boletim Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco Central junto a analistas de mercado, a expectativa é de que a inflação fique em 5,25% em 2025, uma leve melhora em relação aos 5,5% projetados há um mês.

Ainda assim, essa estimativa permanece acima da meta contínua de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% ao ano, com margem de tolerância de até 4,5%. O risco inflacionário, portanto, ainda preocupa parte do mercado.

O que é a Selic e por que ela importa?

A Selic é a taxa utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no sistema Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia). É também o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é desacelerar a economia, tornando o crédito mais caro e a poupança mais atrativa. Isso ajuda a conter a demanda e, consequentemente, a pressão sobre os preços. Por outro lado, juros elevados também podem restringir o consumo e o investimento produtivo, reduzindo o crescimento econômico.

Por isso, o Copom precisa equilibrar o combate à inflação com os impactos negativos sobre a atividade econômica.

O novo regime de metas contínuas

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de metas contínuas para a inflação. Nesse modelo, a meta é apurada mês a mês, com base na inflação acumulada em 12 meses, em vez de ser medida apenas ao final do ano.

A meta atual é de 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, a inflação é considerada sob controle se permanecer entre 1,5% e 4,5%.

Essa mudança busca aumentar a transparência e previsibilidade da política monetária, além de permitir uma atuação mais eficiente do Banco Central ao longo do tempo.

Expectativas para os próximos meses

O mercado aguarda com expectativa o comunicado do Copom após a reunião desta quarta. Em sua última nota, em maio, o Comitê afirmou que há sinais de desaceleração econômica, mas alertou que ainda é necessário tempo para que os efeitos da política monetária se consolidem. O texto reforçou que é preciso garantir que “os canais de transmissão da política monetária estejam desobstruídos”.

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De acordo com o boletim Focus, a Selic deve permanecer em 14,75% até o fim de 2025, com possibilidade de corte apenas em 2026. No entanto, parte dos analistas ainda aposta em um último aumento, para 15%, nesta reunião, antes de uma pausa definitiva.

Os desafios do Banco Central

Dinheiro esquecido
Imagem: rafastockbr / shutterstock.com

A decisão de manter ou elevar a taxa básica nesta reunião envolve diversas variáveis. Entre elas estão o comportamento dos preços de energia, a estabilidade cambial, os impactos das políticas fiscais e as projeções para a economia internacional.

A diretoria do Banco Central também precisa considerar os efeitos defasados da política monetária: os juros elevados de hoje só impactam plenamente a economia meses depois.

Assim, qualquer movimento brusco pode gerar instabilidade ou prejuízos à recuperação da atividade econômica, ao passo que a omissão diante de riscos inflacionários pode comprometer a credibilidade da instituição.

Entenda como o Copom decide a Selic

O Comitê de Política Monetária se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia, são feitas apresentações técnicas com dados atualizados sobre a economia brasileira e global, bem como o comportamento dos mercados. No segundo dia, os diretores do BC se reúnem para discutir e definir o novo patamar da Selic.

A decisão é divulgada no mesmo dia, geralmente ao fim do expediente, acompanhada de um comunicado oficial que orienta o mercado sobre os próximos passos da política monetária.

Com informações de: Agência Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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