Em meio às comemorações pelos 60 anos do Banco Central do Brasil, a instituição anunciou um pacote de inovações que promete transformar o uso do Pix no país. O presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, apresentou nesta quarta-feira (2/4) as prioridades do BC para 2025, com destaque para o Pix Garantido, o Pix parcelado e novas medidas de segurança digital.
As mudanças fazem parte de um projeto mais amplo de modernização do sistema financeiro, que também inclui o avanço no desenvolvimento do Drex, versão digital do real. A expectativa é ampliar o acesso ao crédito, aumentar a competitividade no setor bancário e reduzir os riscos de fraudes.
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Pix Garantido: crédito com base nos recebimentos futuros
A principal novidade anunciada por Galípolo foi o Pix Garantido, uma funcionalidade em desenvolvimento desde 2023 que permitirá usar recebíveis futuros via Pix como garantia para contratação de empréstimos.
Na prática, será possível que empresas e até pessoas físicas ofereçam valores que receberão via Pix como um lastro para obter crédito com condições mais favoráveis, como juros mais baixos e prazos maiores.
Objetivo do Pix Garantido
O objetivo é estimular o uso do Pix como ferramenta de inclusão financeira, permitindo que os micro e pequenos negócios, que muitas vezes não possuem bens para oferecer como garantia, tenham acesso a linhas de crédito.
Segundo Galípolo, “o Pix Garantido poderá mudar a lógica da análise de crédito no Brasil, tornando mais justo o acesso ao financiamento produtivo”.
Como vai funcionar o Pix como garantia?
Embora os detalhes técnicos ainda estejam em desenvolvimento, a modalidade deve operar de forma integrada ao sistema bancário. As instituições financeiras poderão avaliar os recebimentos futuros do cliente via Pix e oferecer um empréstimo com base nesse fluxo.
O BC ainda estuda como garantir a segurança jurídica das operações, a padronização do processo e a integração com o Sistema Financeiro Aberto (Open Finance).
Pix parcelado será lançado em setembro
Outra grande inovação prevista para 2025 é o Pix parcelado, cuja implementação deve ocorrer em setembro. A proposta é permitir que o consumidor divida pagamentos no Pix, em um modelo semelhante ao parcelamento no cartão de crédito.
Nesse modelo, o vendedor receberá o valor integral à vista, enquanto o pagador contratará um crédito pessoal diretamente com seu banco para quitar o valor em parcelas.
Vantagens do Pix parcelado
O Pix parcelado deverá apresentar juros mais baixos do que os praticados atualmente no crédito rotativo dos cartões. Além disso, a modalidade pode estimular a concorrência entre bancos, fintechs e instituições de pagamento.
De acordo com Galípolo, o modelo pretende beneficiar consumidores e lojistas, com liquidez imediata para o comércio e crédito com taxas reduzidas para os clientes.
Pix por aproximação também recebe melhorias

O Banco Central está investindo ainda em melhorias no Pix por aproximação, que se tornou obrigatório em fevereiro deste ano. Essa funcionalidade permite que pagamentos sejam realizados apenas ao aproximar o celular ou dispositivo do terminal, sem necessidade de digitação ou leitura de QR Code.
Avanços esperados
O BC trabalha em aprimoramentos de usabilidade, interoperabilidade e segurança. A ideia é facilitar o uso da ferramenta em ambientes com grande fluxo, como transporte público, eventos, supermercados e farmácias.
A obrigatoriedade do Pix por aproximação busca democratizar o acesso a tecnologias de pagamento sem contato, impulsionando a adesão entre pequenos comerciantes e autônomos.
Medidas reforçam segurança do sistema
Durante o evento, Galípolo também ressaltou que a segurança do Pix segue como prioridade. “Pretendemos evoluir no processo de rastreamento de recursos envolvidos em golpes”, afirmou.
Nos últimos meses, o BC já havia adotado medidas de proteção, como a exclusão de cerca de 8 milhões de chaves Pix associadas a CPFs em situação irregular — muitas delas pertencentes a pessoas falecidas, usadas indevidamente por fraudadores.
Outras ações de segurança
Além disso, estão em desenvolvimento novos sistemas para monitoramento em tempo real de transações suspeitas, comunicação integrada entre instituições financeiras e bloqueio preventivo de recursos em caso de fraude.
O uso da inteligência artificial e cruzamento de dados com a Receita Federal e o TSE também estão no radar do Banco Central para reforçar a confiabilidade do Pix.
Drex enfrenta desafios, mas segue em desenvolvimento
Outro tema abordado pelo presidente do BC foi o Drex, a moeda digital brasileira. A primeira fase do projeto piloto revelou desafios relacionados à privacidade dos usuários, proteção de dados sensíveis e modelo de governança.
Segundo Galípolo, a segunda fase do projeto — que incluirá contratos inteligentes (smart contracts) e novos modelos de negócios — foi adiada para revisão das diretrizes técnicas e regulatórias.
O que é o Drex?
O Drex é a sigla para “Digital Real Electronic Transactions”. Trata-se da versão digital do real, criada com base na tecnologia blockchain e com potencial para revolucionar o mercado financeiro, ao permitir transações mais rápidas, baratas e seguras.
A proposta é que o Drex funcione de forma integrada ao sistema bancário tradicional, mas com operações descentralizadas e maior transparência.
Impacto das mudanças para consumidores e empresas
As iniciativas anunciadas pelo Banco Central têm potencial para provocar uma nova onda de disrupção no setor de pagamentos. Veja os impactos esperados:
Para os consumidores:
- Acesso a crédito mais barato com o Pix parcelado
- Mais praticidade no dia a dia com o Pix por aproximação
- Maior segurança nas transações financeiras
- Novas formas de investimento e transação com o Drex
Para empresas e empreendedores:
- Possibilidade de antecipar recebíveis com o Pix Garantido
- Redução de custos com operadoras de cartão
- Mais confiança nas vendas online e presenciais
- Estímulo à formalização de negócios e digitalização
O papel do Pix na transformação digital

Desde seu lançamento em novembro de 2020, o Pix já movimentou trilhões de reais e transformou a forma como os brasileiros lidam com dinheiro. Hoje, ele está presente em 99% das contas bancárias e é aceito em milhões de estabelecimentos comerciais.
A constante evolução da ferramenta, com foco em inclusão, segurança e eficiência, reforça o compromisso do Banco Central com a transformação digital da economia.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com
