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Banco Central anuncia solução para rastrear golpes e fraudes no Pix

Nova versão do MED permitirá rastrear até 5 níveis de transferência após golpes com Pix. Expectativa é de aumento na recuperação de valores.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
Pix

O Banco Central do Brasil anunciou o desenvolvimento de uma nova ferramenta para intensificar o combate aos crimes digitais envolvendo o Pix, o sistema de transferências instantâneas lançado em 2020. A nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED), chamada MED 2.0, promete revolucionar o rastreamento e a recuperação de valores desviados por meio de fraudes, permitindo o acompanhamento das transações por até cinco níveis de transferência.

Com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2026, a medida é uma resposta direta ao crescimento das ocorrências de golpes virtuais que exploram o Pix e à dificuldade em recuperar os valores após o crime. Atualmente, o sistema consegue rastrear apenas a primeira conta de destino, geralmente usada por “laranjas”, o que dificulta o bloqueio e a devolução de valores pulverizados rapidamente em diversas contas.

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Eficiência no combate às fraudes

Pix
Imagem: rafapress/shutterstock.com

Índice de recuperação deve crescer com a nova ferramenta

De acordo com o Banco Central, a versão atual do MED tem eficiência limitada. Menos de 7% dos valores desviados por golpes são efetivamente recuperados, e apenas 31% das solicitações de devolução são aceitas pelas instituições financeiras. O cenário é especialmente crítico quando os criminosos utilizam redes organizadas de contas bancárias para dissimular o dinheiro transferido.

O MED 2.0 será capaz de identificar e rastrear o caminho do dinheiro mesmo quando ele é movimentado sucessivas vezes após o golpe. O rastreamento em até cinco níveis de transferências será crucial para identificar o destino final dos valores e possibilitar seu bloqueio, ainda que o dinheiro tenha sido dividido entre várias contas em pouco tempo.

A expectativa é que, com o novo sistema, o índice de pedidos aceitos de devolução salte para até 80%, representando um avanço expressivo na proteção dos consumidores e na resposta institucional contra golpes financeiros.


Autoatendimento digital para contestação de transações

Sistema será integrado aos aplicativos dos bancos

Outra inovação trazida pelo MED 2.0 é a criação de um canal de autoatendimento 100% digital para que o próprio usuário possa contestar uma transação que considere suspeita. Esse processo será realizado diretamente pelo aplicativo da instituição financeira utilizada, sem a necessidade de contato telefônico ou ida presencial a uma agência.

Ao acionar a função de contestação, o usuário será conduzido a um formulário no qual deverá:

  • Selecionar a transação contestada;
  • Indicar o tipo de golpe sofrido (ex: sequestro-relâmpago, estelionato, golpe do falso motoboy);
  • Anexar um breve relato com os detalhes do ocorrido.

Conforme o cronograma do Banco Central, as instituições financeiras terão até o dia 1º de outubro de 2025 para implementar essa funcionalidade e estarem aptas a operar o MED 2.0 em sua totalidade.


Devolução em até 11 dias após a solicitação

pix golpes
Imagem: Freepik e Canva

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Segundo o Banco Central, o novo fluxo de contestação prevê análise e eventual devolução dos valores em até 11 dias corridos. Durante esse período, a instituição financeira que recebeu os valores deverá apurar o caso e realizar os bloqueios necessários nas contas envolvidas, seguindo os dados do novo sistema de rastreamento.

O sistema continuará a atuar com base na cooperação entre as instituições financeiras. No entanto, a expectativa é que, com a digitalização do processo e a capacidade de rastrear múltiplas transferências, as instituições passem a atuar de forma mais ágil e eficiente.


Fraudes com Pix seguem crescendo

Crescimento dos crimes exige novas estratégias de proteção

Desde que foi criado, o Pix revolucionou o sistema bancário nacional, oferecendo agilidade e gratuidade nas transferências entre contas de diferentes bancos. Contudo, sua popularidade também atraiu a atenção de golpistas, que passaram a empregar engenharia social, sequestros-relâmpago e fraudes por telefone ou aplicativos para obter os dados das vítimas ou induzi-las a fazer transferências sob pressão.

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o número de ocorrências de fraudes envolvendo o Pix cresceu de forma preocupante nos últimos anos, exigindo do sistema financeiro respostas mais robustas. O MED 2.0 é, portanto, mais uma etapa no fortalecimento da segurança desse meio de pagamento.


Entenda o que muda com o MED 2.0

RecursoVersão atualMED 2.0
Nível de rastreamento1ª conta apenasAté 5 contas consecutivas
SolicitaçãoVia atendimento bancárioAutoatendimento digital
Eficiência de devolução31% dos pedidos aceitosAté 80% esperados
Prazo para respostaNão padronizadoAté 11 dias corridos
Implementação obrigatóriaJá existenteAté 1º de outubro de 2025

Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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