Em 16 de junho de 2025, o Banco de Portugal (BdP) emitiu comunicado urgente, alertando para uma nova vaga de tentativas de fraude com criptoativos. Golpistas usam chamadas telefónicas, e‑mails e mensagens — em inglês — para enganar vítimas, fazendo-se passar por gestores de criptomoedas ou supostos recuperadores de carteiras digitais.
Alerta do Banco de Portugal: onda de fraudes com criptoativos aumenta risco para investidores
O Banco de Portugal alerta para golpe que usa carteiras de criptoativos falsas: golpistas afirmam que o investidor tem saldo inativo e induzem depositar dinheiro.
O golpe gira em torno da promessa de carteiras digitais com saldos positivos “inativas”, que “estarão prestes a ser perdidos” — a vítima é então induzida a pagar para “reativar” essas contas falsas.
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Como funciona o golpe com carteiras falsas
O BdP destaca que os infratores adotam um comportamento convincente, ao tratar o alvo pelo nome, com discursos bem estruturados, relatando existência de carteira digital supostamente com saldo inativo. Essa forma de abordagem busca transmitir legitimidade e urgência, explorando a fragilidade emocional do investidor.
Em muitos casos, os golpistas chegam a enviar links para plataformas online com balanços falsos, onde a vítima visualiza gráficos e aumentos de saldo fictícios. Essas simulações reforçam a convicção da vítima de que está lidando com algo real e valioso, encorajando novas transferências .
Estímulo ao pagamento e perda real de dinheiro

Depois de convencer a vítima de que há dinheiro “preso”, o infrator instrui que um pequeno pagamento é necessário para reativar o acesso. Após isso, oferecem outras soluções que envolvem depósitos adicionais, alegando que isso vai liberar ou aumentar os supostos saldos — uma armadilha bem documentada pelo BdP .
Não existe recuperação possível
O Banco de Portugal esclareceu que essas carteiras e plataformas são inteiramente fictícias. Quando as vítimas descobrem que os valores transferidos não retornam, já estão financeiramente impactadas — e, na maioria dos casos, sem chance de reaver o dinheiro.
Alerta amplo para prevenção e denúncias
O comunicado do BdP é claro: NÃO faça pagamentos para reativar carteiras digitais relacionadas a criptoativos. Ao suspeitar de fraude, a recomendação é encerrar contato imediato e relatar às autoridades competentes como PSP, GNR, Polícia Judiciária ou Ministério Público.
O BdP também orienta que, em caso de dúvidas, o investidor procure assessoramento junto ao banco onde tem conta, ou consulte informações oficiais disponibilizadas no site do regulador .
Contexto regulatório de criptoativos em Portugal
Desde 30 de dezembro de 2024, Portugal ainda não publicou o diploma nacional que implementa o Regulamento Europeu MiCA, o que deixou o país sem um órgão regulador formal para supervisão e autorização de prestadores de serviços de criptoativos — incluindo carteiras digitais.
Riscos tácitos à segurança do consumidor
Essa deficiência regulatória aumenta a vulnerabilidade dos consumidores, especialmente frente a fraudes sofisticadas que exploram o desconhecimento geral sobre criptoativos. O BdP, apesar de supervisar aspectos de anti- lavagem de capitais, já não pode autorizar prestadores conforme MiCA .
Fraudes digitais já preocupam autoridades há anos

Golpes via SMS, phishing e clonagem
O BdP vem alertando para diversos tipos de golpe há anos. Em 2024 e no início de 2025, casos incluíram tentativas de phishing por SMS e e‑mail, clonagem de cartões, mudanças de IBAN em transfers bancárias e falsas oportunidades de emprego remunerado .
Fraudes específicas em cripto e forex
Já em 2021, o Ministério Público recebeu denúncias contra plataformas fraudulentas de negociação em criptomoedas e forex, evidenciando que este tipo de crime digital ocorre de forma organizada e recorrente.
Porque os criptoativos são terreno fértil para golpes?
O BdP reforça que ativos virtuais não têm garantia legal em Portugal e não contam com fundo de compensação. Além disso, transações cripto não possuem rastreamento equivalente a sistemas bancários tradicionais — mesmo que fiquem registradas em blockchain, a recuperação judicial é difícil.
Combinação de urgência, tecnicidade e empatia
Fraudes bem-sucedidas combinam uma narrativa técnica plausível (wallet digital), pressão emocional (saldos “expirando”) e um senso de urgência que leva a vítima ao erro — mesmo cientes dos riscos.
Medidas preventivas recomendadas pelo BdP
Nunca clique em links suspeitos
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A recomendação é evitar links desconhecidos ou não solicitados — particularmente os que prometem resgates ou retornos garantidos. Em caso de dúvida, contate diretamente sua instituição financeira ou consulte uma fonte confiável, como o site oficial do Banco de Portugal .
Denuncie imediatamente qualquer contato suspeito
Se receber ligação, e‑mail ou mensagem afirmando que possui investimentos não solicitados em criptoativos, informe as autoridades policiais competentes e também procure apoio de entidades como o Ministério Público ou a PSP/GNR.
O papel da educação financeira no combate à fraude
Ganhos fáceis são armadilhas
O BdP reforça que não existe retorno instantâneo ou garantido em investimentos cripto. Fraudes se aproveitam da ganância e da falta de familiaridade com esses ativos.
Informação pública e contínua
Campanhas educativas — como vídeos e guias no Portal do Cliente Bancário — auxiliam a população a identificar fraudes e entender como reagir eficientemente.
Cenário futuro e regulação aguardada
O Regulamento MiCA trará exigência de licenças, padrões de transparência e supervisão reforçada para os prestadores de serviços de criptoativos. A implementação em Portugal tende a reduzir sucessivamente esse tipo de golpe.
Embora o BdP tenha funções de supervisão, a responsabilidade pela segurança digital se estende a plataformas, bancos, provedores de internet e ao próprio investidor, que deve manter vigilância ativa sobre seus dados e transações.
Conclusão — segurança cripto requer vigilância constante
A nova onda de fraudes com criptoativos destaca que o espaço digital ainda é um terreno fértil para criminosos. A atuação do Banco de Portugal contrasta com a fragilidade regulatória atual e reforça a urgência de medidas robustas:
- Não confie em solicitações não solicitadas;
- Nunca realize pagamentos para “recuperar” carteiras;
- Informe autoridades e busque ajuda especializada.
À medida que a tecnologia cripto se populariza, crimes de engenharia social também se multiplicam. É fundamental que o investidor se eduque constantemente, entenda os limites legais dos ativos digitais e confie apenas em canais oficiais.
