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Alerta do Banco de Portugal: onda de fraudes com criptoativos aumenta risco para investidores

O Banco de Portugal alerta para golpe que usa carteiras de criptoativos falsas: golpistas afirmam que o investidor tem saldo inativo e induzem depositar dinheiro.

Tainara FerreiraPor Tainara Ferreira5 min de leitura
Criptoativos criptomoedas

Em 16 de junho de 2025, o Banco de Portugal (BdP) emitiu comunicado urgente, alertando para uma nova vaga de tentativas de fraude com criptoativos. Golpistas usam chamadas telefónicas, e‑mails e mensagens — em inglês — para enganar vítimas, fazendo-se passar por gestores de criptomoedas ou supostos recuperadores de carteiras digitais.

O golpe gira em torno da promessa de carteiras digitais com saldos positivos “inativas”, que “estarão prestes a ser perdidos” — a vítima é então induzida a pagar para “reativar” essas contas falsas.

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Como funciona o golpe com carteiras falsas

O BdP destaca que os infratores adotam um comportamento convincente, ao tratar o alvo pelo nome, com discursos bem estruturados, relatando existência de carteira digital supostamente com saldo inativo. Essa forma de abordagem busca transmitir legitimidade e urgência, explorando a fragilidade emocional do investidor.

Em muitos casos, os golpistas chegam a enviar links para plataformas online com balanços falsos, onde a vítima visualiza gráficos e aumentos de saldo fictícios. Essas simulações reforçam a convicção da vítima de que está lidando com algo real e valioso, encorajando novas transferências .

Estímulo ao pagamento e perda real de dinheiro

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Imagem: Freepik

Depois de convencer a vítima de que há dinheiro “preso”, o infrator instrui que um pequeno pagamento é necessário para reativar o acesso. Após isso, oferecem outras soluções que envolvem depósitos adicionais, alegando que isso vai liberar ou aumentar os supostos saldos — uma armadilha bem documentada pelo BdP .

Não existe recuperação possível

O Banco de Portugal esclareceu que essas carteiras e plataformas são inteiramente fictícias. Quando as vítimas descobrem que os valores transferidos não retornam, já estão financeiramente impactadas — e, na maioria dos casos, sem chance de reaver o dinheiro.

Alerta amplo para prevenção e denúncias

O comunicado do BdP é claro: NÃO faça pagamentos para reativar carteiras digitais relacionadas a criptoativos. Ao suspeitar de fraude, a recomendação é encerrar contato imediato e relatar às autoridades competentes como PSP, GNR, Polícia Judiciária ou Ministério Público.

O BdP também orienta que, em caso de dúvidas, o investidor procure assessoramento junto ao banco onde tem conta, ou consulte informações oficiais disponibilizadas no site do regulador .

Contexto regulatório de criptoativos em Portugal

Desde 30 de dezembro de 2024, Portugal ainda não publicou o diploma nacional que implementa o Regulamento Europeu MiCA, o que deixou o país sem um órgão regulador formal para supervisão e autorização de prestadores de serviços de criptoativos — incluindo carteiras digitais.

Riscos tácitos à segurança do consumidor

Essa deficiência regulatória aumenta a vulnerabilidade dos consumidores, especialmente frente a fraudes sofisticadas que exploram o desconhecimento geral sobre criptoativos. O BdP, apesar de supervisar aspectos de anti- lavagem de capitais, já não pode autorizar prestadores conforme MiCA .

Fraudes digitais já preocupam autoridades há anos

Bitcoin
Andreanicolini e ViChizh / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Golpes via SMS, phishing e clonagem

O BdP vem alertando para diversos tipos de golpe há anos. Em 2024 e no início de 2025, casos incluíram tentativas de phishing por SMS e e‑mail, clonagem de cartões, mudanças de IBAN em transfers bancárias e falsas oportunidades de emprego remunerado .

Fraudes específicas em cripto e forex

Já em 2021, o Ministério Público recebeu denúncias contra plataformas fraudulentas de negociação em criptomoedas e forex, evidenciando que este tipo de crime digital ocorre de forma organizada e recorrente.

Porque os criptoativos são terreno fértil para golpes?

O BdP reforça que ativos virtuais não têm garantia legal em Portugal e não contam com fundo de compensação. Além disso, transações cripto não possuem rastreamento equivalente a sistemas bancários tradicionais — mesmo que fiquem registradas em blockchain, a recuperação judicial é difícil.

Combinação de urgência, tecnicidade e empatia

Fraudes bem-sucedidas combinam uma narrativa técnica plausível (wallet digital), pressão emocional (saldos “expirando”) e um senso de urgência que leva a vítima ao erro — mesmo cientes dos riscos.

Medidas preventivas recomendadas pelo BdP

Nunca clique em links suspeitos

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A recomendação é evitar links desconhecidos ou não solicitados — particularmente os que prometem resgates ou retornos garantidos. Em caso de dúvida, contate diretamente sua instituição financeira ou consulte uma fonte confiável, como o site oficial do Banco de Portugal .

Denuncie imediatamente qualquer contato suspeito

Se receber ligação, e‑mail ou mensagem afirmando que possui investimentos não solicitados em criptoativos, informe as autoridades policiais competentes e também procure apoio de entidades como o Ministério Público ou a PSP/GNR.

O papel da educação financeira no combate à fraude

Ganhos fáceis são armadilhas

O BdP reforça que não existe retorno instantâneo ou garantido em investimentos cripto. Fraudes se aproveitam da ganância e da falta de familiaridade com esses ativos.

Informação pública e contínua

Campanhas educativas — como vídeos e guias no Portal do Cliente Bancário — auxiliam a população a identificar fraudes e entender como reagir eficientemente.

Cenário futuro e regulação aguardada

O Regulamento MiCA trará exigência de licenças, padrões de transparência e supervisão reforçada para os prestadores de serviços de criptoativos. A implementação em Portugal tende a reduzir sucessivamente esse tipo de golpe.

Embora o BdP tenha funções de supervisão, a responsabilidade pela segurança digital se estende a plataformas, bancos, provedores de internet e ao próprio investidor, que deve manter vigilância ativa sobre seus dados e transações.

Conclusão — segurança cripto requer vigilância constante

A nova onda de fraudes com criptoativos destaca que o espaço digital ainda é um terreno fértil para criminosos. A atuação do Banco de Portugal contrasta com a fragilidade regulatória atual e reforça a urgência de medidas robustas:

  • Não confie em solicitações não solicitadas;
  • Nunca realize pagamentos para “recuperar” carteiras;
  • Informe autoridades e busque ajuda especializada.

À medida que a tecnologia cripto se populariza, crimes de engenharia social também se multiplicam. É fundamental que o investidor se eduque constantemente, entenda os limites legais dos ativos digitais e confie apenas em canais oficiais.

Tainara Ferreira

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Tainara Ferreira

Tainara Ferreira atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, contribuindo com pautas que facilitam o entendimento de políticas públicas, programas sociais, economia do dia a dia e direitos dos cidadãos. Com olhar atento aos temas que impactam diretamente a vida da população brasileira, tem como missão traduzir informações complexas em conteúdos claros, úteis e acessíveis.

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