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Banco ligado a Edir Macedo tinha 85% dos consignados em órgãos de SP

Expansão do Banco Digimais em SP, ligado a Edir Macedo, levanta debates sobre risco, convênios públicos e fiscalização no crédito consignado.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Consignado

A atuação do crédito consignado em folhas de pagamento do setor público paulista ganhou novo destaque após a revelação de que o Banco Digimais, instituição financeira associada ao bispo Edir Macedo, concentrou sua estratégia de crescimento principalmente em convênios firmados com a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado.

Documentos internos da instituição indicam que a capital paulista e o funcionalismo estadual chegaram a representar cerca de 85% da carteira de convênios do banco, em um período marcado por mudanças no modelo de negócios e aumento da exposição ao risco financeiro.

Leia mais: Falta de regularização coloca mais de 1 milhão de MEIs em risco

Concentração do consignado no funcionalismo paulista

Dinheiro
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Segundo dados apresentados em materiais institucionais do próprio banco, a Prefeitura de São Paulo respondia por aproximadamente 60% das operações de crédito consignado vinculadas a convênios, enquanto o Governo do Estado de São Paulo concentrava cerca de 25%.

Essa concentração revela que o crescimento da instituição no segmento público não ocorreu de forma dispersa, mas sim fortemente ancorado na folha de pagamento de servidores paulistas.

Além disso, o banco mantinha cerca de 69 convênios ativos e projetava ultrapassar 100 acordos em 2025, ampliando sua presença no setor público e privado.

Expansão em municípios paulistas

Além da capital e do governo estadual, a instituição avançou em diferentes administrações municipais. A apuração aponta ao menos oito cidades com algum tipo de credenciamento ou autorização para operações de consignado.

Entre os exemplos estão:

  • São Paulo: convênio ativo com servidores municipais
  • São Sebastião: contrato com instituto de previdência municipal em 2025
  • Ubatuba: autorização para operações consignadas
  • Praia Grande: credenciamento via chamamento público
  • Pindamonhangaba: homologação de instituição financeira em 2025
  • Tupã: autorização legal para consignado e cartões vinculados
  • Tambaú: contratação para operações com servidores
  • Guarulhos: convênio ativo com funcionalismo municipal

Essas autorizações foram conduzidas individualmente por cada prefeitura ou órgão previdenciário, sem participação direta do governo estadual nos processos de credenciamento.

Mudança de estratégia e foco no consignado

As demonstrações financeiras mais recentes mostram que o banco passou por uma reestruturação estratégica, reduzindo a dependência do financiamento de veículos e ampliando sua atuação no crédito consignado.

Esse movimento ocorreu em paralelo à tentativa de diversificar receitas e fortalecer novas linhas de crédito.

Na prática, o consignado passou a ocupar papel central na estratégia de expansão, especialmente em convênios com o setor público, onde há maior previsibilidade de pagamento via folha salarial.

Sinais de alerta no mercado financeiro

Relatórios de análise de risco, incluindo avaliações da Moody’s Local Brasil, indicaram deterioração na estrutura financeira da instituição.

Em 2026, a agência rebaixou os ratings do banco e atribuiu perspectiva negativa, destacando fatores como:

  • Alta exposição a fundos de investimento alternativos
  • Aumento da participação desses ativos no balanço
  • Enfraquecimento de indicadores de capital
  • Crescimento de ativos considerados problemáticos

Segundo a avaliação, os ativos de maior risco chegaram a representar mais de 40% do total do balanço em 2025, o que elevou a vulnerabilidade da instituição.

Outro ponto citado foi a necessidade de aportes recorrentes dos controladores para recomposição de capital regulatório.

Fiscalização do Banco Central e atuação da Polícia Federal

Reprodução/Seu Crédito Digital

As preocupações também alcançaram órgãos de supervisão financeira, como o Banco Central do Brasil, e investigações conduzidas pela Polícia Federal.

De acordo com documentos citados em investigações, foram identificadas suspeitas de inconsistências contábeis e operações consideradas irregulares envolvendo fundos ligados ao banco e seus controladores.

Entre os pontos levantados estão:

  • possíveis divergências em registros de ativos financeiros
  • operações entre partes relacionadas
  • reavaliações de ativos com valores significativamente superiores ao custo de aquisição
  • questionamentos sobre a transparência de fundos estruturados

A Polícia Federal chegou a solicitar medidas cautelares, incluindo bloqueio de valores e quebra de sigilos, enquanto o Banco Central determinou ajustes em registros contábeis.

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Concentração de risco e dependência do setor público

Um dos elementos centrais apontados pelos documentos analisados é a dependência crescente do banco em relação ao crédito consignado do funcionalismo público paulista.

Essa estratégia coincidiu com um período em que relatórios de mercado já indicavam aumento de risco e fragilidade em indicadores financeiros da instituição.

Na prática, o modelo de expansão adotado ampliou a exposição do banco a um único eixo geográfico e institucional, concentrado no estado de São Paulo.

Respostas do Governo do Estado e da Prefeitura

O Governo do Estado de São Paulo informou que o sistema de consignações segue regras de credenciamento público, sem contratação direta ou escolha discricionária.

Segundo a gestão estadual, a instituição atendeu aos requisitos regulatórios exigidos à época e representa uma pequena parcela das operações totais de consignado do estado.

A administração também destacou a existência de mecanismos de monitoramento e atualização de regras para garantir a regularidade do sistema.

Já a São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Gestão, informou que o banco integra um grupo de instituições financeiras habilitadas para operar com servidores municipais, todas credenciadas conforme a legislação vigente.

A prefeitura acrescentou que a participação do banco representa uma fatia reduzida do volume total de consignações.

Questões que permanecem em aberto

Apesar das informações oficiais e dos dados apresentados, permanecem pontos relevantes para análise pública:

  • quais critérios de risco foram considerados nos credenciamentos
  • se havia conhecimento prévio dos rebaixamentos de rating
  • como foram avaliados os alertas do mercado financeiro
  • qual o impacto potencial da concentração de operações em um único estado

O caso evidencia a importância da governança em convênios de crédito consignado, especialmente quando envolvem milhares de servidores públicos e instituições financeiras com exposição relevante a riscos de mercado.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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