O Banco Central confirmou nesta quinta-feira (24) que dados cadastrais associados a 46.893.242 chaves Pix foram expostos de forma indevida por meio do sistema Sisbajud, uma plataforma de bloqueio e rastreamento de ativos operada em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O incidente representa um dos maiores vazamentos registrados desde a implantação do sistema de pagamentos instantâneos no Brasil, em 2020.
Banco Central confirma vazamento de quase 47 milhões de chaves Pix ligadas ao CNJ
Banco Central confirma vazamento de quase 47 milhões de chaves Pix ligadas ao CNJ. Dados expostos são cadastrais, sem risco direto.
Segundo o BC, os dados vazados não envolvem informações financeiras, como saldos, extratos ou senhas, mas incluem informações sensíveis como nome completo, CPF, nome da instituição financeira, número da agência e da conta, além da própria chave Pix cadastrada.
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O que é o Sisbajud e como ocorreu o vazamento

O Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud) é utilizado pelo Judiciário para bloquear recursos de devedores em contas bancárias e é alimentado por dados de instituições financeiras com o apoio técnico do Banco Central.
O problema, segundo as autoridades, foi identificado dentro dessa estrutura. O CNJ informou que o vazamento foi detectado e corrigido imediatamente, e que o sistema já voltou a operar normalmente. Ainda assim, o número de dados expostos — quase 47 milhões de chaves Pix — levanta preocupações sobre a segurança da infraestrutura digital do Estado brasileiro.
Embora os dados estejam vinculados a 11 milhões de pessoas físicas e jurídicas, o número total de chaves afetadas é maior porque um mesmo titular pode cadastrar diferentes tipos de chave Pix, como CPF, e-mail, telefone ou chave aleatória.
BC e CNJ descartam acesso a contas e movimentações
Em nota oficial, o Banco Central afirmou que o vazamento “não permite movimentações de recursos, nem acesso às contas ou a outras informações financeiras protegidas por sigilo bancário”. Portanto, a integridade das contas bancárias dos titulares não estaria comprometida diretamente.
No entanto, o próprio CNJ alertou que a exposição de dados cadastrais representa risco de golpes, principalmente os realizados por meio de engenharia social, onde criminosos se passam por bancos ou instituições públicas para obter acesso a dados sensíveis ou convencer vítimas a transferir dinheiro.
Riscos à segurança e recomendações às vítimas
Cuidado com contatos falsos
O CNJ foi enfático ao dizer que não entra em contato com cidadãos por e-mail, SMS ou telefone e que qualquer comunicação legítima será feita por meio de um canal exclusivo no site oficial da instituição.
A exposição de dados como nome completo, CPF e dados bancários, mesmo sem senha, pode ser suficiente para que golpistas tentem enganar usuários, principalmente por meio de mensagens personalizadas ou ligações fraudulentas simulando atendimentos bancários.
Reforço na segurança digital
Especialistas recomendam que os usuários adotem práticas de segurança como:
- Não clicar em links suspeitos enviados por e-mail ou mensagem;
- Verificar a autenticidade de qualquer solicitação bancária recebida;
- Ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos de banco e redes sociais;
- Utilizar senhas fortes e diferentes para cada serviço online.
Órgãos de fiscalização acompanham o caso

A Polícia Federal e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foram notificadas sobre o incidente e devem investigar as causas e possíveis responsabilidades no vazamento. A apuração será feita à luz da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), em vigor desde 2020.
Segundo o artigo 48 da LGPD, os controladores de dados são obrigados a comunicar, em prazo razoável, qualquer incidente de segurança que possa causar risco ou dano relevante aos titulares dos dados.
Impacto e resposta institucional
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O incidente reacende o debate sobre a vulnerabilidade de sistemas públicos e privados no Brasil, mesmo em estruturas robustas como as operadas pelo BC e pelo CNJ. O próprio Banco Central já registrou outros casos de vazamento envolvendo chaves Pix, ainda que em menor escala, o que reforça a necessidade de auditorias técnicas e revisão contínua das práticas de segurança.
O CNJ afirmou que a falha foi sanada com medidas de reforço na proteção do sistema e se comprometeu a divulgar, em breve, uma ferramenta de consulta online para que os cidadãos verifiquem se seus dados foram comprometidos.
Especialistas pedem revisão dos protocolos de segurança
Para especialistas em segurança da informação, o episódio evidencia a urgência de se reforçar os critérios de controle e prevenção, inclusive com testes de intrusão (pentests) regulares em sistemas críticos.
“Ainda que não tenha havido vazamento de senhas ou saldo, expor dados bancários e CPF de milhões de pessoas é algo grave e pode ser explorado por criminosos com facilidade”, afirma Leonardo Silva, consultor em cibersegurança.
Conclusão: atenção redobrada dos usuários
O vazamento de dados cadastrais de quase 47 milhões de chaves Pix, ainda que sem acesso direto a contas ou valores, representa uma ameaça real à privacidade dos brasileiros e um alerta importante para instituições públicas que lidam com informações sensíveis.
Diante do cenário, é fundamental que os cidadãos estejam atentos a possíveis tentativas de fraude e que os órgãos de controle atuem de forma transparente e rigorosa na apuração do caso.
Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com
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